Cerro Porteño x Palmeiras: Júnior Baiano e Evair lembram vitória no Paraguai na Libertadores de 1999

Nesta quinta-feira, o Palmeiras estreia nas oitavas de final da Copa Libertadores contra o Cerro Porteño-PAR, fora de casa, às 21h45 (de Brasília). O clube alviverde tem uma rica história contra o adversário de Assunção, tendo enfrentado a equipe já em outras edições do torneio.

Talvez a mais lembrada pelos torcedores palestrinos seja a goleada por 5 a 2 imposta ao Ciclón em plena capital paraguaia, no dia 3 de março de 1999, pela 2ª rodada da fase de grupos do torneio continental. Afinal, foi um dos triunfos que fizeram o Verdão ganhar confiança para partir em busca do título da competição, conquistado em cima do Deportivo Cali-COL alguns meses depois.

E o técnico na ocasião era ninguém menos que Luiz Felipe Scolari, o Felipão, que, 19 anos depois, é novamente o comandante da equipe.

Naquele dia, o Palmeiras saiu atrás, depois que Alvarenga venceu Velloso e converteu pênalti e abriu o placar. No entanto, os paulistas viraram com gols de Júnior Baiano, Clébão, Oséas e Evair, e construíram a goleada em Assunção - Campos ainda fez mais um para o Cerro.

Quase duas décadas depois, Júnior Baiano lembra de todos os detalhes do duelo, que foi realizado no famoso Defensores del Chaco. O duelo desta quinta-feira, porém, será no General Pablo Rojas, que é a casa do time azul-grená.

"Sempre foi difícil jogar no Defensores del Chaco, pois a pressão era enorme. Nem tanto na chegada do ônibus, mas dentro de campo era complicado. A torcida deles adorava atirar coisas no gramado. Era muito difícil atuar lá", lembra o ex-zagueiro, em entrevista à ESPN.

Baiano diz que o Verdão reagiu de maneira forte após ele empatar o duelo em um gol de cabeça, sua marca registrada, aos 39 do primeiro tempo.

"A gente saiu perdendo e de uma hora para outra nosso time melhorou muito. Fiz um gol 'espírita', muito difícil mesmo, para empatar. Acertei um peixinho fora de ângulo, a bola estava saindo e encobriu o goleiro não sei como até hoje (risos). Esse gol deu uma acordada na nossa equipe, que era muito boa e deslanchou. Éramos jovens e estávamos ganhando experiência", conta.

"O Felipão treinava muitas jogadas de bola parada. E como a gente tinha jogadores altos como Roque Jr, Oséas, Evair, eu e o César Sampaio, todos subiam bem de cabeça e eram um perigo. Ainda tínhamos Arce e Rogério, que batiam bem demais na bola. Cada um sabia sua posição nas jogadas de falta e escanteio. Muitos gols daquele time foram puro mérito do Felipão", exalta.

"Depois do meu gol, nosso time jogou muito bem e construímos a goleada. Parecia que estávamos jogando em casa, no Parque Antarctica. A partida começou complicada, mas aí nossos gols foram saindo e virou um jogão. Pelo menos pra gente (risos)", brinca.

Um dos jogadores mais queridos por Scolari naquele elenco, Júnior Baiano foi um dos grandes destaques alviverdes na campanha do título da Libertadores. Ele marcou cinco gols no torneio e acabou como artilheiro alviverde na competição.

19 anos depois, ele morre de rir ao falar da "bronca" que tem com Felipão.

"Eu fui o artilheiro do Palmeiras no torneio, e só não foi o artilheiro da Libertadores porque Felipão não me deixava bater pênaltis (risos). Eu pedi para ele, mas o 'Bigode' não deixou. Ele disse: 'Baiano, tu só vai bater pênalti quando o placar estiver 6 a 0 (risos)'", sorri.

Curiosamente, faltou apenas um tento para o beque igualar Fernando Baiano, Víctor Bonilla, Ruben Sosa, Martín Zapata, Ruberth Morán e Gauchinho como máximo anotador da edição daquele ano - todos eles anotaram seis vezes.

Brincadeiras à parte, Júnior diz que adorou ver o retorno de Luiz Felipe ao Verdão.

"O Felipão é um paizão, uma pessoa de quem gosto muito. É um cara muito correto, um 'sujeito homem' mesmo. Se você é correto com o Felipão, ele é correto com você também. Eu sou até suspeito para falar dele. Torço demais pelo sucesso dele e fiquei contente demais em vê-lo de volta ao Palmeiras", afirma.

"Espero que ele tenha sorte pra caramba, porque o Palmeiras é um time que gosto muito e no qual a torcida até hoje tem carinho por mim. Quando vi a notícia de que ele tinha voltado, abri um sorriso enorme", ressalta.

'ESSE TIME PODE SURPREENDER', DIZ EVAIR

Outro destaque daquele confronto em 1999, o ídolo Evair salienta a importância das jogadas ensaiadas de bola parada em duelos de Libertadores, conhecidos pela marcação ferrenha em cada metro do campo.

"Naquela partida no Paraguai, o que prevaleceu foram as bolas paradas. O Júnior Baiano fez dois gols, algo incomum para um zagueiro, ainda mais em Libertadores, e nós goleamos fora de casa, algo ainda mais raro nessa competição", diz, em papo com a ESPN.

"Eu mesmo fiz um gol de cabeça na partida. Nós surpreendemos o adversário na bola parada, e isso fez toda a diferença. Conseguimos aproveitar quase todas as oportunidades. E teve que ser assim, na base do cruzamento, porque a gente não conseguia encaixar um contra-ataque na marcação deles, que era muito boa", relembra.

"Além disso, o Defensores era um estádio muito difícil de jogar, pois a torcida ficava em cima, participava ativamente. A arbitragem deixava correr a bola e as dificuldades foram aumentando. Mas depois que os gols saíram tivemos mais tranquilidade e, no fim, tudo deu certo", comemora.

Evair ainda destaque que a pressão para o time ser campeão da Libertadores por vezes pode atrapalhar, mas garante que o elenco atual tem chances de repetir 1999 e levar o Palmeiras ao bicampeonato continental.

"Acho que o futebol mudou muito daquela época para agora. Não vejo nada muito parecido no elenco atual com o Palmeiras de 99, pois tínhamos uma bola parada muito forte, e esse time de hoje tem algumas dificuldades nisso. Mas eles têm muita qualidade, e podem surpreender como surpreendemos em 99, sem dúvidas", aposta.

"Sempre tivemos a pressão desde o começo para ser campeão da Libertadores, que é uma competição diferente e que era a obsessão da torcida, como é agora. E, no nosso ano, o Palmeiras decidiu tudo fora de casa, menos a final. Isso fez com que nosso time mostrasse amadurecimento na hora certa. Por isso encarávamos todos os times sem medo e de igual para igual", rememora.

E, para o "Matador", a volta de Felipão também foi aposta acertada.

"Eu vejo a volta dele com bons olhos, porque está acostumado a esse tipo de campeonato, tem costume de jogar Libertadores. Já foi campeão duas vezes e isso faz com ele tenha essa experiência e possa passar tudo isso para seus comandados. Foi importante essa volta dele ao Palmeiras", finaliza.