Em anos em que o Manchester City conquista taças consecutivas e se destaca pelo poderio ofensivo, um nome no sistema defensivo é total unanimidade, tanto com o técnico Pep Guardiola, como com a exigente torcida. Estamos falando de Nicolás Otamendi, zagueiro argentino que, depois de chegar com certa desconfiança por causa dos quase 45 milhões de euros investidos em seu futebol, mostra não apenas qualidades como zagueiro, mas também como um dos líderes do jovem elenco que, neste domingo, contra o Arsenal, inicia a caminhada rumo ao bicampeonato da Premier League.
Aos 30 anos e titular de um dos melhores times do mundo, hoje em dia Otamendi é uma total realidade em sua posição. Mas nem sempre foi assim. Isso porque oito anos atrás, quando trocou o Vélez pelo Porto, ele era bastante estabanado. Quem garante isso é o atacante Walter, hoje no CSA e que atuou no futebol português ao lado do argentino.
"Cheguei ao Porto junto com o Otamendi. E ele sempre foi bastante sério e só dava carrinhos (risos). Alguém pegava a bola nos treinos, ele vinha, e 'pum', chegava firme. Eu pensei 'Nossa, esse zagueirão é complicado'. Nessa época, a dupla de zaga titular era Maicon (brasileiro, ex-São Paulo) e Rolando (Português, que hoje joga no Olympique de Marselha)", relembrou o atacante.
Porém, depois de um início complicado, aos poucos Otamendi foi evoluindo como zagueiro, tanto é que terminou sua primeira temporada já como titular absoluto e ajudando o Porto a conseguir um de seus melhores anos em toda a história, com o título do Campeonato Português, da Taça de Portugal e ainda da Liga Europa.
"Conforme ele foi melhorando, eu tinha certeza que ele ia jogar. E não deu outra. Virou titular e se tornou no melhor zagueiro que eu já vi jogar em toda a minha vida. Zagueiro que chega firme, mas também muito leal. Nunca vi ele dar cotovelada fora de lance", declarou Walter, que jogou ao lado de Otamendi por dois anos, antes de retornar ao futebol brasileiro.
E foi no Brasil que, dois anos depois, os dois quase se encontraram, mas dessa vez de lados opostos. Isso porque o argentino estava deixando o Porto para jogar no Valencia. Porém, a transferência acabou acontecendo depois do fechamento da janela. Como não iria mais atuar pelo clube português, já que estava negociado, Otamendi foi emprestado por seis meses para o Atlético-MG, onde chegou no início de 2014, pouco tempo depois do clube ser campeão da Libertadores. Nessa época, Walter estava no Fluminense e na única vez que os clubes se enfrentaram no período, o zagueiro acabou ficando de fora.
Depois de um bom ano no Valencia, ajudando o time a conquistar a vaga na Champions League, o argentino já foi negociado, indo jogar no milionário Manchester City, na época treinado por Manuel Pellegrini e não demorou a se adaptar ao principal campeonato nacional do mundo, já que, logo em sua primeira temporada, foi um dos jogadores que mais atuou pelo clube.
Para Walter, um dos motivos para sua rápida adaptação se dá pela velocidade e agilidade de Otamendi. "Ele não é tão alto, mas pula muito e chega muito rápido na bola no chão. A vantagem dele é que mesmo dando carrinho, tem um tempo de bola muito bom, dificilmente erra. E não tem medo de jogar".
No segundo ano, o estrelado técnico Pep Guardiola chegou ao City fazendo uma verdadeira revolução. O espanhol trouxe consigo John Stones, na época o zagueiro mais caro da história. O esperado era que a defesa titular do time fosse formada pelo ex-Everton e pelo experiente Vincent Kompany. Porém, isso não desanimou Otamendi, que, aos poucos, foi se tornando no queridinho do treinador e, mais uma vez, terminou a temporada como um dos jogadores mais utilizados.
Veio a terceira temporada, provavelmente o melhor ano da carreira do zagueiro argentino, em que ele ajudou o City a ser campeão inglês com sobras e ainda fez parte do "time ideal" do campeonato. Como consequência ao bom ano, Otamendi fez parte da seleção argentina que disputou a Copa do Mundo de 2018.
E já firmado como um dos melhores de sua posição em todo o mundo, o argentino é um dos pilares da equipe que sonha, além do bicampeonato da Premier League, com a conquista inédita da Champions League. O primeiro desafio é neste domingo, em clássico contra o Arsenal.
