Não foi a noite que o garoto Antony imaginava para comemorar seu primeiro gol como profissional pelo São Paulo. O time tricolor deixou o estádio Anacleto Campanella, em São Caetano do Sul, sob forte protesto da torcida. O motivo foi o empate por 1 a 1 com o São Caetano, placar que levou o time para as quartas de final do Campeonato Paulista, mas no sufoco.
O tento de Anton, que tem 19 anos e foi promovido definitivamente após sagrar-se campeão da Copinha neste ano, foi aos 24 minutos do segundo tempo. O volante Pablo empatou aos 40.
O resultado só foi útil porque o Oeste, outro postulante à vaga no mata-mata, apenas empatou com o Mirassol por 1 a 1, em Barueri. Para avançar, teria de vencer por mais de quatro gols de diferença ou torcer por um revés do São Paulo em São Caetano do Sul.
O empate deixou o São Paulo com 13 pontos e na segunda colocação do Grupo D do Estadual. Agora vai enfrentar o Ituano, líder da chave. O primeiro jogo será com mando tricolor. O segundo possivelmente em Itu.
O local das partidas e o horário serão definidos pela Federação Paulista de Futebol na quinta-feira.
Os torcedores não suportaram o empate contra o São Caetano, que acabou rebaixado para a Série A2 do Estadual. Com o apito final, pediram raça, a saída do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, que nem sequer estava no estádio, reforços e "vergonha na cara" para os jogadores. Isto sem falar na quantidade de palavrões e xingamentos.
A forte cobrança tem suas razões. A campanha tricolor na primeira fase do Estadual foi sofrível: quatro vitórias, três empates e quatro derrotas. Foi o último dos grandes a confirmar a classificação. É o único entre os grandes que não venceu nenhum clássico.
Para completar, o dia foi cheio do lado de fora do campo. O goleiro Jean, afastado dos treinos por ter abandonado a atividade na última segunda-feira, acusou o técnico Vagner Mancini de tratá-lo com diferença e de ter sido cobrado com mais ênfase do que os companheiros, mesmo sem vir jogado. Crise que ainda não foi completamente abafada.
Dificuldades antes do jogo
Mancini teve dificuldades para montar o time desta noite porque perdeu Hernanes (sofreu um estiramento na coxa esquerda no último sábado) e não pode contar com Liziero (púbis e trauma no tornozelo direito) e Nenê (trauma no joelho esquerdo). O peso de armar o time ficou com o jovem Igor Gomes.
Foi a primeira vez que o garoto foi titular no São Paulo. Teve atuação discreta e prejudicada também pelo mau momento da equipe.
Previsível
O São Paulo teve duas chances reais de abrir o placar no estádio Anacleto Campanella nos 45 iniciais. A primeira até terminou com a bola dentro da rede, mas não valeu porque o atacante Gonzalo Carneiro estava impedido ao desviar a bola dentro da área, aos 23.
Depois, aos 45, Antony recebeu a bola dentro da pequena área. Dominou e na hora de chutar escorregou. O goleiro Luiz Daniel fez a defesa, enquanto o são-paulino ficou reclamando ter sido agarrado na camisa. Ele queria pênalti, mas não houve infração.
Fora esses lances, o primeiro tempo do São Paulo foi ruim, com jogadas previsíveis, lentidão e pouca produtividade ofensiva. Pablo foi bem marcado. Carneiro cometeu erros em excesso. Igor Gomes sentiu falta de outro meia. Hudson e Luan avançaram pouco.
Jogo da vida
Lutando contra o rebaixamento, o São Caetano teve até mais garra dos seus jogadores para tentar ao menos se despedir com a cabeça em pé. Arriscou lances em velocidade, bolas esticadas para os laterais e chutes da entrada da área. A mira não estava muito bom.
Ainda assim as melhores chances foram do Azulão.
Aos 21. Capa recebeu a bola no lado esquerdo do ataque. Cortou para dentro de campo, entrou na área e bateu com força, mas para fora. Já aos 24, Esley ficou cara a cara com Volpi e tentou finalizar por baixo do goleiro, que faz a grande defesa da primeira etapa.
Tensão
Mancini tentou dar mais agilidade ao time e colocou Everton Felipe no lugar de Carneiro. A alteração teve pouco do efeito esperado. A equipe até ganhou um pouco mais de velocidade, mas os passes para finalização e as próprias finalizações deixaram a desejar.
Nas arquibancadas, a cobrança passou a ser maior a cada erro, a cada bola perdida e a cada ataque do São Caetano.
Gol
Quando parecia ser difícil acreditar em um placar diferente do zero a zero, o garoto Antony, um dos poucos do elenco que tem conseguido deixar os jogos elogiado, abriu o placar e com um belo gol.
O lance foi aos 24 da etapa final. O jovem da camisa 39 recebeu a bola na direita, arrumou para o pé esquerdo e chutou. O tiro nem foi tão forte, mas a bola desviou no corpo de Capa, subiu e enganou o goleiro do Azulão. Acabou morrendo no fundo das redes.
Banho de água fria
Aos 40, o São Caetano conseguiu o empate e esfriou o estádio, que já não estava tão cheio, além de evocar protestos da torcida.
O tento foi anotado por Pablo em chute de fora da área.
Os protestos contra os jogadores e a diretoria do São Paulo aumentaram. O presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, que nem estava no estádio, foi o alvo principal.
Ficha técnica
SÃO CAETANO 1x1 SÃO PAULO
CAMPEONATO PAULISTA 2019 - 12ª RODADA
DATA: quarta-feira, 20 de março de 2019
HORÁRIO: 21h30 (de Brasília)
LOCAL: Estádio Anacleto Campanella, em São Caetano do Sul (SP)
PÚBLICO: 3.425 público total (2.981 pagantes).
RENDA: R$ 126.380,00
ÁRBITRO: Luiz Flavio de Oliveira
ASSISTENTES: Marcelo Carvalho Van Gasse e Miguel Cataneo Ribeiro da Costa
GOLS: Antony (SPO), aos 24, e Pablo (SCA), aos 40 minutos do 2º tempo
CARTÃO AMARELO: Capa, Max e Pablo (SCA); Anderson Martins, Bruno Alves, Hudson e Pablo (SPO)
SÃO CAETANO: Luiz Daniel; Alex Daniel, Saimon, Max e Capa; Esley (Rafael Marques), Vinícius Kiss, Pablo e Vitinho (Diego Rosa); Minho e Bruno Mezenga (Hernandes). Técnico: Pintado
SÃO PAULO: Tiago Volpi; Igor Vinícius (Bruno Peres), Bruno Alves, Anderson Martins e Reinaldo; Hudson, Luan e Igor Gomes Jonathan Gómez); Antony, Pablo e Gonzalo Carneiro (Everton Felipe). Técnico: Vagner Mancini
