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Carrasco do Palmeiras, Benedetto chegou a desistir do futebol após morte da mãe para ser pedreiro e até músico de cumbia

Grande nome do Boca Juniors na semifinal da Libertadores contra o Palmeiras, Dario Benedetto escreveu seu nome na história dos grandes carrascos da equipe alviverde. Ele balançou as redes duas vezes na vitória xeneize por 2 a 0 na Bombonera e fez outro gol no empate por 2 a 2, no Allianz Parque.

Quando jogava nas categorias de base do Independiente, aos 12 anos, ele perdeu sua mãe, Alicia, que estava nas arquibancadas vendo um jogo do filho. Grande incentivadora da carreira do filho, ela também jogou futebol na juventude e faleceu após sofrer uma parada cardíaca quando se dirigia ao hospital.

A perda da mãe marcou profundamente a vida o atacante, que desistiu da bola e foi ajudar seu pai como pedreiro. Ele ainda tocou em uma banda de cumbia (ritmo musical muito popular na Argentina) chamada "El Pato" ao lado do irmão antes de retomar a carreira. Por incentivo de seu avô e seu tio foi para o Arsenal de Sarandí-ARG, aos 16 anos.

No clube argentino, ficou amigo de outro jovem promissor, o zagueiro Victor Cuesta, hoje no Internacional. A estreia de Benedetto como profissional aconteceu ironicamente contra o Boca Juniors, seu time de infância, em uma derrota por 1 a 0, com gol de falta de Riquelme.

Sem muito espaço no time de Sarandí, ele foi emprestado para times de divisões de acesso. Primeiramente, foi para o Defensa y Justicia-ARG, no qual fez apenas oito partidas e marcou um gol, e depois jogou pelo Gimnasia de Jujuy-ARG, pelo qual balançou as rede por 11 vezes em 19 jogos.

Benedetto voltou para o Arsenal de Sarandí e faturou a Supercopa Argentina e Copa da Argentina, antes de se transferir para o Tijuana-MEX. Após duas temporadas (50 jogos e 23 gols), ele chegou ao poderoso América-MEX, no qual faturou a Liga dos Campeões da Concacaf e disputou o Mundial de Clubes.

Na equipe da capital mexicana, balançou as redes por 26 vezes em 41 jogos. Apesar de ter negociado uma transferência ao São Paulo, ele decidiu voltar à Argentina para jogar pelo seu clube do coração, o Boca Juniors, em 2016. Grande fã do ex-atacante Martín Palermo (maior artilheiro da história xeneize), o centroavante tem uma tatuagem na barriga com o símbolo da equipe argentina e a frase "Isto é Boca".

Benedetto ajudou o time de Buenos Aires a sagrar-se campeão do Argentino e foi o artilheiro da competição, com 21 gols marcados. O atacante foi convocado para as últimas rodadas das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2018 - foi titular contra o Peru - e vivia o melhor da carreira.

No dia 19 de novembro, porém, sofreu uma grave lesão ao romper os ligamentos do joelho direito e ficou de fora do Mundial. O centroavante só voltaria aos gramados mais de sete meses depois e quebraria o jejum de gols no momento mais importante da temporada: na semifinal da Libertadores.

Após começar como reserva, ele entrou aos 35 minutos do segundo tempo na Bombonera e marcou dois gols no Palmeiras. No Allianz Parque, mostrou que tem estrela e balançou as redes outra vez.

O atacante de 28 anos tornou-se o segundo jogador na história do Boca a fazer três gols em uma semifinal, igualando o feito de Carlitos Tévez, em 2003, contra o América de Cali-COL. Daquela vez, o time argentino saiu-se campeão.

Em todas as comemorações, Benedetto manda beijos para os céus, em homenagem a sua mãe. Ele espera repetir o feito na decisão da Libertadores, que ninguém menos que o arquirrival River Plate, que, na última terça-feira, eliminou o Grêmio ao vencer por 2 a 1, em Porto Alegre.