<
>

Copa do Mundo: craque e capitão da Costa Rica, Bryan Ruiz é sonho do Santos, mas 'morre' no segundo tempo

Bryan Ruiz, camisa 10, maestro e capitão da Costa Rica, foi o principal destaque na surpreendente campanha dos centro-americanos na Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

À época com 28 anos de idade, ele anotou os dois gols mais importantes na trajetória da sua seleção no Mundial: contra a Itália, no segundo jogo da fase de grupos, fez o tento que decretou a classificação dos costa-riquenhos para os mata-matas. Nas oitavas de final, contra a Grécia, anotou o gol de empate da partida, que foi decidida, à favor da Costa Rica, nas cobranças de pênaltis.

Em 2018, aos 32 anos, o meia é a principal esperança do país para repetir o feito alcançado quatro anos atrás. Para isso, a equipe precisa vencer o Brasil, nesta sexta-feira, às 9h (de Brasília).

Bryan, entretanto, possui um problema considerável no seu desempenho: na grande maioria dos jogos não atua por 90 minutos. Durante a temporada 2017/18 pelo Sporting jogou apenas cinco jogos (dos 33 que disputou) na íntegra, além de ter saído na prorrogação do duelo contra o Viktoria Pilzen pela Europa League.

Tal condição, inclusive, já foi sentida na pele por Renê Simões, que comandou a seleção costa-riquenha durante as Eliminatórias para a Copa de 2010.

No jogo contra os Estados Unidos, fora de casa, que valia a vaga ao Mundial, Bryan Ruiz fez um ótimo primeiro tempo e anotou dois gols na vitória parcial por 2 a 0, que carimbava o passaporte da Costa Rica para a África do Sul.

''Jogador muito inteligente, lia muito bem o jogo e sabia se colocar dentro de campo. Às vezes, um jogador tem uma técnica de execução perfeita de toque, domínio e corrida, mas não lê o jogo. Não tem desgaste mental. Ele tinha isso e demonstrava que seria um jogador fantástico. Eu vi no Bryan um potencial absurdo'', disse Simões, ao ESPN.com.br.

O placar marcava 2 a 1 para a Costa Rica, quando, aos 38 minutos do segundo tempo, Simões tirou do campo seu camisa 10. ''Estávamos vencendo o jogo contra os EUA quando ele saiu porque não aguentou o ritmo e foi uma coisa que ele melhorou. Ele tinha deficiência na parte física e não aguentava tanta intensidade'', relatou o treinador.

"Bryan saiu chateado de campo, mas não comigo. Foi pela situação porque ele estava exausto. Falei: ‘Calma, não tem jeito, você não aguenta’. Tínhamos feito um primeiro tempo lá em cima, sufocamos os EUA e fizemos 2 a 0", afirmou.

''Ele (Bryan) estava ano banco já comemorando classificação. Nós brincávamos que já estávamos na primeira classe do avião indo para a África do Sul. Aos 49 do segundo tempo, nós tínhamos a bola no ataque com mais três jogadores nossos contra um deles. Ai, perdemos a bola e depois aconteceu o escanteio para eles''.

Os Estados Unidos empataram o placar no último minuto do jogo, com um gol de cabeça de Bornstein.

"Ele foi 'o cara' e jogou muito. Se ele tivesse fôlego e continuasse, nós provavelmente não teríamos perdido o jogo'', relembrou, frustrado, o treinador.

A Costa Rica ficou na quarta colocação das Eliminatórias da Concacaf, tendo a última chance de classificação à Copa na repescagem, contra o Uruguai. Após um empate em 1 a 1 dentro de casa e uma derrota por 2 a 1 fora, Renê, Bryan e os costa-riqueinhos não conseguiram a sonhada classificação.

Carreira

Desde 2015 defendendo o Sporting, de Portugal, Bryan também tem passagens por outros clubes europeus como o PSV e Twente, da Holanda, Fulham, da Inglaterra, e Gent, da Bélgica. Foi o Alajuelense, da Costa Rica, o clube que o revelou.

Em função da conturbada situação na qual se encontra o Sporting, Bryan está livre no mercado e atrai a atenção de diversos clubes espalhados pelo mundo. Entre os mais interessados está o Santos, que ocupa a incômoda 15ª colocação no Campeonato Brasileiro, busca alternativas para alavancar seu desempenho no torneio e já estaria em contato com o atleta.