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Patrocínio de refrigerante ao Corinthians revive parcerias de sucesso de marcas de bebidas com clubes brasileiros

Mesmo com a chegada da Poty ao Corinthians, a participação de marcas de bebidas não-alcoólicas no cenário de patrocínios de futebol no Brasil apresenta uma projeção de retração para 2019, em relação a 2018.

Isso porque a empresa rompe com o São Paulo para assinar com o Corinthians. Tal mudança até manteria o número igual. Mas a Ultra Energéticos, parceira do clube alvinegro, sai de cena no fim desta temporada para a chegada do novo patrocinador.

De acordo com o estudo Ibope/Repucom, apenas outras duas marcas da categoria, além de Poty e Ultra Energéticos, patrocinaram clubes no Brasileiro de 2018: Cemil, que patrocinou a frente superior das camisas de Cruzeiro e América-MG, e Carabao de energéticos, que esteve nas mangas do Flamengo.

Muito pouco, quando se pensa que, há 31 anos, uma empresa de bebida não-alcoólica era a principal força motriz do futebol nacional, patrocinando nada menos que dez times no campeonato nacional. E que muitas outras empresas do setor já tiveram parcerias de sucesso com times de futebol.

QUASE MONOPÓLIO

Na Copa União de 1987, o Brasileiro daquele ano, o plano do Clube dos 13, que organizou a competição, era que todos os times tivessem patrocínio da Coca-Cola.

Alguns clubes, no entanto, já tinham parcerias fechadas com outras empresas. Casos de Corinthians (Kalunga), Flamengo (Petrobras), Internacional (Aplub), Palmeiras (Agip), Santos (Suvinil) e São Paulo (BIC).

Mesmo assim, a Coca-Cola teve uma enorme exposição, aparecendo nas camisas de dez times: Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Coritiba, Cruzeiro, Fluminense, Goiás, Grêmio (com adaptação no logo vermelho da empresa para preto e branco, a fim de não fazer alusão à cor do rival Internacional), Santa Cruz e Vasco da Gama.

Pelo patrocínio-máster - não havia o hábito de se explorar outras áreas do uniforme - cada clube recebeu, na época, US$ 1,75 milhão. Corrigido, esse montante equivaleria hoje a US$ 3,88 - ou nada menos que R$ 15,23 milhões, convertidos pela cotação atual.

A experiência foi vista como bem-sucedida pela empresa, que até celebrou novos acordos em anos seguintes. Em 1988, por exemplo, a empresa chegou ao Internacional. Em 1989, foi a vez do Palmeiras.

Mais tarde, a empresa se tornaria também patrocinadora da seleção brasileira. Aos poucos, porém, o ímpeto da companhia na área foi se arrefecendo.

"DA FIEL"

Nos anos 2000, foi a vez da principal rival da Coca-Cola, a Pepsi, celebrar vitoriosa parceria com o Corinthians. A empresa assinou contrato com o clube em janeiro de 2000, logo após o Mundial de Clubes conquistado pelos alvinegros.

Pepsi e Corinthians tornaram-se parceiros muito unidos. A ponto de a empresa ter produzido peças publicitárias, como anúncios na TV, em que o slogan era "Pepsi é da Fiel", descontentando consumidores torcedores de outras agremiações, que prometeram boicotar a marca. Em vão.

Segundo reportagem de O Estado de S. Paulo, de janeiro de 2002, a parceria rendeu aumento de 20% das vendas da marca em São Paulo em dois anos. Razão pela qual empresa e clube estenderam o vínculo, na ocasião, até 2005.

GUARÁ

Entre 2011 e 2015, o empresário Neville Proa foi um dos principais investidores do futebol carioca.

Em quatro anos, o dono da Viton 44 (que produz as bebidas Guaravita, Guaraviton e Mate Vitton) injetou cerca de R$ 200 milhões divididos entre os quatro grandes clubes do Rio de Janeiro.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, de 2015, a Viton 44 pagava R$ 20 milhões anuais ao Flamengo, R$ 16 milhões ao Fluminense e R$ 7 milhões ao Vasco.

Entre 2011 e 2014, o Botafogo receber R$ 64 milhões da companhia, que chegou a adquirir os naming rights do Campeonato Carioca em 2015.

EXPERIENTE NO ASSUNTO

O contrato da Poty com o Corinthians, anunciado nesta quarta-feira (26), marca um passo importante da empresa. Mas, longe de ser uma estrangeira nesse cenário, a companhia do interior de São Paulo já tem boa experiência na área.

Nesta temporada, por exemplo, a marca esteve, durante o Campeonato Paulista, em 14 times, como Rio Claro, Mirassol (o primeiro apoiado pela marca), Botafogo-SP e Ponte Preta. No Brasileiro, a equipe patrocinou o São Paulo.

A estratégia com o Corinthians, no entanto, promete ser um pouco mais agressiva do que foi com o clube tricolor, com quem a empresa encerra contrato neste mês. A ideia é fazer do Alvinegro um parceiro de ações em redes sociais com mais profundidade e constância.