Quem vê Diego Pituca galgar espaço no time do Santos mal sabe que, por muito pouco, ele ficou perto de vestir a camisa branca da Vila Belmiro bem antes.
E foi escolha dele próprio.
Em 2011, quando saiu de seu primeiro time, o Brasilis, sediado em Águas de Lindoia, no interior de São Paulo, o meia desanimou. A ponto de abandonar a carreira que tanto sonhava seguir desde pequeno.
"No Brasilis, eu fui muito bem. Aí o Oscar [ex-zagueiro do São Paulo e gerente da equipe] me chamou numa sala e falou que eu ia ter a oportunidade da minha vida, que eu viria pro Santos. E, na hora, não sei o que passou na minha cabeça que eu falei que não iria mais jogar futebol. Ai ele falou: 'Você é louco você está vendo que está jogando uma oportunidade dessa fora? Muitos queriam estar no seu lugar'", contou, ao ESPN.com.br.
"Aí, eu falei: 'Sei, mas não quero mais jogar bola'. Quando contei isso pro meus pais, eles não acreditaram, porque eles tinham investido em mim pra quando chegasse essa oportunidade. Eu agradeci, mas deixei passar", lembra Pituca.
Os três meses seguintes foram árduos: colocava um par de sapato na prateleira de lá, tirava outro na de acolá. Sua vida começava a se tornar estafante e enfadonha.
"Trabalhei de estoquista numa loja de sapatos. Era muito ruim. Eu não ganhava dinheiro jogando bola e sempre dependia do meus pais. Isso me deixava bravo porque eu via meus amigos trabalhando e ganhando o dinheiro deles, e eu tinha que pedir pros meus pais", descreve o atual camisa 3 (e às vezes 10) do Santos B. "Mas eles nunca ligaram de me dar, lógico, quando eles tinham. Porque eu venho de uma família humilde e meus pais sempre faziam de tudo pra me ver feliz", completa.
Mas não durou muito. Finalmente o jovem Diego, aos 19 anos, percebera que o futebol realmente deveria ser seu trabalho. Não sem antes ouvir sermões atrás de sermões de seu pai, seu grande "anjo da guarda" na vida e um "quase" jogador profissional - só não foi porque seu avô não deixara.
"Meu pai começou a falar comigo e me explicar que o que eu mais sabia fazer era jogar futebol e pediu para que eu tirasse ele como exemplo".
E não deu outra: contrato assinado com o time de sua cidade, o Guaçuano, de Mogi Guaçu, em 2012, para a disputa da Série A3 do Campeonato Paulista e da Copa Paulista. Foi lá onde tudo recomeçou.
"Pensei várias vezes em parar de jogar futebol, mas dou graças a Deus pela família que tenho, que sempre me deu apoio. Por isso não parei e até hoje agradeço meu pai e minha mãe porque se estou no Santos hoje, agradeço muito a eles", comemora.
Primeiro título da carreira
Se o começo da carreira foi complicado, ao menos o que veio a seguir fez tudo valer a pena.
Após se destacar pela Matonense, tanto na A3 como na A2, e pelo União São João, na quarta divisão estadual, Pituca conseguiu sua primeira chance em time de elite regional: o Botafogo, de Ribeirão Preto.
"Foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida. Lá, eu pude me destacar, mostrar melhor o meu futebol", recorda o jogador, que chegou também para a disputa da Série D do Campeonato Brasileiro.
E foi justamente na quarta divisão nacional que Diego Pituca ficou em evidência. Afinal, foi dela que saiu sua principal glória na ainda curta carreira como jogador. Após uma primeira fase brigada, o time ribeirão-pretano conseguiu a classificação no grupo A6 na segunda colocação, com o mesmo número de pontos do terceiro e desclassificado Gama. Depois de passar por Crac-GO (oitavas), São Caetano (quartas) e Remo (semifinal), chegou a grande decisão, diante do River-PI.
"Sabíamos que se fossemos campeões, entraríamos para a história do Botafogo", diz.
Dito e feito: vitória por 3 a 2 no Estádio Santa Cruz na ida e o 0 a 0 seguro na volta para dar a volta olímpica.
"Quando chegamos em Ribeirão, foi só alegria... a cidade parou para nossa carreata com o troféu. Foi um momento muito especial", recorda, orgulhoso.
Todo seu destaque pelo Botafogo não foi em vão. Ironicamente, foi justamente o Santos, clube que o queria seis anos antes, que se interessou pela sua contratação. Agora, não tinha como rejeitar.
"Os anos de 2016 e 2017 foram ótimos pra minha carreira. Tive bastantes propostas, graças a Deus, mas, quando chegou a do Santos, eu não pensei duas vezes. Era outra oportunidade que Deus tava me dando de mais uma vez vestir a camisa do Santos", comemora.
Após passar um período no Santos B, Pituca foi efetivado à equipe principal neste ano. Em pouco tempo, ele caiu nas graças do técnico Jair Ventura, que o promoveu aos titulares.
Com as boas atuações, virou um dos jogadores mais queridos pela torcida e recebeu o apelido de 'PituKroos'.
"Pituca veio quando eu fui pra Matonense. No dia em que o presidente foi me contratar, foi meu pai que conversou com o cara, e o apelido dele sempre foi 'Pituca'. Aí o cara começou a me chamar de 'Pituca' também , mas eu nunca gostei de ser chamado assim. Quando era pequeno e saia com o meu pai na rua, os outros me chamavam de 'Pituquinha'. Eu ia embora chorando (risos). Chega até a ser engraçado", explicou, bem-humorado.
