Há dez anos, o Energie Cottbus figurava na Bundesliga. Hoje, luta para não retornar à quarta divisão, logo após ter conseguido a promoção ao terceiro escalão do futebol alemão. A busca pela redenção é parecida com a história de um dos destaques de seu elenco: o brasileiro Marcelo Freitas.
Após passar pela base de grandes clubes do Brasil, não teve espaço no profissional e passou por uma falsa promessa na Alemanha, aonde retornaria e conseguiria se estabelecer no Cottbus.
Marcelo iniciou sua trajetória na base da Portuguesa, pela qual chamou atenção no sub-15 e foi ao São Paulo, pelo qual atuou ao lado de nomes como Rodrigo Caio, Lucas Piazon e Ademílson. Já no sub-17, defendia o Grêmio. A enorme concorrência impediu que ele conseguisse espaço, ao passo que ia se aproximado da categoria profissional. Mais do que isso, uma lesão no púbis o deixou seis meses parado.
O momento de decolar parecia ser no Figueirense, que então contava com Loco Abreu.
“Eu dava muita risada, e ao mesmo tempo ficava muito sério, porque você não sabia quando ele estava brincando ou falando sério contigo”, disse Marcelo ao ESPN.com.br. “Dele só tenho a guardar coisas boas, porque ele me ensinou bastante dentro de campo”.
O meia logo ascendeu ao elenco principal, mas não podia ser utilizado no Campeonato Brasileiro, uma vez que as inscrições já tinham se encerrado. Na temporada seguinte, perdeu espaço. Só treinando, resolveu arriscar quando apareceu a oportunidade de cruzar o Atlântico.
“Eu vim por um grupo daqui da Alemanha e um grupo do Brasil, eles se conheciam. Eu vim por indicação pelo menino que jogava com a gente no Figueirense. ‘Os caras estão precisando de um meia para levar para o Freiburg, da primeira divisão’. Aí eu falei: ‘vamos embora’. Eu vim, e não era nada disso”, afirmou.
“Até então eu acreditava muito nos caras (envolvidos na suposta negociação com o Freiburg), mas o que aconteceu de errado foi o pessoal aqui da Alemanha, tinha um brasileiro no meio, e ele acabou enganando a gente, na verdade.”
Após dias em um hotel em Berlim, um novo destino foi selado: o Dynamo Dresden, que na temporada 2014-15 figurava na terceira divisão (atualmente está na segunda). Com dificuldades burocráticas, a passagem durou só alguns meses, antes de o brasileiro retornar ao país natal e ir ao Luverdense. “Não estava jogando, foi uma experiência para aprender”.
Foi então que surgiu uma oportunidade de se mudar novamente para a Alemanha, já no segundo semestre de 2015. Dessa vez, sem ilusões ou grandes promessas. A próxima parada na carreira de Marcelo foi o International Leipzig, da NOFV-Oberliga Sul (quinta divisão alemã). “Já tinha conversado com o treinador e o capitão, que é espanhol, a gente tinha se conhecido da outra vez. Eles falaram que se eu quisesse voltar para a Alemanha, eles me ajudariam. Foi o que aconteceu”.
Marcelo Freitas, enfim, pôde jogar. E se destacar. Em oito jogos na quinta divisão, ele fez seis gols. Em janeiro de 2016, assinou com o Oberlausitz Neugersdorf, do quarto escalão. Depois de um ano, 31 jogos e dez gols, o brasileiro assinou com o Energie Cottbus, também da quarta divisão, só que um time mais tradicional no país.
Na primeira temporada completa pelo clube, o meia fez nove gols em 30 jogos na Liga Regional, o que ajudou o Cottbus a vencer a competição e a conseguir o acesso à terceira divisão. De quebra, Marcelo foi o quarto jogador com mais minutos em campo pela equipe na temporada.
Na atual campanha, são 15 partidas e dois gols na 3. Liga. No momento, o brasileiro se recupera de uma contusão. Sua volta aos gramados deve ocorrer no fim de janeiro, quando também ocorre o retorno da competição nacional, após a parada de inverno.
Com contrato até o fim da temporada, Marcelo diz que houve sondagens de equipes da terceira e segunda divisões da Alemanha. Depois de diferentes desilusões, o brasileiro de 24 anos parece ter encontrado o caminho da redenção no futebol, ainda que longe dos holofotes.
