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Zagueiro artilheiro da Suécia desbancou Ibrahimovic e vai perder nascimento do filho por jogo da Copa

Dizem que a vida é feita de escolhas e, provavelmente, o zagueiro Andreas Granqvist teve que tomar a mais difícil de toda a sua vida. Isso porque nesta terça-feira, o jogador disputa possivelmente o jogo mais importante em toda a sua carreira no futebol. O duelo entre Suécia e Suíça, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Porém, no mesmo dia, o camisa 4 e capitão do time sueco tem outro compromisso bastante importante. Será o nascimento de seu segundo filho. E como um evento acontece na Rússia e o outro na Suécia, Granqvist teve que optar por um ou por outro. E sua escolha foi disputar o jogo por sua seleção.

"É complicado ir para casa quando se tem um jogo de oitavas de final de Copa do Mundo para disputar. Até agora nada aconteceu na minha casa. Sabemos como é toda essa situação, mas a minha mulher é muito forte e tem todos os nossos queridos parentes por perto", declarou o atleta, admitindo o quão difícil foi tomar essa decisão.

O curioso é que toda essa confusão poderia ser evitada. Isso se a Suécia conseguisse a classificação na segunda posição da chave. O adversário nas oitavas seria o Brasil e o jogo seria na segunda-feira, invertendo de situação com o México, que passaria a jogar na terça. Caso isso acontecesse, Granqvist poderia atuar normalmente e, no dia seguinte, mesmo com sua seleção se classificando, fazer uma viagem rápida para a Suécia e depois retornar para o Mundial.

Já que o destino quis que dois dos acontecimentos mais importantes da vida do zagueiro fossem no mesmo dia, muita gente deve pensar que ele deveria priorizar sua família, algo que não aconteceu. E o jeito mais fácil de explicar essa decisão é recorrendo a algo que aconteceu no ano passado. Logo que a Suécia superou a Itália na repescagem e se garantiu na Copa, Granqvist foi às lágrimas. Isso porque, aos 33 anos, ele teria a oportunidade de disputar um Mundial pela primeira vez na carreira e, assim como a maior parte de seus companheiros, provavelmente também será a última.

"Esta foi a última chance para muitos de nós, jogadores mais velhos da equipe, jogar uma Copa do Mundo, a maior coisa que você pode alcançar como jogador de futebol. Então, havia muitas emoções por aí", disse ele, que na ocasião prometeu raspar seus cabelos caso sua equipe chegasse ao Mundial.

E 2017 foi realmente especial para Granqvist. Além da vaga garantida na Copa, o zagueiro foi eleito o melhor jogador sueco do ano, desbancando ninguém menos do que Zlatan Ibrahimovic, que vencera a premiação nos 10 anos anteriores. Do polêmico atacante também foi de quem o camisa 4 herdou a braçadeira de capitão da seleção, onde atua desde 2006.

Sua liderança e respeito dentro do grupo de atletas é tanta, que ele, apesar de zagueiro, é o cobrador de pênaltis oficial da equipe. Na Copa do Mundo, já fez duas cobranças, acertando ambas, contra Coreia do Sul e México. Com dois gols, ele é o artilheiro da Suécia na competição.

LIDERANÇA QUE VEM DE LONGE

Com passagens por Helsingborg (Suécia), Wigan (Inglaterra), Genoa (Itália) e Krasnodar (Rússia), Granqvist exerceu um papel de liderança em cada uma das equipes, o que é confirmado por quem atuou ao seu lado, como Naldo, seu companheiro de zaga na equipe russa na temporada 2016/2017.

“Fico feliz por ele conseguir a classificação e pelos gols também. A Suécia está fazendo um campeonato sensacional. Era um grupo tão difícil com Alemanha e México, que eram favoritos e eles conseguiram terminar no primeiro lugar. Ele merece e faz por onde. É um jogador seguro e tranquilo e a equipe precisava de um zagueiro central assim. Ele ajudou muito com a sua experiência", declarou o atleta, que agora defende o Espanyol.

Quem também jogou com o sueco foi Zé Love. O atacante chegou ao Genoa logo depois de conquistar a Libertadores pelo Santos e foi, ao lado de Granqvist, uma das grandes contratações para a temporada 2011/2012.

E apesar de elogiar a qualidade técnica do antigo companheiro, principalmente no jogo aéreo, Zé Love revela que o colega sempre foi mais reservado e o idioma pode ter atrapalhado a sua adaptação à Itália.

"Eu brincava bem mais com ele do que ele comigo. Ele sempre era quieto, bem na dele. Ele ria das brincadeiras dos outros, mas não se envolvia muito. Acho que muito porque não falava o italiano muito bem na época".

COPA JÁ TEVE TRÊS 'PAPAIS'

A história de Granqvist é curiosa, porém, está longe de ser inédita. Isso porque outros dois atletas passaram por situações semelhantes desde o início do Mundial. O primeiro deles foi o lateral Jonas Knudsen, da Dinamarca, que, com o apoio de seus companheiros, que até o ajudaram financeiramente, se ausentou de alguns treinos de sua seleção durante a primeira fase para viajar ao seu país e acompanhar o nascimento de sua filha, que aconteceu duas semanas antes do planejado.

O outro caso é bem mais recente. Nesta segunda-feira, Gareth Southgate, técnico da Inglaterra, confirmou que liberou o lateral Fabian Delph do jogo contra a Colômbia, nesta terça.

Isso porque o atleta do Manchester City será pai pela terceira vez. "Algumas coisas são mais importantes que o futebol. A mulher dele está prestes a dar a luz, e eu disse aos jogadores que este torneio é muito importante, mas que a família é sempre mais importante", disse Southgate.