Segundo o jornal The New York Times, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, convocou uma reunião de emergência para tentar convencer dirigentes da entidade a aceitarem um acordo multibilionário por um novo formato do Mundial de Clubes.
De acordo com o próprio diário, um fundo de investidores do Oriente Médio e Ásia fez uma oferta de US$ 25 bilhões (aproximadamente R$ 85,5 bilhões) por uma versão ampliada do torneio.
Esse formato renovado do Mundial de Clubes começaria em 2021 e contaria com 24 equipes participantes e seria disputado a cada quatro anos em 18 dias (leia mais sobre o funcionamento abaixo).
Apesar dos altos valores envolvidos na proposta do fundo, Infantino vem encontrando resistência de dirigentes da Fifa, principalmente os europeus, que já se posicionaram contra a mudança no Mundial via Associação de Ligas Europeias de Futebol Profissional.
Os membros afirmaram que não podem aceitar qualquer tipo de acordo se quem está por trás do consórcio de R$ 85,5 bilhões não for revelado. Além disso, eles temem que as datas da nova competição possam coincidir com outros torneios.
Por isso, o presidente da entidade escreveu uma longa carta aos membros do Conselho na semana passada, organizando uma reunião de emergência às pressas para tentar convencer os cartolas a aceitarem a oferta bilionária dos investidores.
Segundo Infantino, foi dado um prazo de 60 dias à Fifa para aceitar a proposta.
A primeira reunião de emergência para tratar do tema foi marcada para o início de maio. Caso o assunto não seja resolvido neste momento inicial, um novo encontro foi agendado para o começo de junho, pouco antes do início da Copa do Mundo 2018.
Para o NY Times, a movimentação às pressas de Infantino é estranha.
"Reuniões de emergência são raras na Fifa, sendo convocadas apenas para os assuntos mais vitais. A última vez que algo assim aconteceu foi em 2015, depois que vários membros da entidade foram presos em um hotel de luxo em Zurique", lembrou o jornal.
COMO FUNCIONARIA O NOVO MUNDIAL
O novo Mundial seria realizado em três fins de semana distribuídos nos meses de junho e julho, datas disponíveis no calendário de partidas internacionais, levando em conta, de acordo com as fontes, altas demandas existentes tanto de jogadores quanto de clubes quanto ao calendário.
Com a mudança na frequência do torneio de um para quatro anos, a competição ganharia o prestígio dos maiores torneios internacionais, como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, e não interferiria no calendário das competições domésticas da maioria dos países, especialmente na Europa.
Os clubes participantes se dividiriam em oito grupos de três, com os líderes se classificando para as quartas de final. A alternativa mais usual, com seis grupos de quatro, como nas Copas de 1986, 1990 e 1994, teria 48 jogos, enquanto essa cogitada pela Fifa, apenas 31.
O modelo substituiria o Mundial de Clubes atual, que conta com um formato considerado incômodo e que tem atenção reduzida, como, segundo as fontes, já vinha acontecendo com a Copa das Confederações.
A Fifa considera que a competição renovada seria mais inclusiva e extremamente atrativa para jogadores, treinadores, árbitros, torcedores, imprensa e patrocinadores ao reunir os melhores clubes do mundo, garantindo a imprevisibilidade do ganhador. Isso porque desde 2007 houve apenas um campeão, o Corinthians de 2012, que não fosse o único representante europeu de cada edição.
A data proposta inicialmente, segundo o projeto da entidade, é junho e julho de 2021, quando não será possível realizar a Copa das Confederações no Catar devido às altas temperaturas.
