O técnico da Inter de Milão, Luciano Spalletti, se pronunciou pela primeira vez nesta quarta-feira sobre o "caso Icardi", que vem atormentando os bastidores da equipe nerazzurra nos últimos dias.
Em coletiva antes do jogo de volta contra o Rapid Viena, pelos mata-matas da Europa League, o treinador criticou o modo como a crise vem sendo tratada, mas admitiu que tem como grande objetivo "resgatar" o centroavante.
"Devemos ter em foco que situações como este (de Icardi) não se resolvem com chats, com vídeos e com likes, mas estando junto, conversando e com contatos reais", disparou.
"Neste caso, se alguém se lembra como as coisas eram feitas, dá para ir na direção certa, mesmo se o mundo de hoje é mais tecnológico. Na gestão de um grupo, a coisa que mais funciona é ser junto no confronto com os jogadores: posso dizer que nem sempre todos me escutaram, mas sempre tentei mandar mensagens que chegam aos ouvidos de todos", filosofou.
Spalletti ainda disse que o argentino precisa voltar a "se comportar segundo a lógica".
"Se Mauro (Icardi) se comportar segundo a lógica e seguir um raciocínio lógico, voltará ao 100%. Até recentemente, a gente dizia que a ausência de Icardi era algo importante. Agora, segue o mesmo", salientou.
De toda forma, Icardi está fora da partida desta quinta, às 17h (de Brasília), no Giuseppe Meazza. Como ganhou por 1 a 0 na ida, na Áustria, a Internazionale depende apenas de um empate para avançar à próxima fase da Liga Europa.
A FAIXA DA DISCÓRDIA
Segundo noticiou a Gazetta dello Sport na terça-feira, a esposa e empresária do centroavante, Wanda Nara, impôs uma condição à diretoria nerazzurra para que seu marido volte a jogar: receber de volta a faixa de capitão.
Icardi perdeu o objeto simbólico na semana passada para o goleiro Handanovic, depois de se recusar a viajar para Viena para jogo contra o Rapid, pela Liga Europa.
A confusão acabou acarretando uma série de consequências.
Primeiro, Wanda Nara foi apontada pelo jornal Marca como o principal motivo para o Real Madrid ter desistido de contratar o atacante. Em seguida, o carro da empresária foi apedrejado enquanto ela levava seus filhos para o treino de futebol, nos arredores do estádio Giuseppe Meazza - casa da Inter.
Tudo isso fez com que ela desabafasse e chorasse durante participação em um programa de TV na Itália, na última segunda-feira.
"Nunca pensei que isso aconteceria. Estamos sempre em contato com a Inter, mas descobri pelo Twitter (que Icardi havia perdido a faixa de capitão). Foi como tirar uma perna de Mauro, ele sempre vestiu a camisa com orgulho. Fez de tudo para honrar a faixa de capitão", disse a argentina.
Chorando, Nara revelou que ligou até mesmo para Massimo Moratti, ex-dono da Inter, para tentar fazer com que Icardi voltasse ao time.
"Não queremos ir embora, nossa família é interista", bradou.
Uma das questões para resolver a situação de Icardi com o clube de Milão é seu contrato. Ele tem vínculo até junho de 2021, mas o clube italiano quer a renovação para afastar o interesse de outros gigantes do futebol.
Mesmo assim, Nara negou que a negociação seja "prioridade" e afirmou que a permanência de Icardi depende de "variáveis".
Neste meio tempo, Giuseppe Marotta, atual CEO da Inter, telefonou ao programa para tentar esclarecer a polêmica.
"Queremos diminuir as tensões, dar serenidade a Wanda e Icardi. Se a metáfora for a família, então os pais devem tomar decisões contra sua vontade para fazer os filhos crescerem. Convocamos Icardi no vestiário e explicamos as razões. Quis intervir porque vi Wanda chorar, gostaria que entendesse que fazemos isso pelo bem de Mauro", salientou.
