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Guardada em 'local secreto', mítica Taça das Bolinhas ainda não está na galeria do São Paulo; saiba por quê

Há pouco mais de um mês, o Supremo Tribunal Federal encerrou à disputa pelo título de campeão do Campeonato Brasileiro de 1987, determinando que o Sport, e não o Flamengo, é o único vencedor de direito daquela temporada. A decisão da mais alta corte do país dá a entender também que o destino da polêmica Taça das Bolinhas dever ser o São Paulo.

No entanto, não será tão cedo que o troféu será exposto no memorial de conquistas do Morumbi.

Criadora da peça e em posse dela desde maio de 2012, a Caixa Econômica Federal ainda não sabe o que fazer com a Taça das Bolinhas. Por isso decidiu mantê-la trancafiada em um cofre em uma de suas agências.

O local exato é mantido em segredo absoluto. Nem São Paulo nem Flamengo nem CBF sabem onde ela está.

O motivo que fez com que a Caixa não tenha entregue ainda a taça ao São Paulo é simples. O banco não foi informado pela Justiça nem pela CBF quem é o detentor de direito do troféu.

Detentor da Taça das Bolinhas, o São Paulo adotou uma estratégia diferente de outros anos. A conduta é esperar as decisões da Justiça para tomar posições, evitando manifestações públicas sobre o troféu. O intuito é evitar qualquer desgaste com o Flamengo, com quem negociou de forma pacifica a vinda do atacante Everton, após pagar a multa rescisória de R$ 15 milhões.

Internamente, o clube já estuda o momento e a maneira de requisitar o prêmio para a Caixa Econômica. Muitos conselheiros cobram a posse dela.

O Flamengo também não tem tocado no assunto, mas não significa que tenha desistido de buscar a oficialização do título de 1987 e, consequentemente, a posse da Taça das Bolinhas. Ciente de que as instâncias na Justiça comum já se esgotaram, o clube admitiu para a reportagem que já possui um procedimento na FIFA e ainda avalia outras eventuais medidas.

A TAÇA DAS BOLINHAS

Popularizada como Taça das Bolinhas, o nome verdadeiro era Troféu Copa do Brasil e foi criado em 1975 pelo artista plástico Maurício Salgueiro a pedido da Caixa Econômica Federal, que passou a oferecê-lo ao campeão nacional a partir daquele ano.

Ao final de cada edição, a peça retornava ao cofre do banco, que determinou que a entregaria de forma definitiva ao clube que fosse campeão três vezes consecutivas ou cinco alternadas.

A Caixa informou para a reportagem que a partir de 1992 a cerimônia de entrega do troféu não foi mais realizada, em atendimento a um pedido da CBF. Naquele ano, o campeão foi o Flamengo, que somou àquela conquista as de 1980, 1982, 1983 e 1987.

Durante mais de uma década a Taça das Bolinhas permaneceu esquecida. Até que em 2007, ao ser campeão pela quinta vez alternada, o São Paulo decidiu requisitar o troféu para a CBF/Caixa Econômica. Iniciou-se então uma disputa pela posse do troféu.

Em 2010, a CBF chegou a declarar que o São Paulo era de fato o dono dele. A taça foi entregue ao time em 2011, após o Flamengo perder os recursos que tentou na Justiça. Mas, em maio de 2012, o clube do Morumbi teve de devolver a peça para Caixa por determinação Judicial. Desde então, ninguém mais o viu, aguardando uma definição.

O CAMPEÃO DE 1987

Durante todos esses anos também discutiu-se quem é o legítimo campeão de 1987. Naquele ano, os 12 grandes clubes do país se uniram e organizaram o torneio nacional, uma vez que a CBF chegou a declarar que não teria condições de fazê-lo. Convidaram Bahia, Coritiba, Goiás e Santa Cruz para jogaram a competição.

A confederação nacional voltou atrás no que havia declarado e acabou organizando uma outra competição, chamada de Módulo Amarelo, com os clubes excluídos, e determinou que ao final dela deveria haver um encontro entre seus campeão e vice contra o campeão e vice da Copa União, o torneio do Clube dos 13.

O Flamengo ganhou a Copa União contra o Internacional. Já Sport e Guarani disputaram entre si e dividiram o título do Módulo Amarelo. Na decisão proposta pela CBF, contudo, nem o clube rubro-negro nem o colorado aceitaram jogar. A equipe pernambucana acabou campeã em confrontos contra o Guarani.

A batalha Judicial demorou anos, mesmo com tentativas da CBF de apaziguar declarando Flamengo e Sport campeões de 1987.