Nesta quarta-feira, o Palmeiras visita o Boca Juniors-ARG, às 21h45 (horário de Brasília), pela 4ª rodada do grupo 8 da Libertadores. Será a primeira visita do time alviverde ao mítico estádio La Bombonera desde a polêmica semifinal de 2001 da mesma competição.
Na ocasião, o "Verdão" arrancou um empate por 2 a 2 na casa dos xeneizes, em uma partida na qual o clube foi bastante prejudicado pela arbitragem do paraguaio Ubaldo Aquino - daquele dia em diante, o juiz passou a ser ironicamente chamado pelos torcedores alviverdes de "Roubaldo" Aquino.
Primeiro, o árbitro marcou um pênalti muito polêmico do zagueiro Alexandre, que o atacante Schelotto, hoje treinador do Boca Juniors, bateu para igualar o placar em 1 a 1 no primeiro tempo - os brasileiros haviam aberto a contagem em Buenos Aires com um tento de Alex.
Depois, no final da partida, quando a partida estava 2 a 2 (gols de Fábio Jr para os visitantes e Barijho para os mandantes), Aquino deixou de anotar uma penalidade clara do goleiro Córdoba em cima do volante Fernando. Para piorar, ainda deu cartão amarelo ao meio-campista palestrino, alegando simulação - Fernando acabaria ainda expulso minutos depois.
17 anos depois, quem estava presente em campo naquele dia não esquece o que aconteceu na Bombonera.
É o caso, por exemplo, do atacante Basílio, que entrou no 2º tempo do jogo no lugar de Lopes e viu de perto a "garfada" do juiz paraguaio.
"É sempre complicado falar de arbitragem, mas não dá para não lembrar desse jogo. É lógico que teve uma pressão enorme em cima dele (Ubaldo Aquino), mas ele não deu o pênalti claro que nos dava a possibilidade de fazer o 3 a 2 na casa deles. O 2 a 2 na Bombonera não foi um resultado ruim para nós, mas merecíamos a vitória naquele jogo", afirmou, em entrevista à ESPN.
Aposentado desde 2011, quando encerrou a carreira pelo Sertãozinho-SP, o ex-atacante de Santos, Grêmio e Coritiba também conta que os jogadores palmeirenses ainda reclamaram muito com o árbitro após o apito final.
"Normalmente quando acaba uma partida você encosta no árbitro e faz aquela pressão normal, principalmente os jogadores mais experientes. Mas naquele dia teve bastante polícia em campo, não deixaram a gente chegar muito próximo", recorda.
"Ainda assim, nós transmitimos nossa indignação, principalmente pelo lance do pênalti no final. Não teve nada de duvidoso, foi claro", detonou.
Na opinião do ex-atleta, os juízes costumavam "pipocar" nas partidas em La Bombonera.
"A arbitragem lá na casa do Boca sempre dá uma 'pipocada', para usar um termo famoso no meio da bola. É uma pressão muito grande que vai da torcida para dentro do campo, invade as quatro linhas a atinge dos árbitros. E olha que, apesar de tudo, ainda conseguimos arrancar um empate lá", exalta.
No jogo de volta, o Palmeiras não teve a mesma atitude do jogo na Bombonera e começou muito mal, vendo o rival abrir 2 a 0 na primeira etapa. Na base da raça, contudo, a equipe palestrina buscou o 2 a 2 no Parque Antarctica lotado.
Árbitros para esta semana na Copa Libertadoras. pic.twitter.com/65LqQdAAl5
— Salvio Spinola (@SalvioSpinola) 23 de abril de 2018
Na hora dos pênaltis, porém, brilhou a estrela do goleiro Córdoba, que ajudou os argentinos a vencerem por 3 a 2 e se classificarem para mais uma final - na decisão, os xeneizes seriam campeões em cima do Cruz Azul-MEX.
"Se o Aquino tivesse marcado a penalidade na Argentina, a gente poderia ter vindo para o Brasil com a vantagem, e o jogo de volta teria sido completamente diferente", lamenta Basílio.
A família Aquino, aliás, não dá mesmo sorte aos brasileiros: na Libertadores de 2013, quando o Corinthians foi prejudicado pela arbitragem contra o próprio time xeneize, o bandeirinha da partida era Rodney Aquino, ninguém menos do que o filho de "Roubaldo" Aquino, que parou de apitar em 2003.
Para o duelo desta quarta-feira entre Boca e Palmeiras, o juiz será o chileno Roberto Tobar, auxiliado pelos compatriotas Claudio Rios e Jose Retamal. O 4º árbitro também será do Chile: Cesar Deischler. Já o assessor de arbitragem será o paraguaio Carlos Torres.
