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Piscina azul e amarela e 'clima' de Bombonera: conheça o hotel temático do Boca Juniors

O caminho pelos corredores é como se você estivesse no vestiário e que uma das portas irá dar direto ao campo. No térreo, uma biografia, camisas assinadas e outros objetos em uma vitrine. No andar abaixo, uma réplica da taça da Copa Libertadores e quadros em exposição permanente ganham a companhia de uma escultura que imita os papéis utilizados por torcedores no estádio.

A descrição acima poderia ser algo dentro da normalidade para um museu, mas este não é o caso. Trata-se de um hotel, o Hotel Boca.

O local, que funciona desde 2012 em Buenos Aires, é todo tematizado pelo time xeneize e pertence ao Grupo Solanas, que tem outros hotéis na Argentina e também em Bombinhas (Santa Catarina) e Puenta del Este, no Uruguai.

“O hotel originariamente é temático de futebol, mas com o tempo, hoje se faz seis anos que está aberto e funcionando, se converteu em um hotel mais de turismo da Argentina, com a particularidade que tem esse atrativo especial que é o futebol. Há muitos torcedores brasileiros, muitos hóspedes brasileiros que vêm ao hotel com a camisa do Botafogo, do Atlético-MG, do Flamengo... não quero me esquecer de algum clube para não ficar mal... do Grêmio, do Palmeiras...”, conta Raúl Catania, gerente de recursos humanos e relações institucionais do Grupo Solanas, em entrevista ao ESPN.com.br.

O local já recebeu Independiente Santa Fe, Millonarios, Deportivo Cali, a seleção de basquete de Lituânia e Austrália, como conta Catania, que trabalha há 20 anos na rede e está no Hotel Boca desde o início. “A partir de amanhã, chega a seleção argentina de basquete, que vai se concentrar no hotel”.

No estabelecimento, quase todo ambiente leva a cor azul e amarela, até mesmo a piscina. As portas dos quartos são retratos de grandes ícones da história do Boca. Quem quiser, pode encomendar um desenho e colocar na porta de sua própria casa. Nas mesas de refeições, há ainda a possibilidade der vídeos gravados da torcida na Bombonera em cinco monitores paralelos.

“Se pensei que o futebol era uma paixão, nunca pensei que era tão grande. E dentro do hotel não se vê esse tipo de paixões, a favor e contra. Já aconteceu de alguns torcedores do River que por alguma questão tinham que trabalhar aqui dentro e que estavam de alguma maneira incomodados. E já aconteceu no hotel de torcedores do Boca que sentem que o hotel é a segunda Bombonera, um segundo campo, então o hotel acaba sendo o lugar de refúgio de torcedores do Boca do interior ou do exterior”, afirma Catania, antes de recordar um caso específico.

“Tenho a história de um hóspede que veio da Bolívia de ônibus, contando as moedas. Durante um ano juntou dinheiro para poder vir para poder passar uma noite com sua mãe, porque era torcedor do Boca.”

A relação ainda vai além do espaço físico em si. Quem é sócio e vive no interior da Argentina, tem promoções especiais. Além disso, há pacotes para jogos em casa com o ingresso para ir à Bombonera, hospedagem, visita guiada e transporte. Jogos especiais, como a final da Libertadores deste sábado contra o River Plate, contam com eventos no hotel, que atrai também quem não é hóspede.

“Os êxitos esportivos do Boca, o êxito que pode ter tanto em torneios locais ou internacional fazem com que o fluxo de gente na época da partida no hotel seja maior”, declara Catania.

Mas não são só de torcedores ou curiosos que o time dos hóspedes é composto. O estabelecimento serve de primeira casa para muitos jogadores contratados que chegam de lugares longe de Buenos Aires.

“Quando o Boca adquire um jogador do interior ou de fora do país, o primeiro que o clube faz é hospedá-lo aqui, até que localizem uma residência, uma casa, aluguem algo ou consigam um local. O primeiro momento de alojamento é no hotel. (Isso com) a maioria dos jogadores que vêm do interior e do exterior. O último que esteve foi o Lampe, o goleiro boliviano que o Boca contratou para a Libertadores (no começo de outubro)”, conta o gerente, que ainda citou os casos de Sebastian Villa e Wilmar Barrios, do elenco atual, além do uruguaio Nicolás Lodeiro.

Com 85 quartos distribuídos em quatro categorias diferentes e em 17 andares, a diária do Hotel Boca custa, em média, de US$ 90 a US$ 150 (R$ 344 e R$ 573,33 na cotação atual). Naturalmente, o preço muda de acordo com a temporada e, naturalmente, com o desempenho do Boca.