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Posse para criar e não correr à toa: Técnico Zago explica o seu Red Bull, líder em pontos, chances criadas, chutes e retomada de bola

No grupo em que está o time da maior novidade do futebol brasileiro na temporada, o técnico Jorge Sampaoli, do Santos, quem tem a melhor campanha é o Red Bull Brasil de Antônio Carlos Zago.

Não é só. Se vencer o Guarani nesta quarta (20), em Campinas, no Brinco de Ouro, o clube da multinacional austríaca vai terminar a primeira fase do Campeonato Paulista com a melhor campanha geral, onde já se encontra no momento. À frente dos caros Palmeiras e São Paulo, e do Corinthians do festejado Fabio Carille.

"A gente sonhava com a vaga. Talvez não desse jeito. Mas tudo foi ficando fácil em cima do trabalho que fizemos", contou Zago ao ESPN.com.br. "Montei aqui um grupo mesclado de jogadores jovens e com passagens por grandes clubes, com vontade de mostrar serviço e, acima de tudo, aprender, assimilar. E isso foi fundamental", diz.

Em seu reencontro com o Estadual que ele não disputava desde 2011, quando comandou o Mogi Mirim, o treinador mostra que ele também assimilou bem o que aprendeu nos mais de três anos em que trabalhou na Europa.

Por lá, foi auxiliar do romeno Mircea Lucescu, no Shakhtar Donetsk (2013 a 2015), e do tcheco Zdeněk Zeman (2013), na Roma.

Mas também mostra que as lições que aprendeu como jogador, comandado por treinadores dos quilates de Telê Santana, Vanderlei Luxemburgo e Fabio Capello não foram esquecidas.

JOGAR COM A BOLA

Com apenas uma derrota no Paulista, o Red Bull está invicto há nove jogos. É a equipe é a que mais criou chances de gol e disparou contra as metas dos rivais - também é quem mais acertou o alvo. Ytalo, com 29, só chutou menos a gol que Jean Mota, do Santos (36). E fez cinco gols.

Chamam ainda mais atenção duas outras estatísticas: o time de Zago é o que mais recupera a posse da bola e o terceiro com mais tempo de posse, atrás de Santos e Corinthians, com quem está quase empatado: 57,2% a 56,6% (dados do ESPN TruMedia, software de análises e estatísticas esportivas exclusivo da ESPN).

Tais características fazem o Red Bull jogar de modo parecido justamente com o do seu rival badalado da Baixada Santista. O que leva a prever um duelo de iguais na próxima fase do Estadual.

"Eu entendo que o jogador de futebol tem que ter a bola. Desde que você é moleque, o legal é ficar com a bola. A gente até dorme com ela. Então, eu penso meus times para jogarem desse modo", diz ele.

"Sempre, a mentalidade é de ter a posse de bola. Não consigo passar aos meus jogadores que eles têm primeiro que defender para depois contra-atacar", explica.

"A questão da retomada de posse também tem a ver com isso. Quero meu time sempre pronto para recuperar a bola, para não ter de correr à toa e para trás para ter de retomar", explica.

"Gosto de um time que saiba fazer boas inversões, troca de passe e triangulações pelos lados do campo", diz ele. Tais situações ajudam a explicar porque o lateral-direito Aderlan, por exemplo, com cinco, tem o maior número de assistências da competição.

E é desse modo que ele vai encarar o Santos. Zago quer fazer Sampaoli provar do próprio veneno. Mas não para confrontá-lo. Mas sim porque é desse modo que ele entende que seu time rende mais.

"Realmente, não tenho porque mudar o nosso estilo, ainda mais com os dois jogos acontecendo em um intervalo tão curto", diz Zago - as partidas serão no domingo, 24, e na quarta, 27 de março.

"Eu prevejo dois grandes jogos, porque são equipes que tentam sempre jogar de modo bonito", diz ele, que acompanha e admira o trabalho de Sampaoli desde o tempo em que ele comandava a Universidad do Chile (2011-2012)

Ao contrário de alguns colegas, como Carille, que defendem que Sampaoli não trouxe nada de novo para o futebol brasileiro, Antônio Carlos reconhece novidades no trabalho do colega argentino.

"É um estilo diferente no que diz respeito ao Brasil, sim. Eu não lembro de ninguém fazendo algo semelhante por aqui nos últimos tempos", diz ele. "É bonito de ver", afirma.

Com contrato até o fim do Paulista, Antônio Carlos não quer nem pensar no segundo semestre.

"Eu quero é poder viver esse momento. Foram oito anos sem disputar o Paulista e, no momento, eu estou aproveitando essa volta à minha terra", finalizou.