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Como o Congo tem quase um time inteiro na semifinal da Copa do Mundo

Mandanda no gol, uma linha de zaga com Boyata, Kompany e Kimpembe, N’Zonzi e Matuidi no meio e um ataque com Lukaku e Batsuashy. Seriam necessários apenas mais três jogadores para montar um time de respeito, capaz de fazer frente para qualquer um – afinal, todos esses estão classificados a uma semifinal de Copa do Mundo.

Mas você deve estar se perguntando: por que estamos juntando esses nomes? Eles defendem França ou Bélgica, mas todos tem uma coisa em comum: poderiam estar vestindo a camisa da República Democrática do Congo.

As histórias não costumam ser nada felizes. A República Democrática do Congo era colônia da Bélgica (o Congo Belga) até a década de 60. Também já foi Zaire – e até foi para a Copa do Mundo de 1974 com esse nome, quando enfrentou o Brasil.

Nunca, porém, conseguiu se desvencilhar dos problemas. Foi alvo de uma colonização para lá de exploratória e violenta da Bélgica. E depois passou a enfrentar inúmeras guerras.

O país é o 176º de 187 no último ranking de desenvolvimento humano divulgado, tem uma das menores rendas per capita do planeta e dois milhões de crianças desnutridas.

Por isso, quem consegue vai tentar a vida em outro lugar. E foi o que fizeram milhares de famílias. Incluindo as famílias Mandanda, Boyata, Kompany, Kimpembe, N’Zonzi, Matuidi, Lukaku e Batsuashy.

De todos, Steve Mandanda é o único que nasceu, de fato, no Congo – quando ainda se chamava Zaire -, mas se mudou muito cedo. Seu irmão, o também goleiro Parfait, até defende a seleção congolesa (apesar de ser o oposto e ter nascido já na França).

Todos os outros são descendentes diretos, filhos de congoleses. E em comum todos enfrentaram o enorme preconceito nos países em que desembarcaram.

“Quando jogo bem, falam na Bélgica sobre o atacante belga. Quando jogo mal, falam do atacante belga com raízes congolesas”, disse Lukaku em entrevista recente.

Para além da Copa de 1974, o Zaire foi uma potência no futebol africano, ganhando duas Copas das Nações (1968 e 74). Agora, mesmo com tantos jogadores atuando em outros países, voltou a ir bem. Acumula uma semifinal e uma quartas de final no torneio continental e ficou só um ponto atrás da Tunísia na eliminatória para a Copa.

E ainda há mais nomes que poderiam fortalecer essa seleção, além dos já citados. Para ficar só em franceses e belgas, ainda temos os zagueiros Mangala e Denayer e também o atacante Benteke, que poderiam completar o time acima.

Imagine com todos esses jogadores o que poderiam fazer!