Um São Paulo sem vaidade, competitivo entre titulares e reservas e, usando as palavras de Diego Souza, sem "mimimi". Esse é um dos segredos da equipe que assumiu a liderança do Campeonato Brasileiro no último domingo, ao vencer o Vasco por 2 a 1, no Morumbi, quebrando um tabu de três anos.
A última vez que o clube esteve na ponta foi em 14 de junho de 2015, quando a principal competição do país acabara de completar a sétima jornada. Desde então passaram-se 123 rodadas se até o São Paulo ser líder de novo.
Após a partida de domingo, os líderes do elenco elogiaram o trabalho do treinador uruguaio. De todos, o testemunho de Diego Souza teve peso maior pelo contexto. Um pouco apagado no jogo, o camisa 9 foi substituído aos 31 minutos da etapa final. Deu lugar para Tréllez, justamente o homem que marcou o tento da vitória por 2 a 1, quatro minutos depois.
Talvez em outro momento pudesse haver algum ressentimento, alguma mágoa. Não agora.
"O campeonato é muito intenso. Você vê que os jogos são sempre bem disputados. Hoje ele [Aguirre] optou por tirar eu e o Nenê ao mesmo tempo. Normal. E deu certo, graças a Deus. Não tem 'mimimi'. A gente sabe que um campeonato se vence com um grupo. Nem sempre os 11 que começam vão resolver", disse Diego Souza à reportagem.
Autor do tento que deu a liderança ao São Paulo, Tréllez é outro bom exemplo. Ele foi contratado por R$ 6 milhões do Vitória em janeiro, mas tinha atuado somente nove minutos nos últimos jogos até entrar em campo.
Uma situação que deixaria qualquer jogador em qualquer clube irritado, desanimado.
"Não desanimei. Entendi que o Diego Souza vem jogando bem e torço por ele. O meu dever é trabalhar pelo time para quando precisar de mim eu estar bem. Essa é uma característica que ganhamos com o Aguirre. Tanto os titulares como os que estão no banco trabalham juntos. O Aguirre nos deu isso", disse Tréllez para a reportagem.
"Aguirre é muito importante nessa mudança do São Paulo. Desde o primeiro dia em ele que chegou, ele nos fez mudar de pensamento. Antes, a gente jogava bem, mas faltava mais vontade. Ele é um treinador uruguaio. Sabemos que uruguaios têm muita garra, têm vontade. Foi algo que ele deu para gente", completou o colombiano.
"As trocas fazem parte do meu trabalho. Temos de buscar alternativas quando as coisas não estão como eu gostaria. Tanto Diego quanto Nenê, que ajudam muito o time, sentiam que estavam um pouco sem energia pela continuidade de jogos. Tínhamos de mudar alguma coisa, dar mais ritmo ao time, buscar uma surpresa... Deu certo. Não só pelo gol, mas por pressionar e voltar a controlar o jogo", disse Aguirre na entrevista coletiva.
Tréllez é um exemplo atual de jogador que, mesmo sem jogar com frequência, não se sentiu desvalorizado. Mas há outros no elenco, como goleiro Jean, que ganhou duas chances nos últimos seis jogos, substituindo Sidão. Ou Bruno Alves, que já substituiu tanto Arboleda quanto Anderson Martins, os titulares da defesa.
"A gente é uma equipe que não desiste em nenhum momento do jogo. Fica ruim para os adversário. Até é normal em algum momento do jogo não estarmos bem, mas acredito que o fato de continuarmos a marcar os defensores rivais, a pressionar, correndo todo o campo, conta muito. A maioria dos jogos a gente passa por cima dos adversários fisicamente", disse Tréllez, um defensor do estilo e do trabalho de Aguirre.
Diante de tanto sacrifício físico, Aguirre tenta estimular seus reservas até mais do que os titulares. É a fórmula que encontrou para aumentar a competitividade interna e fazer do São Paulo hoje líder, sem "mimimi".
"Temos jogadores de experiência, que ajudam muito no dia a dia. Eles sabem que isso está começando. Sabem que não tem outra coisa além de se dedicar e trabalhar para que o São Paulo possa terminar onde está hoje", disse Aguirre.
O São Paulo ganhou dos dias de folga. Volta aos treinos na quarta-feira. O próximo jogo será no domingo contra o Sport, na Ilha do Retiro, em Recife, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro.
