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Ex-Real Madrid lembra 'chute' no champanhe de técnico da Espanha na Copa: 'É um líder nato'

Faltavam dois dias para a Espanha estrear na Copa do Mundo, competição em que era uma das maiores favoritas ao título e a Federação decidiu mandar embora o técnico Julen Lopetegui, que decidira assumir um clube para o seguimento na sua carreira após o compromisso com a seleção. Tudo para se transformar em crise, não é mesmo? Na verdade não! Visto que quem assumiu a responsabilidade foi Fernando Hierro, que ocupava o cargo de diretor esportivo da equipe. Sávio, que jogou com o ex-zagueiro no Real Madrid por cinco temporadas, garante: ninguém poderia ser melhor!

"Para mim, foi o nome certo para o momento. O Hierro participa da reformulação do futebol espanhol desde 2006 e passou por todo o processo, desde o Luis Aragonés, na Eurocopa 2008, com o Del Bosque, no título mundial de 2010 e voltou com o Lopetegui. Então, além dele ser muito respeitado, ele tem total conhecimento do grupo de jogadores. Quem poderia estar melhor preparado do que ele?", questionou o ex-meia, durante bate-papo com a reportagem do ESPN.com.br, detalhando que Hierro trabalhou na Federação entre 2007 e 2011 e desde 2017, exercendo um cargo de extrema importância, principalmente pelo relacionamento dos jogadores. "Ele sempre foi um líder como jogador e transmitia seriedade e comprometimento para seus companheiros", conta.

Realmente não podemos dizer que Hierro "caiu de paraquedas" como técnico da seleção. Aos 50 anos, ele foi um dos jogadores mais vitoriosos da Espanha, jogando 14 anos no Real Madrid, onde chegou a atuar até mesmo como atacante e disputando quatro Copas do Mundo pela Espanha. Desde que se aposentou, nunca se afastou do futebol, tendo uma experiência como técnico no Oviedo, uma como assistente-técnico de Zinedine Zidane no Real Madrid, outra como diretor de futebol do Málaga, sem citar as duas passagens na Federação. "Quando ele assumiu a seleção, eu mandei uma mensagem, dizendo que estava torcendo muito para que o trabalho desse certo", revela Sávio, que mantém contato com o ex-companheiro até hoje, relatando que quando visita a Espanha gosta de se encontrar com Hierro, tamanha identificação eles criaram nos anos de Real Madrid.

E o brasileiro tem muitos motivos para admirar o espanhol. "Ele foi capitão do Real Madrid em um período muito complicado. O elenco era recheado de estrelas, como Zidane, Figo, Roberto Carlos, entre outros e todos o respeitavam muito. Quando ele decidia falar, todo mundo parava para ouvir", disse, citando que Hierro costumava reunir o elenco algumas vezes durante a temporada para jantar e relembrando uma história que marcou sua vida como atleta: "O Real Madrid estava há 32 anos sem ganhar a Liga dos Campeões quando eu cheguei. Na minha primeira temporada, fizemos a semifinal contra o Borussia Dortmund. Ganhamos o primeiro jogo por 2 a 0 e seguramos o 0 a 0 no segundo, na Alemanha. Logo que a classificação para a final foi confirmada, a Uefa levou uma caixa cheia de garrafas de champanhe para a gente comemorar a vitória no nosso vestiário. O Hierro deu um chute na caixa e tirou ela do vestiário. Disse que a gente não tinha nada para comemorar. Que ainda faltava um jogo e que, se não ganhássemos, ninguém ia lembrar de nós. Fomos para a final com esse foco contra a Juventus, que era favorita. E foi um jogo perfeito. A gente ganhou e praticamente não cometeu erros", recorda o ex-meia, que ainda ganharia mais duas edições do torneio europeu pelo clube.

Apesar de considerar a Espanha de Hierro uma das favoritas a vencer a Copa do Mundo, Sávio não garante a permanência do colega no comando da equipe após o Mundial. "Ele assumiu essa missão, mas a verdade é que ele é um grande gestor, não sei se quer continuar como técnico. Mas se a Espanha for campeã, acho que a coisa muda, né?", se divertiu, enumerando os candidatos ao título: "A Croácia e a Bélgica estão jogando muito bem, vão dar trabalho para Brasil, França e a Espanha, que pra mim são os melhores. A Alemanha eu não acho tão forte como em 2014 e a Argentina está parecendo um bando, não acredito que vá longe".