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Palmeiras x Valdivia: as maiores polêmicas do camisa 10, hoje no Colo Colo, com a camisa alviverde

A polêmica foi companheira de Valdivia no Palmeiras desde o dia em que ele pisou no clube, vindo justamente do Colo Colo, do Chile, adversário desta quinta-feira, às 21h45 (de Brasília), pelas quartas de final da Libertadores.

Sua vinda, aliás, já se deu pelas mãos de dois personagens que viriam a se tornar desafetos.

O chileno chegou ao clube em 2006. Nem todos se lembram, mas, ironicamente, quem o trouxe pela primeira vez foi ninguém menos que o técnico Tite, sob comando do diretor de futebol Salvador Hugo Palaia - um pouco antes de o dirigente, publicamente, mandar o treinador calar a boca.

As lesões também acompanham o "Mago" desde o seu início. Logo após a estreia, em 2006, ainda ganhando chances ao longo dos jogos, o chileno perdeu algumas partidas por conta de lesões musculares. Em 2007, já com o saudoso Caio Júnior no comando, o meia ganhou titularidade e voz.

Mas, começou, também, a bater boca com imprensa e torcedores e a revidar agressões que sofria em campo e fora dele, criando o perfil que o acompanha até hoje.

Sendo mais visado, passou a ser mais fiscalizado e cobrado. Suas idas à vida noturna paulistana se notabilizaram, em um ciclo de polêmicas e contusões que se retroalimentava diariamente.

Abaixo, a ESPN lista as 10 maiores polêmicas do jogador no Palmeiras ao longo de suas duas passagens, em ordem cronológica.

Confira:

2007 - A suspensão que custou uma vaga na Libertadores

Em seu primeiro ano como titular, Valdivia formava com Caio o meio-campo criativo do técnico Caio Júnior. Valente, o Palmeiras ganhava força a cada rodada, rumo a uma surpreendente vaga na próxima Libertadores.

Mas, se crescia em importância, o chileno também ia crescendo em polêmica. Na 33ª rodada do Brasileiro, o camisa 10 foi expulso após agredir dois jogadores do Vasco durante o empate por 1 a 1, em São Januário.

Julgado, o chileno pegou um gancho pesado: ficou de fora das quatro últimas rodadas do torneio. Sem um dos seus principais jogadores, o time alviverde perdeu a vaga para a Copa Libertadores de 2008 para o Atlético-MG na última rodada, ao ser derrotado em casa.

2010 - 4 jogos, 104 minutos em campo

Entre outubro e novembro de 2010, Valdivia, em quatro oportunidades, deixou jogos do Palmeiras sem conseguir completar nem um tempo regulamentar no gramado.

Em 15 de outubro, o Palmeiras enfrentou o Universitario de Sucre, da Bolívia. Na ocasião, o meia sentiu uma fisgada e foi substituído aos 36 minutos da primeira etapa.

Em 24 de outubro de 2010, Tite estreava no Corinthians contra um Palmeiras sem ambição no Brasileiro. Valdivia não ia jogar. Mas entrou no segundo tempo, no lugar de Lincoln. Em campo, fez quase nada para impedir a derrota por 1 a 0. E saiu aos 34 do segundo tempo, com dores na coxa.

Três dias depois, na primeira partida das quartas de finais da Copa Sul-Americana, contra o Atlético-MG, o chileno começou como titular, mas deixou o jogo com 18 minutos de bola rolando.

Por fim, em 10 de novembro, no jogo de volta contra o Galo, o chileno jogou por 16 minutos e pediu substituição, adivinhem, por conta de dores na coxa. Ao menos, para os palmeirenses, o time se classificou.

2010 - Pescarmona e o termo de responsabilidade

A temporada 2010 chegou ao fim após um semestre longe do que era esperado pelos palmeirenses para Valdivia.

A fim de assegurar que Valdivia voltaria para o ano seguinte inteiro, o então diretor de futebol alviverde, Wlademir Pescarmona, elaborou um termo de responsabilidade, pelo qual ele teria de se comprometer a uma série de atitudes nas férias.

A manobra revoltou o jogador. O clube alegou que a cartilha era para todos, o que Valdivia rechaçou.

"Quem falou isso é mentiroso, mau caráter. O Marcos saiu machucado e não assinou esse documento. O Pierre e o Lincoln também não assinaram nada. Por que só comigo? Além disso, no documento estava escrito que se eu não seguisse as orientações, então seria multado em 40% do meu salário. Como vou assinar uma coisa dessas?", disse ele, que, de fato, não assinou o documento e voltou para 2011 - Pescarmona já não era o diretor.

2011 - O vazio do chute no "vácuo"

Na semifinal do Paulista de 2011, entre Palmeiras e Corinthians, Valdivia foi traído pela jogada que virou sua marca registrada. O chileno sentiu uma lesão na coxa esquerda depois de dar o “chute no vácuo”, aos 20 minutos do primeiro tempo, durante um ataque promissor do Palmeiras.

O chileno acabou substituído da partida e o Palmeiras foi derrotado pelo arquirrival nas penalidades. Além de ter ficado um tempo fora dos gramados, o ex-camisa 10 palmeirense ainda teve que aguentar as provocações do arquirrival.

Bruno César, jogador do Corinthians à época, ironizou o lance nos treinos. Ele imitou Valdivia e até fingiu que se machucara. Três anos depois, eles seriam companheiros. Bruno, sempre fora de forma, pouco jogou.

2011 - Valdinight e os cochilos na maca

Um caso acontecido em fevereiro só veio à tona em 2011, quando Léo Dias, colunista do jornal O Globo, revelou o incidente. Casado com a modelo Daniela Aranguiz, o jogador, foi fotografado em uma casa noturna paulistana beijando uma outra mulher.

Valdivia tentou comprar as fotos do fotógrafo, após perceber que tinha sido flagrado. Mas, segundo o profissional, o jogador, no dia do encontro para negociação, fez ameaças aos filhos e esposa dele, em vez de pagar a quantia combinada. A polícia foi envolvida na questão.

Em vários momentos daquela temporada, Valdivia foi acusado de abusar da noite paulistana, o que resultava em diversos cochilos nas macas de fisioterapia do centro de treinamentos do Palmeiras na parte da manhã.

Valdivia sempre negou que dormisse por sair à noite e dizia que todos dormiam durante os tratamentos fisioterápicos.

2012 - O sequestro-relâmpago e a semifinal

No dia 13 de junho de 2012, o Palmeiras começaria a decidir, com o Grêmio, uma vaga na final da Copa do Brasil. No dia 6 de junho, uma semana antes, o jogador foi abordado no estacionamento do Shopping West Plaza, no bairro Água Branca, Zona Oeste de São Paulo. Acompanhado da mulher Daniela, o jogador foi vítima de um sequestro-relâmpago.

O casal foi rendido por um homem armado e, depois de três horas rodando pelas ruas de São Paulo, foi deixado, com o carro, próximo a uma loja de peças automotivas na Avenida Marquês de São Vicente, via onde fica o centro de treinamentos palmeirense. O bandido fugiu de táxi e levou R$ 1.000.

O incidente aterrorizou a família Valdivia. Sua esposa partiu para o Chile com intuito de não mais voltar. O jogador concedeu entrevista coletiva praticamente se despedindo do clube. Mas acabou ficando e jogando a partida de volta, no dia 21 - quando fez o decisivo gol de empate alviverde (1 a 1).

2012 - Uma no cravo, outra na ferradura, na Copa do Brasil

Mesmo jogando pouco na conquista da Copa do Brasil de 2012, Valdivia roubou holofotes. No primeiro jogo da final contra o Coritiba, na Arena, Barueri, o chileno abriu o placar na vitória por 2 a 0, cobrando pênalti.

Ostentando um belo bigode, em alusão a Felipão, o 10 fez ainda o gesto de tapar os olhos, como o "Pirata" Barcos, fora do jogo por conta de uma operação de apendicite, realizada às pressas no mesmo dia.

No início do segundo tempo, porém, ele recebeu um segundo cartão amarelo, seguido de vermelho, após a equipe paulista fazer o segundo gol. Com um homem a menos, os donos da casa sofreram para segurar a vantagem no duelo.

O meia desfalcou o time de Felipão no jogo de volta da decisão, no Couto Pereira. Com um gol do atacante Betinho e Daniel Carvalho, muito acima do peso, na criação, o Verdão garantiu mais um troféu.

2012 - O soco de Assunção

Com o tempo de conviência, Valdivia e Marcos Assunção foram se tornando desafetos no Palmeiras e chegaram brigar no vestiário. A confusão aconteceu antes do empate fora de casa com o Flamengo, em novembro de 2012, que rebaixou o clube alviverde à Série B do Campeonato Brasileiro.

"A gente se falou no dia do soco e, depois, nunca mais. Eu nem quero falar com esse cara. Tenho muitos amigos no futebol. Saio de casa tranquilo, ciente de que tive uma carreira limpa, sem polêmicas. Diferentemente do Valdivia, que precisa de segurança para andar na rua. Um monte de gente quer pegá-lo", disse Assunção, em entrevista ao Diário de S. Paulo.

Valdivia incomodou-se com o fato de Assunção conceder entrevistas dizendo que estava jogando a reta final do Brasileiro no sacrifício. Ele, que estava até mesmo tomando infiltrações para atuar, à época, sentiu que aquela postura mostrava um envaidecimento de Assunção - além de minimizar os esforços dos demais. E reclamou disso com colegas.

A chiadeira do chileno chegou aos ouvidos de Assunção, que foi tirar satisfações com o grupo. Após bate-boca, os colegas de clube foram acertar as diferenças no braço, com prejuízo maior para o chileno.

"Alguns jogadores vieram me cumprimentar pelo que fiz. Diziam que ele estava merecendo fazia tempo", completou Assunção, que deixou o clube no fim do ano. Valdivia seguiu no Palmeiras.

2014 - 'Valdisney' e o conto das Arábias

Em julho de 2014, Valdivia viajou para os Emirados Árabes, acertou salários e chegou a posar para foto com camisa e cachecol do Al Fujairah, equipe que defenderia. Depois disso, foi passar férias nos Estados Unidos. E desapareceu. Nos dois clubes, ninguém sabia do seu paradeiro.

Procurado, o pai do jogador dizia não saber onde ele estava. Mostrava-se preocupado. Até que um dia, sua esposa Daniela começou a postar fotos das férias da família, nos EUA. O Mago estava fazendo o tour dos parques temáticos pela Flórida. Ganhou, assim, o apelido de "Valdisney".

Na volta ao Palmeiras, em agosto, ele se explicou. Ou tentou.

"O que foi passado era que poderia me apresentar no dia 5, na Alemanha, após 10 dias de férias. Assinei contrato na Alemanha e estava tudo certo. Peguei os dias de férias que o clube me deu e, quando voltei, fiquei sabendo que tudo tinha sido cancelado porque não tinha acertado os valores. O que é mentira, tenho documento que comprova o que eu assinei, com assinatura do sheik, carimbo do clube, etc.", disse, à época.

O chileno não foi para os Emirados e terminou o ano como capitão do Palmeiras que se salvou de se rebaixado na última rodada, no Allianz Parque, sob comando de Dorival Júnior.

2016 - Na 'goela' de Neto

Após o Palmeiras ser campeão Brasileiro em 2016, Valdivia, já ex-jogador do clube, foi às redes sociais para parabenizar a equipe alviverde e também provocar o apresentador Neto, da TV Bandeirantes, seu tradicional desafeto e notório torcedor do Corinthians.

O "Mago" postou uma foto no Instagram mostrando o dedo médio para o ídolo corintiano. Em seu Twitter, Neto publicou uma foto de Valdivia lesionado e uma legenda com direito a alfinetada: "Chinelo saiu e o sucesso voltou. Não é coincidência. Resultados só vêm com quem gosta de trabalhar", relatou.

Valdivia, por meio do Twitter, retrucou com várias ofensas. "Eu saí, sim (do Palmeiras), mas também outros. Agora você é 'bunda lisa'. Vai de novo me processar, cagão craque? Só se for de língua. Vai e me processa de novo, cagão", começou.

"Fala muito mas se caga todo para me processar. Cagão. Ganhou um Brasileiro e se acha o fodão. Vai cuspir em juiz. Você está na TV porque se faz de palhaço. Eu que nem brasileiro sou escrevo e falo melhor do que você, que tem que pedir ajuda pra escrever textos. Vai e me processa", insistiu, antes de finalizar.

"Agora liga pros teus assessores e pede ajuda pra escrever mais um texto. Não vou falar mais porque você vai querer me processar de novo", encerrou o chileno.

Adversário recorrente, Neto não foi o único oponente do chileno no Brasil, que também trocou farpas com os jornalistas da Globo Tiago Leifert e André Hernan, entre outros.