Em exatamente um mês, tudo mudou.
No dia 16 de julho, o atacante Dudu, do Palmeiras, mostrou-se contrariado depois que a equipe alviverde não aceitou vendê-lo para Shandong Luneng, da China, time no qual ele ganharia um salário nababesco, e fez postagem polêmica em seu Instagram: "Feliz ou não, é a lei da vida. Seguir em frente com a cabeça erguida. Superando tudo que está por vir".
A torcida alviverde, é claro, não engoliu, mesmo depois que o jogador tirou a parte do "feliz ou não" do post. A relação entre os fãs e o ídolo ficou estremecida, e o futebol do camisa 7 minguou.
Fast forward para 16 de agosto. Mayke cruza da lateral direita e o baixinho Dudu "voa" para marcar de cabeça e fazer o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Bahia, classificando o Verdão para as semifinais da Copa do Brasil.
Na comemoração, corre ensandecido para dar um abraço naquele que considera ter sido o homem que "virou o jogo" para ele no Palmeiras e fez o atacante voltar a conquistar a sempre exigente torcida alviverde.
Luiz Felipe Scolari.
Dudu fala de Felipão com o carinho da criança que fala do pai. Eles têm ótima relação desde que trabalharam juntos no Grêmio, e agora o efeito da reunião da dupla no Palmeiras já vai aparecendo para os olhos do público.
Nas entrevistas do camisa 7 pós-jogo no Pacaembu, ficou claro que foi Scolari quem trouxe de volta a motivação que o baixinho parecia haver perdido no Palestra Itália.
"(O Felipão) Significa muito para mim. É um cara vencedor, um cara que desde quando chegou no Grêmio me ajudou bastante. Se hoje estou bem, e se hoje estou aqui no Palmeiras, é também graças a ele e ao Enderson (Moreira), que hoje está no Bahia, porque eles apostaram em mim no Grêmio", disse Dudu.
"Hoje, tenho o privilégio de trabalhar novamente com o Felipão. É um cara vencedor, que por onde passa ganha. Espero que a gente possa ganhar juntos esse ano", completou o atacante.
Em sua coletiva depois da classificação contra o Bahia, o próprio Scolari revelou algumas das coisas que disse e pediu a Dudu, e ressaltou o "ótimo ambiente" que tem com o herói das conquistas da Copa do Brasil 2015 e do Brasileiro 2016.
"O Dudu é um menino que tem a minha confiança sempre. Ele sabe que em determinados momentos foi ajudado com algumas colocações do que deveria fazer em relação a termos de contrato, anos de contrato, onde fazer, por que fazer, porque ele sempre me pediu opiniões. Hoje, temos esse ambiente muito bom com ele", salientou.
"Eu vinha cobrando ao Dudu que fizesse um gol. Falei que ele tinha que fazer um gol. E hoje foi o gol que nos colocou na semifinal. E de cabeça!", destacou o treinador.
Felipão ainda contou que aconselhou o camisa 7 a esperar mais para sair do Palmeiras, e contou como fez o atleta recuperar seu futebol em Porto Alegre quando ficou encostado no Grêmio.
"O Dudu falava algumas vezes em sair, que tinha ofertas para sair, mas eu estou tentando mostrar a ele que, se quiser sair no futuro, tem que sair com mais dois ou três títulos, porque ele será muito mais valorizado onde for", afirmou.
"Quando eu cheguei ao Grêmio, em 2014, ele não estava jogando. No primeiro dia de treinamento, o Murtosa, que era meu auxiliar na época, já deu um puxão de orelha grande. O Dudu ouviu tudo o que falamos e melhorou, começou a jogar junto com o Zé Roberto e vocês sabem o que deu", contou.
O gol contra o Bahia foi o 8º de Dudu em 40 jogos na temporada pelo Verdão. Também foi a primeira bola na rede desde que ele anotou contra o Ceará, no dia 10 de junho, pelo Campeonato Brasileiro.
E se há um mês os torcedores do Palmeiras não sabiam se Dudu estava satisfeito ou insatisfeito de estar no Palmeiras, podem ter certeza de uma coisa: a alegria voltou.
