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Marcel Schäfer foi campeão alemão no Wolfsburg com Grafite e Josué e agora irá virar dirigente

Na segunda liga dos Estados Unidos, longe dos holofotes.

É assim que Marcel Schäfer se encaminha para o momento de pendurar as chuteiras. Tal discrição no fim de carreira acaba por contrastar com o grande feito registrado por ela.

Ainda que possa ser um nome não tão conhecido fora da Alemanha, o lateral esquerdo estabeleceu-se como um dos maiores ídolos da história do Wolfsburg e ainda somou nove partidas pela seleção alemã entre 2008 e 2010.

Com Schäfer em campo, os Lobos conquistaram sua primeira e única Bundesliga, em 2008-09, ao lado dos brasileiros Josué e Grafite. Aliás, o defensor esteve em campo em todos os minutos da campanha. Tão impressionante quanto à conquista em si foi o fato de o time ter concluído o primeiro turno apenas na nona posição, nove pontos atrás do líder.

“Ele (o técnico Felix Magath), ainda na pausa de inverno (meio do campeonato), na verdade, nos disse que realmente queria estar na liderança da Bundesliga, nos contou a cada dia no treino, nos convenceu e nos mostrou o que significa trabalhar, trabalhar e trabalhar para ir em direção ao topo. Esse era o lema de Felix Magath”, contou Schäfer, em entrevista exclusiva à ESPN Brasil.

Além disso, já sem mais a condição de titular, ele esteve presente também nas outras duas grandes conquistas da história do Wolfsburg: a Copa da Alemanha de 2014-15 e a Supercopa da Alemanha de 2015.

Em mais de dez anos no clube, entre 2007 e 2017, o camisa 4 ainda tornou-se o atleta de linha que mais vezes defendeu os Lobos. Uma lenda, e que já tem data para retornar. Afinal, após deixar o Tampa Bay Rowdies, que disputa a United Soccer League, ele irá começar na carreira de gestor esportivo, para a qual já vem se preparando.

Enquanto isso, o defensor vai desfrutando os últimos passos em sua trajetória como jogador profissional, mas sem perder o alto nível. Em seu primeiro ano nos Estados Unidos, foram cinco gols e 11 assistências somadas, ajudando os Rowdies a chegarem na semifinal de conferência. A grande temporada o fez ser incluído no time ideal do campeonato.

Na entrevista à ESPN, Schäfer relembrou os momentos no Wolfsburg, analisou o reerguimento do futebol alemão e falou sobre Grafite, Josué, a paixão pelos esportes americanos, a preparação para o futuro como gestor, entre outros assuntos. Confira na íntegra:

ESPN.com.br: Você já fez um curso de gestão esportiva. Já tem algo em mente quando parar de jogar?

Marcel Schäfer: Eu já assinei um contrato com o Wolfsburg em gestão e no mais tardar em 2019 eu voltarei e farei parte da gestão esportiva. Estou muito ansioso por isso. Durante a minha carreira, eu já me preparei, fiz dois cursos de ensino à distância, incluindo marketing esportivo e gestão esportiva, e esta experiência aqui nos Estados Unidos irá me ajudar totalmente a me estabelecer em meu novo emprego no Wolfsburg depois da carreira.

ESPN.com.br: Você considera se aposentar nos Estados Unidos? Pretende jogar em outro país ou retornar à Alemanha?

Marcel Schäfer: No futebol sempre pode acontecer muitas coisas, mas o Tampa Bay Rowides - assim é planejado – é a minha última estação. Estou orgulhoso de ter jogado por mais de dez anos no Wolfsburg e de ser uma parte da história do Wolfsburg. Agora mais dois anos no Tampa Bay Rowdies, na América, maior experiência adquirida, e então retornar ao Wolfsburg. Por isso, eu penso, na verdade, tenho certeza, que essa é minha última estação.

ESPN.com.br: Você já postou fotos em jogos de NFL e NBA e tem uma amizade com Daniel Theis (jogador do Boston Celtics). Você sempre gostou de esportes norte-americanos? Como é a vida nos Estados Unidos? Tem contato com outros esportistas?

Marcel Schäfer: Eu posso certamente dizer que sou completamente louco por esportes, em um sentido positivo. Me interesso por futebol americano, basquete, hockey no gelo e também beisebol. Eu apenas aproveito para vivenciar muitas aventuras e experiências aqui na América, o que também me ajudará no futuro quanto ao trabalho no Wolfsburg, uma vez que gostaria de voltar em 2019 para a gestão esportiva. Com Daniel Theis, um grande torcedor do Wolfsburg, eu tenho um amigo em Boston, onde eu já visitei, eu me diverti muito e estou ansioso para quando puder vê-lo e encontrá-lo novamente.

ESPN.com.br: Você teve uma temporada muito boa, individual e coletivamente, com o Tampa Bay Rowdies. Como é a convivência com o time, em especial com Joe Cole (ex-jogador de Chelsea e seleção inglesa)?

Marcel Schäfer: Estou entusiasmado em estar aqui em Tampa Bay. Isso é para mim e minha família uma grande experiência de vida. Eu ainda posso conhecer outro país, aprender outra língua e também, naturalmente, te proporciona um prazer incrível, em ser uma parte do clube Tampa Bay Rowdies. E sim, certamente, Joe Cole é um jogador com muita experiência, ele ganhou muito na Inglaterra, ele é divertido não só dentro do campo, como também fora do gramado. Ele é um incrível valor para o nosso time.

ESPN.com.br: Você esteve na seleção alemã em um período de reconstrução do futebol no país. Por que esse processo funcionou tão bem?

Marcel Schäfer: Depois de vários desapontamentos em alguns torneios, a Federação Alemã de Futebol mudou algumas coisas, fez a regra que cada clube da Bundesliga tinha de apresentar uma academia para jovens, um centro de desempenho para a base. Eu acho que agora estamos colhendo os frutos deste trabalho. Temos incríveis promessas, jovens jogadores, que defendem também grandes clubes internacionais, e eu acho que o futuro no futebol alemão parece ser muito, muito bom.

ESPN.com.br: Qual foi o ponto de virada do Wolfsburg para ser o campeão alemão em 2009? Você se mantém em contato com seus antigos companheiros?

Marcel Schäfer: Nós éramos um grupo incrivelmente unido, cada um tinha um foco, com um treinador, que viveu o dia a dia, ele, ainda na pausa de inverno, na verdade, nos disse que realmente queria estar na liderança da Bundesliga, nos contou a cada dia no treino, nos convenceu e nos mostrou o que significa trabalhar, trabalhar e trabalhar para ir em direção ao topo. Esse era o lema de Felix Magath. Éramos jovens jogadores, éramos jogadores com apetite, queríamos aprender e fazer o que ele falava. Eu acho que éramos um grupo muito homogêneo e o título do Campeonato Alemão foi absolutamente merecido.

ESPN.com.br: Como foi a convivência com Grafite e Josué? Você se lembra de algum momento engraçado com eles? E sobre Felix Magath, alguma lembrança dos treinamentos duros?

Marcel Schäfer: A convivência com Grafite e Josué, nosso jogadores campeões, Josué, nosso capitão do título, foi legal. Eles eram colegas, camaradas incrivelmente legais, Josué era um supercapitão dentro e fora do gramado. Eu me lembro bem do tempo com os dois no Wolfsburg. Tivemos um período de sucesso com o título do campeonato, no qual Grafite realmente marcou muitos belos gols, especialmente o jogo contra o Bayern de Munique segue, naturalmente, na memória (vitória por 5 a 1). Tínhamos treinamentos muito, muito intensivos, pode perguntar ao Grafite, se ele sobreviveu às subidas na montanha. Ele teve alguns problemas de resistência, isso foi muito engraçado. Pergunte a ele sobre isso.