Uma polêmica entrevista da dona da Crefisa e da FAM, patrocinadoras do Palmeiras, ao portal UOL, nesta quinta-feira, provocou forte reação dos vices do presidente Maurício Galiotte.
Leila disse que não renovará o contrato com o Verdão caso um "inimigo" passe a se sentar na cadeira de mandatário do clube no ano que vem, após a eleição de dezembro de 2018.
"Não sei se o Maurício (Galiotte) vai ser candidato, mas é óbvio que se forem eleitas essas pessoas que estão atacando violentamente o patrocinador, é óbvio que não vou renovar o patrocínio, tendo a caneta na mão, para uma pessoa que é minha inimiga", disparou a empresária.
"Uma pessoa que ofende o patrocinador nos quatro cantos. Mas não acredito que isso vá acontecer, o Palmeiras não pode retroceder. Se a oposição vencer, eles que atacam tanto o patrocinador, eles tem que ter a responsabilidade de arrumar outro patrocinador. Eles atacam tanto o patrocinador, que querem ver o patrocinador pelas costas, não é?", questionou.
"Se eles conseguirem eleger alguém que não gosta do patrocinador, não é o patrocinador que vai sair daqui, eles vão tirar o patrocinador daqui, e eu acho que eles é que vão ter a responsabilidade de colocar outro. Se esses críticos ganharem a eleição, eles não vão querer a Crefisa e a FAM como patrocinadoras, isso eu tenho certeza, e o que eles terão que fazer, já que se indispuseram com o patrocinador, não o quiseram aqui, eles terão de arrumar outro, será deles a responsabilidade", completou.
Em nota oficial, três dos quatro vices de Galiotte (Genaro Marino Neto, Victor Fruges e José Carlos Tomaselli) descreveram a fala de Leila como "chantagem" e cobraram atitudes do cartola para colocar fim constantes ameaças da patrocinadora.
"Chantagear o que alega ser seu time de coração afirmando que só manteria sua 'ajuda financeira' caso seus amigos continuem na gestão não é atitude de um palmeirense genuíno. Nosso alviverde é maior do que preferências individuais, amigos ou inimigos", escreveram.
"Não damos o direito a nenhum parceiro, por maior que seja o tamanho do investimento, de achar que isso compra nosso clube. Pode comprar outros, nunca o Palmeiras. A senhora não vai nos ameaçar ou achar que somos seus reféns", salientaram.
"Presidente Maurício Precivalle Galiotte: o senhor ficará de braços cruzados e boca fechada ou vai, pela primeira vez em seu mandato, defender o nosso amado clube para confrontar a 'conselheira' (?) Leila Medjalani Pereira? O senhor vai deixar o clube ser chantageado publicamente mais uma vez pelo “parceiro”? Até quando uma 'conselheira'” (?) será a porta-voz da sua gestão?", cobraram.
O vice-presidente Antonino Jesse Ribeiro, por sua vez, não assinou a nota.
CONFIRA A NOTA OFICIAL DOS VICES
O Palmeiras NÃO pode ser refém de ninguém! Por entender que ninguém pode se considerar acima da Sociedade Esportiva Palmeiras, vimos a público manifestar nosso repúdio às declarações da “conselheira” (?) Leila Mejdalani Pereira ao UOL, nesta quinta, 26.
Ninguém que é VERDADEIRAMENTE torcedor da S.E.P. pode aceitar que nosso clube seja, mais uma vez, coagido. Sobretudo colocado sob o revólver do poder econômico por conta de interesses e gostos particulares ou vaidades pessoais.
Chantagear o que alega ser seu time de coração afirmando que só manteria sua “ajuda financeira” caso seus amigos continuem na gestão não é atitude de um palmeirense genuíno. Nosso alviverde é maior do que preferências individuais, amigos ou inimigos.
A Crefisa e a FAM patrocinam a S.E.P. por conta do que representamos, pela força da nossa camisa e pelo tamanho da nossa torcida, não é, cara “conselheira”(?) ?
Não somos hipócritas ou insanos para dizer que essa relação comercial é ruim para o clube. Porque não é. Queremos, inclusive, que ela continue por muitos e muitos anos, apesar de a senhora insistir em dizer que paga um valor acima do mercado, o que também repudiamos.
O Palmeiras não é seu e é grande há mais de cem anos, senhora Leila, INDEPENDENTEMENTE de quem seja o presidente ou o patrocinador.
Não damos o direito a nenhum parceiro, por maior que seja o tamanho do investimento, de achar que isso compra nosso clube. Pode comprar outros, nunca o Palmeiras. A senhora não vai nos ameaçar ou achar que somos seus reféns.
Não entendemos em que momento casuísmo e modernidade passaram a ser sinônimos na língua portuguesa. Mandato de três anos pode não ser um avanço. Usa-lo como subterfúgio para interesses próprios é um crime contra a S.E.P. O que explica essa ostensiva campanha para que essa mudança se aplique já na próxima gestão, cara “conselheira”(?) ? Por que não faz o mesmo esforço para que sejam alteradas as regras para conselheiros (de fato e de direito) vitalícios? Lutar pelo aumento IMEDIATO do mandato de três anos, sendo que isso lhe possibilitaria ser candidata já no pleito seguinte, é apenas coincidência?
Se não for, lançamos um desafio à “conselheira”(?) Leila Medjalani Pereira: prometa e registre em cartório que não usará essa mudança em benefício próprio e que não será candidata à presidência em 2022. Seja clara com o torcedor e com os sócios do clube e escolha um lado: defenderá os interesses da SEP, sua OBRIGAÇÃO como conselheira, ou os da sua empresa?
A senhora não aceitará os desafios. A senhora nem se importa com o cristalino e absurdo conflito de interesse que é ser “conselheira” (?) e patrocinadora ao mesmo tempo. Conflito que se ampliaria exponencialmente caso a senhora se tornasse presidente.
Mas não a culpamos por isso. Afinal, nem seus amigos presidentes dos poderes executivo e deliberativo vêem problema. Aliás, como “conselheira eleita”(?), a senhora ajudaria na busca de novos patrocinadores caso tire a Crefisa e a FAM do clube? Que medo a senhora tem de ter alguém isento na cadeira de presidente do Palmeiras?
Como vice-presidentes legítimos, eleitos e com comprovado tempo de sócio e de conselheiro, não ficaremos de braços cruzados enquanto a senhora tenta comprar o Palmeiras.
Exmo. presidente Maurício Precivalle Galiotte: o senhor ficará de braços cruzados e boca fechada ou vai, pela primeira vez em seu mandato, defender o nosso amado clube para confrontar a “conselheira”(?) Leila Medjalani Pereira? O senhor vai deixar o clube ser chantageado publicamente mais uma vez pelo “parceiro”? Até quando uma “conselheira” (?) será a porta-voz da sua gestão? Independentemente de seus interesses políticos, temos que olhar única e exclusivamente para o bem da S.E.P., não para projetos pessoais.
Nem a sede de poder da senhora Leila nem a sua omissão, caro presidente, podem tirar do nosso apaixonado torcedor, o posto de ÚNICO, LEGÍTIMO e VERDADEIRO dono da Sociedade Esportiva Palmeiras.
Genaro Marino Neto, 1º Vice-Presidente
Victor Fruges, 3º Vice-Presidente
José Carlos Tomaselli, 4º Vice-Presidente
