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O dia em que o México, com Rafa Márquez, venceu o Brasil na 'final mais importante de todas'

Em se tratando da seleção principal, talvez a maior vitória do México sobre o Brasil tenha acontecido em 1999, na terceira edição da Copa das Confederações, a primeira fora da Arábia Saudita e totalmente organizada pela Fifa.

Com alguns erros por desatenção, o Brasil saiu derrotado por 4 a 3. Serginho, Roni e Zé Roberto marcaram para o time de Vanderlei Luxemburgo. Pelo México, Zepeda, duas vezes, Abundis e Blanco.

“O México foi superior a gente, mas o Brasil jogou bem. Houve alguns erros, mas, de um modo geral, jogamos bem”, relembra-se Alex, à época no Palmeiras, o camisa 10 daquela seleção, hoje comentarista nos Canais ESPN.

Quem também estava naquele jogo era o atual capitão mexicano Rafa Márquez, à época, recém-contratado pelo Monaco, da França. Hoje, com 39 anos, o jogador disputa seu quinto Mundial.

Reformulação brasileira

Após vencer a Copa América de 1999, Luxemburgo começou a preparação da seleção para o Pré-Olímpico do ano seguinte, em Londrina e Cascavel, no Paraná.

Com as eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002 ainda distantes, o então inédito ouro, nos Jogos de Sydney, era a principal meta da CBF. E a Copa das Confederações foi o seu primeiro laboratório.

Para aquela competição, saíram do time nomes recorrentes nas convocações da época, como Leonardo, Rivaldo e Romário. Entraram jogadores mais jovens, com idade para jogar a Olimpíada, como Alex e Ronaldinho Gaúcho.

A estreia com uma goleada por 4 a 0 sobre a Alemanha do veterano Lothar Mathäus e um ainda muito jovem Michael Ballack prenunciava que o time teria sucesso. O que, de certo modo, apesar da derrota para o México na final, por 4 a 3, de fato veio a acontecer no futuro - mas não naquela competição.

A final

“Para quem não tinha qualquer envolvimento emocional, deve ter sido um jogo muito legal de se assistir, muito aberto”, relembra-se Alex.

“Naquele dia, o Vanderlei tentou também uma formação nova. Eu joguei como falso 9, avançado, junto com o Ronaldinho”, conta o ex-jogador. O técnico reforçara o meio-campo, formando-o com Emerson, Flávio Conceição, Beto e Zé Roberto.

Até pelo seu posicionamento, Alex teve muito contato com Rafa Márquez durante a partida.

“Lembro-me bem dele naquele dia. Atuava tanto na sobra defensiva como no início das jogadas, na saída para o jogo. Era um jogador muito leal. O México tinha uma saída bem complicada para os adversários naquela época”, conta.

Os quatro gols mexicanos no jogo se originaram de erros do Brasil.

Um pouco adiantado, Dida não conseguiu segurar um chute alto e sem tanta força, logo aos 12min, de Zepeda. Odvan e João Carlos se atrapalharam em uma saída de jogo e deixaram Abundis frente a frente com o goleiro para fazer 2 a 0, aos 27min.

O Brasil mostrou força e buscou o empate. Aos 43min da primeira etapa, o lateral-esquerdo Serginho, com história por São Paulo e Milan, cobrou pênalti e diminuiu. Aos 2min do segundo tempo, Roni, à época no Fluminense, recebeu de Ronaldinho e empatou.

Mas aí vieram mais duas desatenções. Primeiro, logo aos 6min. No meio da área, Vampeta pede impedimento e para. Mas João Carlos, o pior jogador da seleção na competição, dava condições para Zepeda fazer o terceiro.

Dois gols seguidos aceleraram o ritmo do jogo. Primeiro, Ronaldinho tentou cobrar falta com rapidez no meio, mas ninguém entendeu, e a bola ficou livre para o México sair para o contra-ataque.

Rapidamente, a equipe verde chegou à área com Blanco, que deu um belo drible em João Carlos e fez o quarto, na saída de Dida, aos 15min. Roni, no lance seguinte, aos 16min, fez boa jogada pela esquerda e cruzou para Zé Roberto, esse mesmo, ex-Palmeiras, diminuir para o Brasil.

O jogo ficou aberto. O Brasil ainda chegou a acertar a trave do goleiro mexicano Jorge Campos, famoso por mostrar habilidade com os pés antes de tal fundamento ser praticamente um pré-requisito para qualquer atleta da posição.

Mas o troféu ficou mesmo com os mexicanos, do técnico Manuel Lapuente e do capitão Cláudio Suárez, que o recebeu das mãos do suíço Josepp Blatter, então presidente da Fifa, e o ergueu.