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Fábio Aurélio endossa coro de Ronaldo contra Héctor Cúper: 'Meio rabugento'

A fase não está das melhores para Héctor Cúper. Já eliminado da Copa do Mundo, com duas derrotas em dois jogos com o Egito, ele não parece ter muito prestígio com seus ex-comandados. Depois de Ronaldo o definir como "o pior técnico de sua carreira", Fábio Aurélio, que foi treinado pelo argentino no Valencia, também não se mostra grande fã dos métodos utilizados por ele e acredita em algum tipo de perseguição com jogadores brasileiros.

"A gente não trabalhou muito tempo juntos, foram só seis meses. Eu nunca tive nenhum problema com ele, mas era nítido que, quando eu cheguei, ele não confiava muito, achando que eu seria bom no apoio, mas não conseguiria defender. Eu sentia ele meio rabugento, que nunca achava que nada estava bom", comentou o ex-atleta, em entrevista à ESPN.

Contratado junto ao São Paulo em 2000, Fábio chegou com o Valencia em um grande momento, com o clube vindo de uma temporada em que disputou a final da Liga dos Campeões e, até por isso, Cúper tinha bastante moral dentro do clube, mas não pense que os jogadores entendiam tudo o que ele queria dentro de campo, visto o que ele pedia nos treinos. "Era sempre meio confuso. Teve um coletivo que eu só podia ir pra cima do Angulo (Miguel Angulo, ídolo do Valencia) e ele pra cima de mim. A gente não podia tentar outro tipo de jogada. Nem parecia um coletivo. Nos treinos de bola parada, era tudo ao contrário. Ao invés do jogador que acertar antes, poder sair, ele fazia o oposto. Quem errasse ia direto para o chuveiro tomar banho e quem acertasse continuava chutando", relembrou Fábio, admitindo certa estranheza com esse tipo de metodologia.

O ex-lateral, que apesar das dificuldades, conseguiu a confiança de Cúper e terminou a sua primeira temporada na Espanha como titular, acredita que o treinador não gostava muito de trabalhar com brasileiros, talvez por algum trauma do passado. "Eu sempre fui um cara na minha, um pouco tímido, mas teve um dia que depois do treino eu decidi fazer sauna lá no clube. Quando eu entrei, estava o treinador e o seu auxiliar. Ele começou a me fazer perguntas, se eu fumava, se eu bebia, eu respondi que não, porque eu realmente não fumava e não bebia, mas ele parece que ficou meio desconfiado. Do tipo: brasileiro que não bebe? Eu não sei se ele já tinha tido algum problema com brasileiro, mas parecia que ele não confiava muito em nós".

Coincidência ou não, a saída de Cúper do clube foi causada por um brasileiro, mas não um jogador seu e sim um adversário: Rivaldo, que na última rodada do Campeonato Espanhol na temporada 2000/2001, marcou nada menos do que três gols na vitória do Barcelona por 3 a 2 sobre o Valencia, sendo um deles de bicicleta e tirou do time rival a chance de disputar a Liga dos Campeões, onde era vice-campeão duas vezes em sequência, na temporada seguinte. Logo após isso, o argentino deixou o clube para trabalhar na Inter de Milão. E não deixou saudades. "Como ele chegou duas vezes na final da Champions e perdeu as duas e ainda ficamos fora da edição seguinte, ele ganhou uma fama de um pouco pé frio, aquele estigma de vice. Até por isso, ele saiu", contou Fábio, lembrando que, logo na primeira temporada sem Cúper, o Valencia foi campeão espanhol sob o comando de Rafa Benítez.