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Comparado a Yashin, Akinfeev tomou frangaço na Copa de 2014, mas agora faz a Rússia sonhar com o título dentro de casa

A Rússia é uma das grandes surpresas da Copa do Mundo. Tida como uma das seleções mais fracas do Mundial, correndo grande risco de ser eliminado ainda na primeira fase, a equipe não só segue viva, como eliminou a poderosa Espanha nas cobranças de pênalti.

Um dos grandes responsáveis por essa surpreendente campanha é Igor Akinfeev, goleiro que mais fez defesas na competição até agora e que, depois de uma falha marcante na Copa de 2014, consegue dar a volta por cima e se confirmar como um grande camisa 1 também no cenário de seleções, algo que já alcançou em seu clube há algum tempo.

Nascido em 1986, Akinfeev está no CSKA desde 1991, quando entrou nas categorias de base. Está no time principal desde 2003 e desde então é titular absoluto. Pelo clube, conquistou inúmeros títulos, como seis edições do Campeonato Russo, além da Copa Uefa de 2005. Em muitas dessas conquistas, teve jogadores brasileiros ao lado, como o atacante Jô, que atuou no clube russo entre 2005 e 2008 e revela ter aprendido muito com o ex-colega.

"Ele era novo também, mas já tinha muita moral. Ele sempre treinou muito, bastante esforçado e é muito bom com o pé. E acho que a força mental dele também sempre foi um diferencial", disse o atacante, que revelou que Akinfeev sofria muita pressão pelo histórico de goleiros russos, já que Lev Yashin foi o último a fazer história pela seleção, na época a União Soviética.

O goleiro chegou até a ser comparado com um dos maiores arqueiros de todos os tempos, já que começou a ser convocado para a seleção sub-21 com apenas 15 anos e, com 18, já estava na equipe principal, se tornando no jogador mais jovem a defender a Rússia em toda a história.

"É um goleiro espetacular, muito simples e objetivo. Em treinamentos era muito sério, rápido e inteligente para poder jogar bola. Sabe ler os jogos e tem uma reação muito forte nas bolas. Fica muito bem posicionado durante as partidas", disse Dudu Cearense, que jogou com Akinfeev no CSKA.

Pela seleção, ele já disputou quatro Eurocopas e está em sua segunda Copa. Na primeira, porém, suas lembranças não devem ser as melhores. Isso porque ele falhou feio no jogo contra a Coreia do Sul, aceitando um chute despretensioso de bem longe. Na competição, os russos foram eliminados ainda na primeira fase, sem conseguir sequer uma vitória.

Porém, esse cenário mudou completamente em 2018. Akinfeev demonstra muita confiança desde a estreia da Rússia, contra a Arábia Saudita. Mas seu grande momento foi mesmo contra a Espanha, quando fez inúmeras defesas, entre elas duas em cobranças de pênalti, de Koke e Iago Aspas.

Na ocasião, chegou até mesmo a ser citado como "um dos melhores goleiros do Mundo" pelo lateral brasileiro naturalizado russo Mário Fernandes. Até as oitavas de final, ele foi o arqueiro que mais trabalhou no Mundial, com 13 interceptações em 18 chutes em seu gol.

CAPITÃO POR 'TROTE' EM TÉCNICO

O volante Dudu Cearense revelou que o goleiro se tornou capitão da equipe russa em um episódio que quase acabou mal, mas que terminou tudo bem graças ao poder de convencimento dos atletas sobre o rígido técnico Valeriy Gazzaev.

"Lá eles tinham o costume de se pesar logo pela manhã e tinha uma balança que ficava no corredor. A gente acordava cedo, só para pesar e voltar para dormir. E ninguém gostava disso. o capitão da época era o Ignashevich, zagueiro da seleção russa. Teve um dia que a gente pediu que ele acabasse com isso, que não fazia sentido acordar só para pesar e depois dormir. Aí teve um dia que ele pegou e escondeu a balança. Todo mundo ficou procurando a balança e não achou. Aí ninguém foi pesar e a gente sabia que o Ignashevich era quem tinha pego e guardado", contou.

"O problema é que o treinador ficou bravo, cancelou o treino da manhã e reuniu todo mundo do time. Ele falou assim para todo mundo: eu quero saber quem foi e quando eu souber, vou mandar embora. Se alguém admitir agora, eu posso até liberar. Será punido, mas se não me falar, vou mandar embora. Depois de algum suspense, o Ignashevich admitiu. Aí o técnico chamou na sala dele para mandar embora. Mas aí alguns jogadores como eu, o Vágner Love, Daniel Carvalho, Jô, Akinfeev e outros, fomos até lá e pedimos que ele voltasse atrás, que isso foi uma atitude de todo o elenco. E falamos que se ele não perdoasse o zagueiro, que todo mundo ia embora. Aí ele decidiu perdoar o Ignashevich, mas tirou a faixa de capitão dele, dando para o Akinfeev", relembrou o hoje volante do Botafogo, do episódio em 2008.