Pedro Henrique Konzen pode não ser o jogador brasileiro mais conhecido, mas já tem muita história no futebol. Do interior do Rio Grande do Sul, com a infância sem os pais e fazendo um caminho diferente do tradicional, o jogador fez o primeiro gol da história de um time do Azerbaijão em Champions, desbravou a Grécia e o Cazaquistão e foi um dos primeiros a ver Dembélé, astro do Barcelona, se atrasar.
De férias no Rio Grande do Sul, o jogador atendeu o ESPN.com.br e revelou momentos algumas curiosidades de sua carreira e seus próximos passos.
O início no Caxias
Pedro não teve uma infância de luxo. Após perder os pais antes dos seis anos, foi criado pelos avós e tios e como a maioria dos brasileiros, sonhava em ser jogador de futebol. Após o começo no Santa Cruz-RS, clube da sua cidade, se transferiu para o Grêmio.
“Foi num torneio de férias, a Copa Santiago contra o Cianorte-PR, fui bem e o Grêmio me levou”, conta o jogador.
A chegada aos juniores do Grêmio foi um momento especial para Pedro. O meia-atacante trabalhou com Julinho Camargo, que treinou o time principal do Grêmio, Juventude e outros clubes do interior do estado. Teve como mentor também Andrei Lopes, que foi auxiliar de Dunga na Copa do Mundo de 2010.
“Foi o momento que mais pude aprender, todo mundo no estado é da dupla Gre-Nal. Preparei bem para me tornar profissional, infelizmente não consegui no Grêmio”.
No clube gaúcho, o jogador foi companheiro de Douglas Costa, hoje na Juventus, e de Marçal, lateral do Lyon.
Foi no Caxias que Pedro Henrique explodiu. Disputou o Campeonato Gaúcho e a Série C de 2010 com Lisca no comando e foi dele a grande motivação que recebeu.
“É uma figura muito especial na minha carreira, me deu a primeira oportunidade, no trabalho físico ele falou: 'Te prepara alemão, vou te pôr para jogar”.
A fama de “doido” já era conhecida, mas o jogador ressalta que é tudo carinhoso, elogiando o ex-comandante.
Aventuras na Suíça e o videogame de Dembélé
Depois de um ótimo ano no Caxias, Pedro se transferiu para o Zurich FC, da Suíça, onde ficou por três temporadas. Em 2013/14, foram 40 jogos e 11 gols, o que proporcionou sua venda ao Rennes, da França.
“Fui artilheiro na Suíça, um salto na carreira, tive que trabalhar a parte tática e física. Uma estrutura fora de série, mas muita neve, -12 graus na primeira partida. No fim, adaptei rápido”, comenta o meia-atacante.
Na França, foram duas temporadas e meia, dificuldades com o nível da Liga e também muitas amizades.
“O buraco é mais embaixo, vi o nível Top da Europa, estreei contra o Lyon, teste de fogo, foram só jogos difíceis, jogadores de força física, muitos africanos”, revela.
E com Ousmane Dembélé ainda menino, o jogador viu o nascimento de um grande atleta.
“Quarta-feira jogou com o time B e no final de semana já jogou no nosso time. O técnico se apaixonou, ele já era diferente, mas sempre humilde e cabeça boa”.
Os atrasos, agora mais constantes no Barcelona, aconteciam no Rennes, mas por um motivo inusitado: videogame.
“Ele se empolgava muito, não ia para festas, ficava em casa, mas jogava videogame até tarde e aí não conseguia se acordar”, conta.
Passagem pela Grécia e história no Azerbaijão
Na temporada 2016/17, Pedro partiu para um novo desafio, o PAOK, da Grécia. Com uma torcida apaixonada, o jogador foi símbolo do renascimento da equipe, libertando a equipe de 15 anos sem títulos.
“A torcida é apaixonada, estávamos 15 anos sem ganhar títulos e fiz o gol do título da Taça da Grécia”.
Foi no dia 6 de maio de 2017. Aos 36 do segundo tempo, Pedro desempatou a partida e o PAOK bateu o AEK por 2 a 1, acabando com o jejum e proporcionando uma grande festa para a torcida.
No entanto, na temporada seguinte, o jogador recebeu uma proposta do Qarabag, do Azerbaijão. O clube disputaria a Champions League e o sonho do gaúcho poderia ser realizado.
O sorteio do torneio foi cruel para os azeris. Chelsea, Atlético de Madrid e Roma no grupo. A estreia foi cruel – 6 a 0 para os ingleses.
“Parecia videogame, quando se joga contra equipe muito grandes. No Stamford Bridge, tentei ficar concentrado e depois me soltei. A gente vê o lugar que estava, é incrível”.
Mas a história aconteceu mesmo contra a Roma. Na segunda rodada da fase de grupos, apesar de estar perdendo por 2 a 0 em casa, Pedro marcou o primeiro gol da história de um time do Azerbaijão na competição. Deixou sua marca no país.
A última equipe do jogador, a qual ainda tem contrato, é o Astana, do Cazaquistão. No clube, disputou a Liga Europa de 2018/19.
“Lá tem muita influência russa, é um país da ex-União Soviética, só que o mais absurdo era frio. Tinham dias de -50 e -40 graus. Pelo menos era tudo coberto”.
Como a equipe não conseguiu se classificar para o mata-mata da Liga Europa, Pedro Henrique deixa o futuro em aberto. O Campeonato do Cazaquistão só retorna em março e o jogador pode não continuar no clube.
Com contrato com o PAOK até o meio de 2020, o brasileiro não fecha as portas para um retorno ao futebol nacional:
“Tive contatos no Brasil. Tenho um carinho grande pela dupla Gre-Nal, é um sonho de criança poder jogar por um dos dois clubes profissionalmente, muito pela importância que tem para qualquer gaúcho”.
Pedro Henrique acompanhará o ex-companheiro de time Dembélé neste domingo. O Barcelona enfrenta o Leganés, às 17h40, com transmissão da ESPN Brasil e WatchESPN.
