11 de maio de 2017! Este dia marca o começo do fim da história de Cristiano Ronaldo no Real Madrid e também, ainda que de maneira indireta, a saída de Zinedine Zidane do clube. É o que assegura longa reportagem do diário El Mundo, da Espanha, publicada neste domingo.
Naquela data, o português convocou uma reunião com seus assessores mais próximos na casa de seu agente, Jorge Mendes. Ele queria saber quem era o responsável pelo problema envolvendo seu nome com o fisco espanhol, que o acusava do desvio de milhões de euros em impostos.
O advogado Carlos Osorio assumiu a culpa, dizendo para o jogador se tranquilizar pois resolveria tudo.
“Não tenho estudo. A única coisa que faço na vida é jogar futebol, mas não sou tonto e não confio em ninguém. Por isso, quando contrato um assessor, sempre pago 30% a mais do que pede, porque não quero problemas”, teria dito o atleta, que, segundo o jornal, pagava 25 mil euros (R$ 117 mil) por mês ao seu motorista - o valor altíssimo era para garantir a segurança de informações.
Cristiano imaginava que os impostos eram pagos pelo clube, como acontecia com seus patrocinadores. Logo, ele via em Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, uma saída para o problema.
Na cabeça do craque, aconteceria com ele o mesmo que aconteceu com Messi, Mascherano e outros jogadores do Barcelona que tiveram problemas parecidos. Para ele, assim que o valor fosse pago, o Real compensaria sua perda com um novo contrato, repondo o prejuízo. Mas isso não aconteceu, e isso foi visto pelo português como traição por parte do presidente do clube merengue.
Cristiano Ronaldo se sentiu desvalorizado pelos contratos assinados por Messi, no time azul-grená, e Neymar, no Paris Saint-Germain, todos ganhando mais do que ele. Para o português, não era uma questão de dinheiro ou apenas ciúmes, mas de respeito e status. Além disso, havia o fantasma de Di Stéfano rondando a cabeça do jogador.
“Sempre me colocam atrás de Di Stéfano. Já não sei mais o que tenho que fazer”, dizia sempre o jogador, segundo o diário espanhol, aos colegas mais próximos.
As reclamações de Cristiano Ronaldo também incomodaram Zidane. “Resolvam com Cristiano como for, porque ele não fala de outra coisa no vestiário. É insuportável!”, teria dito o treinador francês a membros da diretoria.
A tensão criada no relacionamento entre o principal jogador do time e a diretoria teria sido uma das razões para o francês deixar o Santiago Bernabéu.
