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Valdano, sobre Messi na Argentina: 'Ou chega antes, ou chega depois ou não sabe onde chegar'

Após a tenebrosa derrota por 3 a 1 da Argentina para a Venezuela, em amistoso na última sexta-feira, o ex-atacante Jorge Valdano, ídolo do Real Madrid e campeão do mundo em 1986 com a seleção Albiceleste, foi bastante crítico com a atuação de Lionel Messi, que voltou a jogar pela equipe nacional depois de uma pausa.

Em sua coluna no jornal El País, Valdano vê o fato de Messi ter sido excessivamente moldado na academia do Barcelona, o que o impede de ter atuações satisfatórias ao lado de outros jogadores que não atuem no mesmo estilo ou ritmo dos blaugranas.

"Messi nos 'dois mundos' de Messi é um gênio formado no futebol de rua até os 13 anos que depois se tornou sofisticado na academia do Barcelona entre os 13 e os 17. La Masia é uma escola de estilo tão definido que qualquer jogador que chega ao Barça no início parece um corpo estranho. E qualquer um que tenha sido formado em La Masia sofre quando chega a uma equipe em que o futebol é jogador de outra maneira", observou.

"O Barça formatou o futebol de Messi com seu método singular, porque os hábitos condicionam a todos, inclusive os gênios. Os trabalhos do Barça encontraram função em meio ao seu descomunal talento, à cumplicidade de seus companheiros e ao modo de ser de seu futebol. No Barça, o jogo de Messi flui, porque toda a equipe sabe como potencializá-lo. Na seleção argentina, o contexto é outro. E demonstra uma evidência: é mentira que jogar ao lado de um gênio seja fácil", complementou.

Valdano ainda diz que Messi sente "a pressão de ser o nº1" na Argentina, assim como um "desejo de pagar sua dívida", o que complica ainda mais seu futebol quando veste a camisa da seleção ao invés do manto azul-grená do Barcelona.

"Essa bolsa cheia de recursos que ele tem como instinto necessita de sossego para expressar seu poderio, e a paz instintiva que Messi tem no Barça ele não encontra na seleção", salienta.

"Na Argentina, ele tem amigos, a vontade de pagar sua 'dívida de exilado', a pressão de ser o nº1, mas nenhuma das condições futebolísticas e sociais que o consagraram. No Barça, ele chega pontualmente em todas as bolas. Na seleção, ou chega antes, ou chega depois, ou não sabe onde chegar", acrescentou.

"É um gênio desconcertado, em um entorno hostil. Um desperdício descomunal", lamentou.