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Presidente do Atlético-MG revela pressão de Roger Guedes para deixar o clube

Roger Guedes deixou a equipe mineira para jogar na China Getty

Uma coisa a torcida do Atlético-MG não pode culpar seus dirigentes na transferência do atacante Roger Guedes para o futebol chinês: a de faltar tentativas pela sua permanência. A novela que durou desde antes da parada para a Copa do Mundo até quase os dias da final da competição, o clube mineiro fez reuniões, propôs aumento de salário, tentou comprar o atleta, conversou nos bastidores.

Porém, o destino do atleta, por sua vontade e de seus agentes, era longe da Cidade do Galo. O Presidente Sérgio Sette Câmara revelou pressão por parte do jogador para deixar a agremiação.

'O jogador Róger Guedes pertence ao Palmeiras, estava emprestado ao Atlético. Nós fizemos de tudo para manter o jogador aqui durante o restante deste ano, tentamos também adquirir o passe do jogador junto ao Palmeiras, conseguimos um investidor. Mas, infelizmente, o clube paulista não quis vender o jogador para o Atlético. Não há interesse do Palmeiras em vender o jogador para o mercado brasileiro', falou o presidente.

'Nós, então, recebemos diversas sondagens e diversas ligações do procurador e do jogador, dizendo que não queria mais permanecer no Atlético, que tinha propostas do mercado europeu, ‘Mundo Árabe’ e China, como acabou acontecendo. Valores estratosféricos envolvidos. Evidentemente, chegou um momento em que a gente não tinha mais como segurar', disse Câmara em entrevista a Rádio Itatiaia.

A proposta que tirou Roger Guedes do Atlético chegou na quinta-feira. O Shandong Luneng, da China, tentou outro atleta palmeirense, Dudu, com um salário gigantesco. O Palmeiras, entretanto, não liberou, mas, em reunião, propôs o jogador que estava emprestado ao time mineiro. O clube asiático se animou e iniciou a negociação.

O tempo, entretanto, era apertado. A janela de transferências para o futebol chinês fecharia na sexta-feira, no dia seguinte. Vale levar em consideração ainda que o fuso horário de 11 horas seria um fator que atrapalharia o Shandong. Neste momento, Palmeiras, Criciúma, Roger Guedes e chineses precisavam da 'boa vontade' do Galo para liberar a documentação.

Isso porque, pelo contrato, o clube mineiro tinha 72 horas para tomar qualquer decisão, fosse ela igualar a proposta ou decidir por liberar. O time preto e branco então usou isso para lucrar.

Pelo vínculo assinado em janeiro, o Atlético, em caso de venda, teria uma taxa de vitrine de 5%. O assunto, na época, deixou a diretoria atleticana em situação complicada com críticas dos atleticanos, afinal, o clube tinha liberado Marcos Rocha com passe fixado e pego Roger Guedes, que naquele momento era uma incógnita, sem passe fixado e só com uma taxa de vitrine.

Porém, o clube conseguiu aumentar o rendimento só por ter que liberar a documentação em tempo. No fim das contas, o Atlético recebeu mais de R$ 11 milhões.

Sette Câmara fala que defendeu os direitos do Atlético, mas lamenta a perda do artilheiro do Campeonato Brasileiro.

'O que nós pudemos fazer foi, obviamente, defender os interesses do Clube Atlético Mineiro e impor que o clube tivesse uma compensação financeira muito melhor até do que aquela prevista no contrato de empréstimo com o Palmeiras, que era de 5% de vitrine em cima dos 25% que o Palmeiras detém do passe do jogador. Na verdade, o jogador está sendo negociado para o Shandong por algo em torno de 9 milhões de euros. É realmente uma perda muito grande, o jogador vinha bem, encaixado no nosso sistema de jogo, artilheiro do campeonato, mas, infelizmente, não tivemos como segurar', finalizou.