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Novo lateral do São Paulo nasceu na terra onde Ceni começou e jogou com filho de Pelé no Santos

O lateral direito Igor Vinícius, 21, já até fez exames médicos e tem a sua contratação bem encaminhada pelo São Paulo. Mas a maioria dos torcedores tricolores conhecem muito pouco sobre o jogador que defendeu a Ponte Preta nesta temporada.

Natural de Sinop-MT, terra onde cresceu Rogério Ceni, ele tem duas curiosidades em sua vida. Nasceu em 1º de abril, o dia da mentira no Brasil, mesma data em que, aos 12 anos, foi aprovado para ficar ingressar na base do Santos.

O primeiro contato do garoto com o futebol foi na rua da casa onde morava e também no colégio onde estudava. O futebol lhe interessava mais do que os estudos e ele conseguiu ingressar em uma escolinha franquiada pelo Santos em Sinop.

Agradou muito rápido em seu primeiro teste, em 2009, quando tinha 11 anos. Foi chamado para ir para a Vila Belmiro para um novo teste, mas não tinha a verba necessária para fazer a viagem. Ele foi criado apenas pela mãe, com os irmãos. Não conheceu o pai.

Apesar da frustração, ele não desistiu. Permaneceu jogando e no ano seguinte foi novamente convocado pelo Santos para uma nova semana de avaliação na cidade paulista. Dessa vez ele conseguiu pagar a passagem e viajou. Foi aprovado.

"Depois de ficar em observação a semana inteira, recebi a aprovação do Santos no dia 1º de abril, meu aniversário, dia da mentira. Chega até ser engraçado. Mas fiquei muito feliz. Foi o melhor presente que já ganhei”, disse o jogador em uma apresentação do Santos.

Igor Vinícius passou sete anos na base do Santos. Chegou a jogar como volante antes de virar lateral direito, posição em que se fixou. Durante esse período ele teve como companheiro e amigo Joshua Arantes do Nascimento, filho do Rei Pelé.

"Eu lembro que ele treinou muito tempo comigo porque a gente não estava sendo muito escalado pra jogos. A gente estava treinando com os reservas e sempre treinou muito bem, trabalhou muito pra chegar onde chegou e com méritos", disse Joshua para a reportagem.

"Lembro que no sub-17 também os técnicos André e Aarão gostavam muito dele. Sempre elogiavam o estilo dele de jogar. Nessa época ele era volante. Todas as oportunidades que ele recebia ele jogava muito bem", continuou.

"Igor é um cara muito gente boa, lembro que ele gostava muito de ler! A gente já chegou a falar até de livros para compartilhar. Não lembro exatamente o que ele gostava de ler. A gente trabalhava pelo mesmo objetivo. Fico feliz que ele conseguiu", disse Joshua.

SAÍDA DO SANTOS

Apesar de sete anos na base, além do período na escola Meninos da Vila e um Estadual sub-17 conquistado, Igor Vinícius mas não teve oportunidades na equipe profissional. Na época, o técnico era Dorival Júnior.

Ficou na equipe santista até o final do contrato no ano passado.

Iniciou a atual temporada pelo Ituano e surpreendeu. Foi titular em quase todos os jogos da campanha na primeira fase (não jogou apenas uma partida). Chegou até a enfrentar o São Paulo, duelo vencido pelo time de Itu por 2 a 1. No jogo, ele cometeu o pênalti em Tréllez, nos instantes finais do jogo, que deu a chance de o time tricolor empatar, mas Cueva perdeu a penalidade.

Após o Paulista, ele foi emprestado para a Ponte Preta para jogar a Série B do Campeonato Brasileiro. Fez 30 jogos e deu seis assistências na competição. Passado o torneio, ele voltaria para o Ituano, que aceitou emprestá-lo ao São Paulo.

"No Paulista deste ano, jogamos contra o Ituano e a partida estava 1 a 0 e ele acabou fazendo um golaço. Ele jogou muito bem. Reforcei ainda mais o monitoramento em cima dele para que pudesse levá-lo para a Ponte. Ele teve um ano fantástico na Série B, tanto é que chamou a atenção de grandes clubes, principalmente do São Paulo. É um atleta leve, tem facilidade de lidar com a bola. Muito habilidoso, chega fácil ao fundo. Tem um excelente cruzamento. Dando tempo para ele ter esse aprimoramento no São Paulo, acredito que será importante para o clube. Precisa melhorar a parte defensiva na marcação. E ele será útil", disse João Brigatti, hoje técnico do Paysandu.

"Ele trabalhou comigo na Ponte. É um jovem com potencial muito grande. Tem uma fase ofensiva muito qualificada. Chega muito rápido no campo adversário. Tem o último terço do campo muito bom. Também tem uma intensidade muito grande de treinamento. Dia a dia dele é muito bom. É competitivo, se entrega muito e se prepara bem para os jogos. Tem uma certa dificuldade em relação a fase defensiva, acredito eu pela idade. Muito ansioso, às vezes precipita a saída, quebra a última linha. Ele tende a se equilibrar com o trabalho", disse Marcelo Chamusca, técnico que também trabalhou com Igor Vinícius na equipe campineira.