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Em má fase no São Paulo e ameaçado pela reserva, Nenê não costuma lidar bem com o banco

Camisa 10 e destaque do São Paulo no primeiro turno pela "chapada", Nenê não vive um bom momento nos últimos jogos da equipe e deve começar o duelo contra o Atlético-PR, neste sábado, às 19h, no Morumbi, no banco de reservas.

Apesar de não ter tido nenhuma afirmação do técnico Diego Aguirre neste sentido, a reportagem apurou que os trabalhos da última semana foram feitos em cima de mudanças na equipe para fazer o time reagir no Campeonato Brasileiro.

O treinador mesmo teve uma reunião com a cúpula diretiva do futebol e também o presidente do clube, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, para fazer uma análise sobre o momento.

Já são cinco jogos que o São Paulo não vence, tendo empatado dois e perdido três. A fase ruim fez a equipe deixar a liderança da competição e cair para a quarta colocação, a sete pontos do Palmeiras, o líder.

Perdeu ainda dois duelos diretos pela briga no topo: Palmeiras (2 a 0) e Internacional (3 a 1).

Ou seja, a nove rodadas do fim, buscar o título tornou-se uma missão quase impossível para o São Paulo.

Nenê esteve em campo nas últimas cinco partidas e o desempenho dele, de uma forma geral, foi bem questionado. Não fez nenhum gol, deu apenas uma assistência e criou sete chances de gol. Em seu melhor momento, no primeiro turno, fez sete tentos, deu duas assistências e criou 36 chances de gol, segundo o TruMedia, a ferramenta de estatísticas da ESPN.

Dos últimos cinco jogos, Nenê também só atuou os 90 minutos duas vezes (contra Santos e América-MG). Nos outros três (Botafogo, Palmeiras e Internacional) foi substituído durante o segundo tempo, sendo que diante do Palmeiras (derrota por 2 a 0, no Morumbi) saiu logo após o intervalo e não fez questão de esconder seu descontentamento.

Em outra ocasião, ainda no primeiro turno da competição, também mostrou desaprovação ao ser substituído contra o Cruzeiro. O protesto captado pelas câmeras de transmissão da partida acabou repercutindo e fez com que a diretoria de futebol (leia-se Raí, Ricardo Rocha e Diego Lugano) tivesse uma conversa com o camisa 10, segundo informou o Blog do Perrone. No bate-papo, o meia ouviu, entre outras coisas, que é um dos líderes do elenco e deve contribuir para a harmonia interna.

A má fase de Nenê também foi sentida pelos torcedores, inclusive uma parcela cobra para que ele vá para o banco.

Aos 37 anos e com passagem profissional por 13 clubes diferentes, Nenê não tem um histórico recente positivo quando o assunto é ficar no banco de reservas. Isso ocorreu no ano passado quando defendia o Vasco e Milton Mendes assumiu o cargo de técnico. O meia barrado de alguns jogos e entrou apenas no segundo tempo de outros.

Logo criou-se um desgaste, que foi contornado até janeiro deste ano, quando ele veio para o São Paulo.

Durante a passagem pelo West Ham, da Inglaterra, antes ainda de chegar ao Vasco, Nenê também teve problemas ao virar reserva. Não conseguiu reverter o status. Acabou não tendo continuidade e saiu em agosto de 2015.

“Cheguei ao West Ham bastante motivado e, em pouco tempo, estava totalmente adaptado, treinando e jogando em alto nível, mas acabei tendo poucas oportunidades", disse Nenê, na época.

“O torcedor do West Ham sempre me tratou com muito carinho. Muitos, quando me encontravam nas ruas, não entendiam porque eu era pouco aproveitado, reconhecendo que eu poderia ter ajudado o time a fazer uma campanha melhor".

Na última temporada pelo Paris Saint-Germain, na França, o meia também mostrou frustração por ter perdido espaço no time, ficando na reserva. Desgastado, acabou saindo para o Al-Gharafa, do Qatar.

Agora, a questão é como Nenê pode lidar com uma possível reserva neste sábado.

E QUEM JOGA?

Mais difícil ainda é o dilema de Diego Aguirre. Se sacar Nenê, quem o técnico pode escalar como titular?

Uma opção lógica seria escalar Everton Felipe, que veio do Sport em julho e fez somente cinco jogos até agora. Outra alternativa seria colocar o uruguaio Gonzalo Carneiro, que já substituiu Nenê durante o segundo tempo contra o Inter.

O São Paulo já terá outras mudanças contra o Atlético-PR. Sem Bruno Peres e Anderson Martins suspensos por cartão, Araruna e Arboleda vão jogar na lateral direita e na zaga, respectivamente.

Jucilei também pode perder a vaga de titular e o garoto Luan é candidato ao posto.

Por fim, sem Éverton, que ainda trata um estiramento muscular na coxa esquerda, Tréllez pode receber uma oportunidade.

Carneiro e Tréllez jogaram os minutos finais do duelo contra o Interncional e foi o melhor momento do time naquela partida, que terminou com derrota por 3 a 1, no Beira-Rio, em Porto Alegre, e ampliou a crise tricolor.