É inegável que a sorte não foi muito amiga do Irã no sorteio da Copa do Mundo ao colocar a equipe no mesmo grupo de Espanha e Portugal. Mas o técnico da seleção iraniana também tem outra preocupação: o Marrocos, que ele diz estar em um nível parecido de espanhóis e português.
“Seria desrespeitoso da minha parte se falasse da Espanha tendo um jogo contra o Marrocos. Eles têm um grande time, grandes jogadores e estão muito bem preparados. Como todos sabem, eles são um dos favoritos a ir para a segunda rodada, lado a lado com Espanha e Portugal. Pela história, pela preparação à Copa do Mundo, pelos jogadores que estão nos melhores do mundo, pelos materiais de treino... Nós damos o favoritismo a eles”, disse Carlos Queiroz ao ser perguntado sobre a troca de técnicos na seleção espanhola.
A história do Irã em Copas, é verdade, não é mesmo muito animadora. Em quatro participações, foram 12 jogos e apenas uma vitória. Queiroz, porém, pede respeito. E uma ajudinha dos deuses para conseguir vencer pela segunda vez.
“Nós damos o favoritismo a eles, mas não toleramos que nos falem que não podemos ganhar, que subestimem a gente. Estamos aqui para competir com os favoritos e pedimos aos deuses do futebol que nos ajudem. Inshallah (tomara Deus, na tradução) vençamos”, disse.
“Espero que vençamos. Mas a vitória que mais importa para nós é sair de cabeça erguida. Isso nós podemos controlar. Levar para casa o orgulho, a felicidade. Essa vitória tem que estar conosco. Esperamos estar melhor no jogo para ter a outra vitória”, completou.
Uma visão parecida com a do capitão da equipe, Masoud Shojaei.
“Tive experiências amargas e doces e aprendi a nunca prometer a vitória antes do jogo. Só posso prometer que vamos fazer o melhor possível e nos sacrificar ao máximo para dar alegria ao nosso povo”, disse.
O Irã estreia no Mundial na próxima sexta-feira, às 12h (de Brasília), contra Marrocos, em São Petersburgo. O duelo faz parte do grupo B da competição, que ainda tem Espanha e Portugal.
Veja outros pontos da entrevista de Carlos Queiroz e Masoud Shojaei:
Pressão
Carlos Queiroz - Não é possível imaginar jogar uma Copa do Mundo sem pressão. É parte do pacote. Não é para todo mundo. Estamos muito felizes de estar aqui e aproveitar essa pressão. Estamos aqui para comemorar os sacrifícios, o comprometimento e o esforço que fizemos para se classificar. Ganhar é o melhor remédio no futebol. É claro que os times que começam ganhando tem uma boa vantagem em moral e confiança. Temos jogadores com experiências. São três jogos, nada acaba no primeiro jogo. É uma competição em três partes. Dia a dia temos que controlar o ambiente e as decisões. Nós amamos isso, esses momentos de pressão.
Masoud Shojaei - Primeiro eu gostaria de dizer que todos sabem que a Copa do Mundo é o maior torneio internacional e é natural que todos, até os mais experientes, se sintam pressionados. Estamos muito empolgados de participar da Copa do Mundo, não dá para esconder. A minha sensação enquanto capitão é que estamos muito felizes de estar aqui, torcendo para começar logo e para que possamos mostrar nossa capacidade.
Jogo contra o Marrocos
Carlos Queiroz - É o jogo de abertura. Como todos sabem, é sempre um jogo especial. O primeiro amor é sempre especial. É um jogo que os dois times precisam ganhar. Estamos prontos, ansiosos e mal podemos esperar para jogar. Temos que ter uma grande performance para ficar com os três pontos.
Sanções dos EUA
Carlos Queiroz - Como tenho dito sempre ao longo desses anos não é oportuno e nem empo de especificar os detalhes desse problema e dificuldades relacionadas à sanção. O que talvez não seja conhecido é que durante esses sete ou oito anos não deixamos que essas questões sirvam de desculpas ou justificativas para nada. Pelo contrário. Temos usados como fonte de criatividade e de inspiração para fazer os nossos jogadores mais fortes, mais convictos que têm que ser uma família com coesão. Lutar e jogar mostrando a tudo e a todos que são atletas que amam o jogo como qualquer outro do mundo, que gostam de competir. Na minha opinião pessoal isso pode demorar um ano, dez, até cem anos. Mas não a eternidade. Mas os jogadores do Irã jogam com paixão, não é um país em que o futebol é falso.
Defesa ou ataque?
Carlos Queiroz - Temos jogadores jovens, com muita qualidade no meio e no ataque. Somos uma equipe muito aventureira nesse momento, muito ousada. Estamos aqui também se preparando para jogar a Copa da Ásia em janeiro. A equipe está muito forte na mentalidade. E se tivemos necessidade de defender, não temos outra opção. Mas o mais importante é que se temos vontade de atacar o faremos com convicção e esperança de ganhar a partida. Mas a atitude do Irã não é diferente de outras seleções que tem necessidade de defender quando jogam contra outras equipes.
