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Cruzeiro: Hoje 'professor', Mano Menezes já foi estagiário no clube

Nesta quarta-feira, o Cruzeiro do técnico Mano Menezes segue sua busca pelo título da Libertadores. Às 21h45 (de Brasília), a equipe celeste encara o temido Boca Juniors, em La Bombonera, pelo jogo de ida das quartas de final.

Para arrancar um bom resultado na Argentina, a "Raposa" conta com a expertise de seu treinador, que desde o início da carreira se destacou pelo bom desempenho nos torneios de mata-mata.

Afinal, foi Mano quem levou o modesto 15 de Campo Bom-RS à semifinal da Copa do Brasil de 2004. Também foi ele quem conquistou duas edições do torneio: em 2009, pelo Corinthians, e no ano passado, pelo próprio Cruzeiro.

Mas muito antes de ser considerado um "professor" no mata-mata, o gaúcho de Passo do Sobrado foi um reles estagiário. E quem lhe abriu as portas para realizar seu sonho de ser treinador profissional foi justamente seu atual clube.

Em 1997, após trabalhar por muitos anos como professor de educação física do SESI (Serviço Social da Indústria) no Rio Grande do Sul, Mano pediu a Luiz Carlos Sarolli, seu amigo de longa data, que lhe arrumasse um estágio.

Sarolli, que faleceu em 2016 no acidente aéreo da Chapecoense e ficou conhecido no Brasil inteiro como Caio Júnior, ligou para Paulo Autuori, então comandante da "Raposa", e fez o meio-campo.

"O Caio Jr, que Deus o tenha, foi meu jogador no Vitória de Guimarães, de Portugal. Lá, nós criamos uma amizade muito boa. Quando eu estava no Cruzeiro, ele me ligou um dia para falar de um amigo dele que estava procurando estágio. Fez muitos elogios, e eu disse que as portas estavam abertas para ele. Esse amigo era o Mano Menezes", recorda Autuori, em entrevista à ESPN.

O hoje comandante do Ludogorets Razgrad, da Bulgária, conta até que dava carona para Menezes em Belo Horizonte.

"Eu até passava de carro no hotel que ele estava ficando e o levava para a Toca I. Costumávamos sempre ir juntos. A partir dali também fizemos amizade e eu acompanhei toda a evolução da carreira dele", relata.

21 anos se passaram desde aquele estágio, no qual Mano pode estar perto do técnico e do elenco que conquistaram os títulos do Campeonato Mineiro e da Copa Libertadores.

Depois disso, o gaúcho retornou ao seu Estado natal e assumiu o comando profissional do Guarani de Venâncio Aires, dando início a uma vitoriosa carreira, que incluiria passagens por Grêmio, Corinthians, Flamengo e Cruzeiro, além da seleção brasileira.

Nestas duas décadas, o treinador ganhou títulos e experiência, mas perdeu os cabelos, como mostram as fotos da época.

"Ele cresceu muito como treinador, ganhou prestígio com os títulos e fiquei bastante feliz ao vê-lo ser bem sucedido. O Mano sempre foi muito interessado, já mostrava ideias bem interessantes nas conversas que tínhamos naquele tempo", rememora Autuori.

"Era questão só dele ter uma oportunidade, como muitos aí estão buscando hoje, embora o futebol brasileiro esteja cada vez menos tolerante", finaliza.

Outro que se lembra do Mano "aprendiz" é o ex-atacante Marcelo Ramos, um dos maiores ídolos da história cruzeirense e dono de 16 títulos com a camisa celeste, incluindo a própria Libertadores de 1997.

"O Mano fez parte da nossa campanha na Libertadores com o Autuori. Eu lembrei direitinho disso quando me mandaram esses dias uma foto dele, ainda cabeludo, junto com nosso preparador físico e nosso fisiologista daquela época", conta, à ESPN.

"É bacana recordar isso e ver porque ele se tornou um cara vencedor. O Mano trabalhou ali com a gente, um elenco muito bom, e pode aprender com o Paulo Autuori e toda a comissão técnica. Fico muito feliz de ter feito parte da história de um cara que hoje é tão vencedor como o Mano", completa.

O ex-lateral esquerdo Nonato, outro campeão continental com a "Raposa", foi mais um que trabalhou com o Mano estagiário.

"Naquela época os estagiários não tinham tanta liberdade igual eles têm hoje para se meter no trabalho do treinador. Naquela época, o cara ficava mais observando e anotando, era essa a função", relembra.

"O Mano sempre foi esse cara aí, tranquilo. Ficava mais calado. Quer dizer, quando não estava tendo jogo, né?", brinca.

Em sua carreira como técnico, Menezes ainda busca seu primeiro título da Libertadores. Em 2007, ele bateu na trave com o Grêmio, sendo derrotado na final contra o Boca Juniors.

Nesta quarta-feira, ele tem a chance de iniciar sua "vingança pessoal" contra os argentinos.