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Um ninguém lembra, outro virou ídolo: como se saíram argentinos que chegaram com pompa, à la Boselli, ao Corinthians?

No Corinthians, só se fala em Mauro Boselli - e não é por menos.

O atacante argentino marcou 131 gols em 231 jogos nas últimas cinco temporadas pelo León - média é de 0,57 por jogo. Além disso, foi o artilheiro de três edições do Mexicano, campeonato do qual foi bicampeão. Ainda tem dois títulos da Libertadores e um da Copa da Inglaterra. Currículo não falta.

O torcedor corintiano, carente na função desde a saída de Jô, então, se anima. A história de argentinos com a camisa alvinegra é antiga: de Carlos Buttice a 'Burrito' Martinez, alguns marcaram seu nome. Três, especificamente, chegaram com pompa parecida a de Boselli - e os desfechos foram completamente diferentes.

Em 1976, chegou Hector 'Bambino' Vieira. Ídolo do San Lorenzo, era esperança de gols para o time que estava há 22 anos sem conquistar um título. Na época, jogava no Sevilla, com passe fixado em US$ 50 mil, e veio ao Palmeiras fazer alguns testes. Com ele aqui, o folclórico presidente corintiano Vicente Matheus se antecipou e garantiu o jogador.

Polêmico, o meia surgiu como destaque do time argentino e chegou ao Brasil com grande status: "Sempre gostei muito das mulheres", justificou, certa vez, à imprensa argentina. "Mas todos viam que eu era um bom menino. ‘O Bambi, o Bambi...', diziam os técnicos. Eu fazia gols, e eles me perdoavam".

Dentro de campo, marcou quatro gols - todos em partidas amistosas prévias ao Campeonato Paulista. O primeiro gol foi contra o Madrugada, depois fez dois no Pato Branco e por fim marcou contra o Combinado de Cuiabá. Depois disso, o argentino disputou apenas outros 16 jogos, sem qualquer destaque, o último deles em 30 de janeiro de 1977.

Após deixar o Corinthians, Bambino ainda defendeu - também sem brilho - Universidad de Chile e Oriente Petrolero, da Bolívia, antes de se aposentar como jogador. Ele resgatou o seu prestígio como treinador, vencendo o Campeonato Argentino, a Copa Libertadores da América e da Copa Intercontinental pelo River Plate, e o Argentino de 1995 pelo San Lorenzo, encerando um jejum de 21 anos do clube.

Em 2004, o presente de natal corintiano veio com alguns dias de antecedência. 'Carlitos' Tevez foi apresentado no dia 20 de dezembro e, "corintiano, maloqueiro e sofredor", logo conquistou coração do torcedor.

Tinha 20 anos de idade e já era campeão do Campeonato Argentino, da Copa Libertadores da América, da Copa Intercontinental e da Copa Sul-Americana pelo Boca Juniors. O investimento, assim como a expectativa, foi grande: € 15 milhões. O retorno também.

Foram 28 gols em 39 jogos em 2005. No Campeonato Brasileiro, explodiu: campeão, melhor jogador do campeonato e terceiro artilheiro, com 20 tentos. Mais importante, Tevez virou ídolo pela figura que se tornou, carrasco de rivais e "marca".

O Apache vendia desde camisas argentinas até chupetas, alusão à comemoração que fazia homenageando a filha Florencia. Duas atuações serão lembradas eternamente pelo torcedor: um gol antológico em empate contra o Palmeiras, deixando Gamarra estatelado no chão e um hat-trick no histórico 7 a 1 sobre o Santos.

Em 2006, fez 9 gols em 19 partidas, mas após a traumática queda na Libertadores para o River Plate e briga com a torcida, foi transferido para o West Ham, da Inglaterra. Esse desentendimento, entretanto, não foi suficiente para manchar sua passagem - o argentino está frequentemente na discussão sobre o maior estrangeiro da história do clube.

Junto com Tevez, aliás, desembarcou no Brasil também Javier Mascherano, volante que chegou já com o status de astro do River. Com a camisa alvinegra, contudo, as expectativas não foram correspondidas - apesar de também ter conquistado o título nacional de 2005.

Mascherano até diz guardar boas lembranças de sua passagem pelo Corinthians, mas também não esconde a decepção por ter ficado marcado por um cartão vermelho recebido na Copa Libertadores de 2006, justo contra o seu River, na Argentina, em mata-mata que acabou em eliminação brasileira e pancadaria no Pacaembu.

No fim, a passagem de Mascherano acabou sendo breve, encerrada com o empréstimo, já em 2006 também, ao West Ham, ao lado de Tevez.

Boselli tem exemplos, bons e ruins. Agora, resta ver qual será seu legado no Corinthians.