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França: Conheça a história de Matuidi, que quase não veio ao mundo e hoje disputa a final da Copa do Mundo

Aos 31 anos, Blaise Matuidi é um dos mais experientes jogadores da seleção da França e alicerce da equipe comandada por Didier Deschamps, que neste domingo disputa a final da Copa do Mundo contra a Croácia, em Moscou, às 18h no horário local (12h de Brasília).

O volante pode não ser aquele que mais ganha os holofotes de mídia e torcedores, mas ele já está acostumado a isso. Desde a infância.

Blaise é o quinto filho de Faria Rivelino Matuidi e Élise. O pai é angolano; a mãe, descendente de congoleses. Eles fugiram do país lusófono por causa da guerra civil dos anos 1980 e foram viver em Toulouse, na França. Depois, o casal se mudou para Fontenay-sous-Bois, no subúrbio de Paris, e lá criaram os filhos.

Ali, Matuidi passou por sua primeira provação: o aborto.

"Com minha esposa, nós tínhamos um pacto: nos limitamos a quatro crianças (risos)! Então esta quinta criança (Blaise) chegou. Nós então conversamos com um médico (para abortar). Mas, no final, nós o mantivemos, porque minha mulher é uma pessoa muito crente", disse Faria Rivelino, o pai do jogador, em entrevista ao jornal L'Èquipe.

"Ela me disse: 'Da próxima vez, eu tomarei meus cuidados, mas o que é dado para nós (por Deus), mantemos'".

O volante começou a jogar futebol com apenas seis anos e tinha um espelho: Jay-Jay Okocha. O habilidoso nigeriano atuava no Paris Saint-Germain quando encantou os olhos do pequeno Matuidi, e foi a região central do campo que ele escolheu como seu lugar. Melhor: Okocha é o responsável por torná-lo torcedor da equipe da capital.

Após subir para o profissional no Troyes e ficar lá de 2004 a 2007, ele chegou ao Saint-Éttiene e dali foi para a seleção francesa pela primeira vez em 2010. No ano seguinte, Blaise Matuidi foi contratado por seu time de coração, o PSG. Algo que surpreendeu até mesmo o seu pai.

"Eu não esperava que Blaise chegasse a essa dimensão, mas diz que estou surpreso, não! Bem, eu admito que nós estamos um pouco espantados. Ele nos surpreendeu por sua habilidade de proteger a si mesmo. Blaise nunca foi o melhor de seu time, mas ele gosta de trabalhar", elogiou o orgulhoso Faria Rivelino.

Levar sua família no peito, por sinal, é algo que representa muito para Blaise Matuidi. Inclusive a família paterna de Angola, onde esteve por apenas uma vez na vida.

"Não esqueço as minhas raízes angolanas, em especial porque ainda tenho família no país. Lá em baixo, estão todos orgulhosos do meu caminho, e se sou francês, por outro lado também me sinto angolano", falou uma vez o meio-campista.

Após conquistar 16 títulos no PSG, o volante foi para a Juventus e também virou peça fundamental com Massimiliano Allegri. Mas o racismo, infelizmente, fez parte dessa trajetória: em dois jogos do Campeonato Italiano consecutivos - Verona e Cagliari -, o volante foi vítima de ações preconceituosas.

Depois de tudo o que ele já tinha passado na vida, não seria isso que abalaria Matuidi.

"As pessoa fracas tentam me intimidar com ódio. Eu não sou um hatter e posso apenas sentir pena por aqueles que têm maus exemplos. Futebol é uma maneira de espalhar igualdade, paixão e inspiração, e é para isso que eu estou aqui. Paz", postou em seu Facebook.