Grande destaque em suas passagens pela Ponte Preta, Renato Cajá teve muitas vezes seu nome ligado aos grandes times da capital paulista, mas nunca defendeu São Paulo, Corinthians ou Palmeiras. Um fato que até hoje surpreende o meia de 34 anos.
"Rapaz, eu vim conversando isso com um amigo meu outro dia no carro sobre isso. Faltou pouco", confessou, ao ESPN.com.br.
A primeira chance de Renato ir para São Paulo foi depois ter brilhado como maestro do clube de Campinas no vice-campeonato do Paulista de 2008.
"Eu estava praticamente certo com o São Paulo. Eu vim acertado um contrato de cinco anos aqui na capital paulista e acabei cancelando depois de um mês e pouco. A Ponte acabou me comprando", recordou.
O meia resolveu ficar no Moisés Lucarelli ao invés de ir para a equipe tricolor, que venceria o tricampeonato brasileiro meses depois. "O Elias saiu naquela época para o Corinthians e era para eu vindo também ao São Paulo, mas acabei ficando. Algum tempo depois fui para a Arábia Saudita", afirmou.
Desde então, o meia também viu várias vezes seu nome ser especulado no Palmeiras e até mesmo do Corinthians. A última delas, quando fazia um ótimo começo de Brasileiro pela Ponte Preta, em 2015.
"Era para eu ter vindo para o Corinthians, mas não deu certo. Fica um sentimento de que poderia ter acontecido. Mas na vida é assim mesmo", resignou-se.
Ele só não saiu de Campinas o clube de Parque São Jorge, que venceu o Nacional naquele ano, não quis pagar a multa rescisória de R$ 3 milhões.
Natural de Cajazeiras (PB), Renato começou no futebol em 1998, no Vitória, mas ele acabou voltando para casa por causa da saudade da família. Cerca de dois anos depois, ele foi para o Mogi Mirim e permaneceu por cinco temporadas.
Em 2007, ficou desempregado por alguns meses antes de ir para a Ferroviária e jogar a Série A3 do Paulista a convite de Pio, ex-atacante do Palmeiras. Depois, passou pelo Juventude antes de chegar à Ponte Preta.
Ainda defendeu Al Ittihad, Grêmio, Botafogo,Guangzhou Evergrande, Kashima Antlers, Vitória, Bursaspor, Al Sharjah e Bahia. Neste período, teve mais três passagens pelo Moisés Lucarelli, sendo a última delas no Brasileiro de 2017, quando a equipe foi rebaixada para a Série B.
Após sair da Ponte, Renato ficou sem clube até o fim maio de maio, quando acertou com o Goiás para jogar a Série B do Brasileiro.
"Foi um ano para voltar. No primeiro semestre fiquei quatro meses sem jogar o Estadual porque estava fazendo tratamentos. Não aceitei algumas proposta que vieram e preferi esperar um clube que pudesse jogar bem em uma Série B ou Série A. E o Goiás veio e me abriu as portas", contou.
Ele ajudou a equipe esmeraldina a conseguir o acesso para a Série A do Brasileiro de 2019, marcando dois gols em 27 jogos disputados.
"Conseguimos uma sequência boa com o professor Ney Franco. Tivemos um acesso depois de tanta pressão. Um time grande como o Goiás ficar tanto tempo na Série B era muito ruim".
"Fiz algumas partidas muito boas mesmo jogando fora de posição pude ajudar a equipe. Eu sou meia, mas atuei várias vezes como segundo volante. Mas foi bom, o importante é poder se entrosar e ajudar. O time pegou uma sequência de quase nove jogos sem perder. Só final que eu não que não consegui jogar tantas vezes", relatou.
Sem clube após o fim do vínculo com o Goiás, Renato mantém a forma para estar preparado para uma nova chance.
"Fiquei muito feliz e o ano está terminado e estou em casa treinando nas férias. Estou sem clube ainda, estou esperando chegar propostas. Se chegar ficarei feliz porque quero fazer um ano de 2019 bem melhor", relatou.
Aos 34 anos, o meia faz planos para quando resolver pendurar as chuteiras.
"Pretendo jogar mais dois ou três anos ainda. Não quero mais do que isso, quero curtir mais minha família e meus filhos. Estou projetando fazer uma fundação para ajudar crianças carentes no Nordeste. Também penso em empresariar jogadores. Acabei de fazer um curso na CBF na academia de futebol e foi muito bom. Agora sou coordenador da base e fiquei muito feliz", finalizou.
