Nos últimos meses, Flamengo e Palmeiras vêm dominando o mercado de transferências no futebol brasileiro.
Como a ESPN mostrou na última quinta-feira, as duas equipes gastaram juntas R$ 170,55 milhões na atual janela de contratações, sendo R$ 85,44 milhões dos alviverdes e mais R$ 85,11 milhões dos rubro-negros.
Com todo esse poderio financeiro, muitos falam em uma possível "espanholização" no Brasil, com Verdão e Fla mostrando-se extremamente superiores aos rivais no aspecto do dinheiro, assim como ocorre com Real Madrid e Barcelona em LaLiga.
Mas será que essa comparação é realmente válida?
Para que a análise seja justa, serão usados do site Transfermarkt, especializado no mercado da bola, relativos à temporada europeia 2018/19 (ou seja, que começou em agosto do ano passado) tanto para os brasileiros quanto para os espanhóis.
Segundo o site, as equipes da elite brasileira, somadas, gastaram 90.078.653 euros (R$ 385.277.208,32) em transferências de agosto de 2018 até agora.
Desse montante, 21,54 milhões de euros (R$ 92,12 milhões) são do Palmeiras, e mais 35 milhões de euros (R$ 149,69 milhões) do Fla. Logo, alviverdes e rubro-negros foram responsáveis por investir 56,54 milhões de euros (R$ 169,67 milhões) juntos.
Isso corresponde a aproximadamente 63% do que todos os times da Série A do Brasil gastaram em conjunto no período analisado.
Por outro lado, utilizando os mesmos dados na temporada 2018/19 na Espanha, temos um gasto de 948.770.000 euros (R$ 4.058.003.142,40) em transferências.
Desse total, o Real Madrid torrou 179,05 milhões de euros (R$ 765,81 milhões), enquanto o Barcelona contribuiu com 127,10 milhões de euros (R$ 543,62 milhões). Portanto, juntos, os rivais gastaram 306,15 milhões de euros (R$ 1,309 bilhão).
Isso corresponde a pouco mais que 32% do restante que foi investido por todos os outros times de LaLiga juntos.
Comparando com Palmeiras e Flamengo, a proporção é muito, mas muito menor, o que mostra que a "espanholização" financeira no futebol brasileiro já é uma realidade - e muito pior do que na própria Espanha.
E fazendo uma análise sobre as temporadas anteriores, vê-se que não foi um caso isolado.
Em 2017/18, por exemplo, foram investidos 864.585.000 euros (R$ 3.697.933.795,20) em transferências, sendo 349,37 milhões de euros (R$ 1,494 bilhão) por parte do Barça e mais 40,5 milhões de euros (R$ 173,22 milhões) pelo Real.
Ou seja, juntos, eles gastaram 389,87 milhões de euros (R$ 1,667 bilhão), o que dá 45% do total do campeonato - também muito menos do que Palmeiras e Fla.
Já em 2016/17, foram torrados 526.285.000 euros (R$ 2.250.984.099,20) em negociações, dos quais 124,75 milhões de euros (R$ 533,57 milhões) foram responsabilidade dos catalães, e 30 milhões de euros (128,31 milhões) dos merengues.
Logo, o gasto conjunto de 154,75 milhões de euros (R$ 661,88 milhões) correspondeu a pouco mais de 29% do total. Algo ínfimo perto do que flamenguistas e palmeirenses conseguem hoje em dia no Brasileirão.
