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Pablo, reforço do São Paulo, foi pupilo de Cristiano Ronaldo no Real Madrid: 'É um cara espetacular'

O São Paulo contratou o atacante Pablo, 26, do Athletico Paranaense, por 6 milhões de euros (cerca de R$ 26,5 milhões) por 70% do jogador parcelados em até dois anos. Ainda pode pagar mais um 1 milhão de euros (cerca de R$ 4,42 milhões) por metas.

Para vencer no clube do Morumbi, o jogador precisará colocar em prática os ensinamentos que recebeu na passagem pelo Real Madrid durante o primeiro semestre de 2014.

Pablo ainda tinha 21 anos quando foi para lá. Tinha acabado de ajudar o Figueirense a conquistar o acesso à primeira dividão na Série B de 2013.

A oportunidade de ir para o clube espanhol apareceu quando ele estava começando a aproveitar as férias. Ainda que o convite tenha sido para integrar a equipe B, ele encarou aquilo como algo irrecusável.

"Não tinha como pensar em não ir", afirmou o brasileiro ao ESPN.com.br, em 2016. "Foi um olheiro deles que me procurou para levar ao time B. Não tive nem opção de recusar porque é um sonho trabalhar em um clube pelo qual passaram Ronaldo, Roberto Carlos, Beckham e Zidane. Queria conhecer e trabalhar lá. E foi legal. Foram seis meses de experiência e convívio com Marcelo, Cristiano Ronaldo, Bale, Pepe, Sergio Ramos, Casemiro e o Willian José, que estava junto comigo no time B."

Os contatos com os jogadores da equipe principal do Real Madrid não eram raros. Pablo e outras peças do time B chegaram a participar dos treinos ao lado de Cristiano Ronaldo e companhia. E não demorou muito para ele perceber o quanto o craque português se preocupa em ajudar seus colegas de profissão.

"Logo na primeira atividade que fiz com o grupo principal, a gente estava treinando finalizações. Eu fui e chutei de um jeito. Quando voltei para a fila, o Cristiano chegou perto de mim e me falou para mudar o estilo do pé. Disse que era para bater de chapa porque seria mais seguro e mais fácil de a bola entrar daquela maneira. Nestas horas você capta a mensagem de que o cara quer te ajudar, e isso me marcou muito. Contei para os meus amigos e meu pai. Em um trabalho de finalização em cruzamentos, ele falou algo, eu ouvi e até já fiz gol assim", conta Pablo.

Aquele não foi o único contato com Cristiano. Certa vez, os dois conversaram sobre algo que tiveram em comum ao longo de suas respectivas carreira no futebol: o fato de terem sido companheiros de Kleberson, volante campeão do mundo pela seleção brasileira em 2002. Pablo atuou ao lado dele no próprio Atlético-PR em 2011, antes de iniciar suas experiências por empréstimo em outros lugares. O português, no Manchester United.

Até que teve um dia em que ele pediu uma foto. "Ele aceitou sem problemas", lembra o brasileiro. "É uma situação inusitada porque ninguém de dentro do grupo pede isso e eu fui cara de pau. Disse que meus amigos no Brasil estavam pedindo e eu precisava mandar. Ele é um cara espetacular, está sempre disposto a ajudar e a ensinar o melhor caminho".

Pablo não foi o único a estabelecer uma boa relação com o português. Muito pelo contrário. "Todo mundo lá o adora. Ele cumprimenta todos, é fantástico. Está no lugar que está porque é humilde e trabalha demais, além da qualidade dele. Essa liderança e o carinho que os outros têm por ele ficaram mais do que provadas na Eurocopa agora", diz.

As lições que aprendeu com Cristiano foram além da liderança e da melhor maneira de finalizar em uma determinada situação. "Ele ajudou a mostrar que eu preciso ser um atleta, não apenas um jogador de futebol. A minha experiência lá foi para captar isso e trazer para a minha carreira e para a minha vida", reconhece Pablo.

Isso inclui até mesmo a alimentação. "O Cristiano come certo todos os dias e dificilmente sai da rotina. Isso é algo que ocorre com todos do time. Tem um menino que jogava comigo no time B que era o Jesé Rodríguez. Eu o via nas refeições no nosso time B e ele comia plenamente. Eu comia muito doce, percebi que precisava abdicar um pouco. Lá tinha mais iogurte natural, pouco doce. Hoje o atleta está mudando e tende cada vez mais a ser uma atleta e mais centrado, mais consciente porque precisa do corpo para aguentar jogar todos os dias", aponta Pablo.

Ídolo no Japão

Além destes seis meses no Real Madrid e da passagem pelo Figueirense, o atacante ainda defendeu em 2015 o Cerezo Ozaka, do Japão. Lá, ele ficou bastante próximo do brasileiro naturalizado alemão Cacau e do uruguaio Diego Forlán. As atuações pela equipe foram tão boas que o levaram a ser admirado pelos torcedores ao ponto de receber presentes costantemente.

"Teve até uma situação engraçada em um dia em que estava voltando de férias para o Brasil. Minhas malas estavam fechadas e já muito cheias de coisas. Aí no aeroporto apareceu gente com mais presentes para me dar. Eu não tinha como carregar comigo. Deixei com meu tradutor e ele me mandou por correio. Chegaram depois mais duas caixas grandes só com presentes deste último dia no aeroporto", conta Pablo.

Os presentes eram, em geral, objetos que faziam referência à cultura japonesa. "Algumas coisas eu nem sabia direito o que eram", admite o brasileiro. "Tem um bowl de chá que uso até hoje em casa. Ganhei também a Carpa Koi, que é o símbolo da sorte deles, e o Manekineko, que é o gatinho com a mão levantada. Isso é algo natural deles. É um povo que está muito à frente em questões de cultura, respeito, educação e segurança. É um país fantástico."

Depois de voltar ao Atlético-PR, ele virou um grande destaque na conquista da Sul-Americana de 2018.

O desafio agora é o de despertar a admiração também da torcida do São Paulo, clube que o contratou e que agora espera que todo o aprendizado do jogador nos últimos anos se traduza em uma boa produção dentro de campo.