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Copa do Mundo: Como derrota para a Islândia mudou a seleção da Inglaterra, derrubou egos e uniu o país

Em 27 de junho de 2016, a Inglaterra perdia para a Islândia por 2 a 1 nas oitavas de final da Eurocopa na França e causava uma das maiores crises em seu futebol. O técnico Roy Hodgson caiu, Sam Allardyce assumiu, mas por apenas um jogo - foi demitido após a divulgação de um escândalo de corrupção.

Então, Gareth Southgate assumiu de forma interna, mas os bons resultados lhe renderam a vaga efetiva. Na Copa do Mundo na Rússia, o treinador conseguiu levar os ingleses pela primeira vez a uma semifinal desde 1990; agora, o sonho é alcançar a decisão que não vem há 52 anos, desde o único título mundial em casa.

O adversário será a Croácia, mas o país já está em festa. E os jogadores estão cientes de tudo o que está acontecendo.

"Há tanto tempo que a Inglaterra não chegava tão longe em uma Copa do Mundo, é normal que o povo inglês esteja tão feliz, sentimos aqui também, vendo pelos celulares, computadores", disse o volante Eric Dier, do Tottenham, em bom português.

"É incrível o ambiente que estamos criando, queríamos dar alegria aos nossos torcedores. É normal a euforia que acontece aqui, e queremos dar ainda mais. É muito bom podermos unir o país", continuou.

Aquela derrota para a Islândia, por sinal, desencadeou uma "transformação muito grande" na seleção, explicou o meio-campista.

"Após o jogo contra a Islândia, muitas coisas mudaram, foi um momento de decepção, queríamos fazer as coisas melhores, pensando em uma Copa do Mundo dois anos depois. Fizemos as coisas certas, o país está nos apoiando, é fantástico fazer parte deste momento, tem sido uma jornada incrível", contou

"Tivemos que mudar nosso jogo, sabíamos que não podia continuar da mesma maneira. Dois treinadores - um muito rápido -, nos deu estabilidade, confiança, nós agora nos sentimos muito confortáveis, sabemos nossa ideia de jogo. A comissão técnica deixa as coisas mais fáceis para nós e criou um ambiente que é muito saudável entre nós, no hotel, nas viagens, nos jogos. Estamos confortáveis um com os outros. Jogamos sempre um pelos outros, essa é a coisa mais importante".

"Você pode ver isso em campo, ego está 100% totalmente fora do elenco, todos querem que o time tenha sucesso. Temos uma ótima atitude, mentalidade", continuou Eric Dier.

O discurso foi o mesmo adotado por Ashley Young, jogador mais experiente da atual Inglaterra, quando questionado sobre quem seria o melhor jogador da seleção nesta Copa: "É um jogo de equipe, elenco, não tem um MVP. MVP é cada jogador que está nesse elenco".