A América do Sul passa vergonha. Isso porque a confusão na final da Copa Libertadores, quando torcedores do River Plate quebraram a janela do ônibus da delegação do Boca Juniors, deixando alguns jogadores feridos neste sábado, horas antes ao horário que deveria acontecer a partida, repercutiu nos grandes jornais do mundo todo.
Na Argentina, o sentimento é de decepção. "Assim somos. Bárbaro que a gente venda o superclássico para o mundo, genial que tenha havido paz entre os presidentes na véspera, mas isso não basta. Se tanto nos importa a imagem para o mundo, é lindo o que se transmitiu neste sábado. E as culpas estão em casa. E pensar que até se pensou em jogar com visitantes", disse um colunista do Olé. "Isso é cultura. Não se maquia com declarações bonitas e carinhas felizes. É educação. São anos de uma forma de ser, uma maneira de fazer o esporte", lamentou.
No Clarín, a impressão é a mesma. Além de chamar os atos de vandalismo de "papelão mundial", a publicação vê a situação como uma grande derrota para o país: "Tremenda derrota de todos nós. A superfinal é uma final de uma sociedade sem cultura e enferma, com sistemas de convivência com ferimentos e controle ineficiente de protocolos de segurança. Impossível ignorar aquele desejo presidencial de jogar as duas partidas com torcedores visitantes e o impulso que deu o ministro de segurança essa ideia".
Na Europa, o Mundo Deportivo, de Barcelona, criticou bastante principalmente a parte médica da Conmebol, que liberou que o jogo acontecesse mesmo após a lesão no olho de Pablo Pérez: "Vergonhoso". O AS, de Madri, cedeu seu principal espaço no site para a final da Libertadores, deixando o noticiário de Atlético de Madrid e Real Madrid em segundo plano.
Na Itália, a Gazzetta Dello Sport foi outro jornal a repercutir o jogo que não aconteceu: "Do incidente no ônibus do Boca até a batalha campal nos contornos do estádio, a crônica de uma tarde para esquecer para o futebol sul-americano".
