A conquista da Recopa Sul-Americana é parte de um período vitorioso recente vivido pelo Grêmio. Dominante na década de 1990, os gaúchos tiveram um período de vacas magras desde o início dos anos 2000 e ficaram 15 anos sem um título importante.
Com pouco mais de 14 meses, no entanto, a situação mudou e essa nova era de ouro pode atingir os feitos de um dos maiores times da história do clube.
ERA SCOLARI
Luiz Felipe Scolari assumiu o Grêmio em setembro de 1993 para iniciar sua segunda e mais vitoriosa passagem pelo clube.
Vindo do futebol do Oriente Médio, o treinador retornava ao país ainda com a boa imagem deixada após o título da Copa do Brasil com o Criciúma em 1991. Apesar da esperança, era difícil se imaginar que ali se iniciava o que seria considerado uma das épocas mais gloriosas de toda a história do clube.
Foram pouco mais de três anos em que o time conquistou praticamente todos os campeonatos que disputou e se tornou uma das maiores potências do futebol brasileiro.
Scolari não demorou muito para impor seu estilo de jogo aguerrido e eficiente em sua equipe, e o resultado não demorou a chegar. Menos de um ano após sua chegada, o Grêmio faturou a Copa do Brasil, até então a segunda de sua história.
Seguiu-se no ano seguinte. O anseio por mais uma Libertadores foi atendido, com o Grêmio indo para o tudo ou nada desde o início da disputa. No fim, deu tudo certo e o bi chegou após 12 anos.
Assim como este ano, o adversário na Recopa seria o próprio Independiente, que era o detentor da extinta Supercopa Libertadores. Naquela oportunidade a conquista viria com maior facilidade, em uma goleada tranquila por 4 a 1 no torneio disputado em final única no Japão. Em 1996, Felipão se despediria rumo ao Japão mas sem antes conquistar o que faltava. Foi difícil, mas o Grêmio bateria a Portuguesa no Olímpico para levantar o troféu do Campeonato Brasileiro.
ERA RENATO GAÚCHO
Renato Gaúcho assumiu o Grêmio em setembro de 2016 - assim como Felipão - para iniciar sua terceira e mais vitoriosa passagem pelo clube.
Ídolo tricolor, Renato chegava sob certa desconfiança. Já tinham se passado dois anos desde seu último trabalho como treinador e vivia uma fase em baixa na carreira. As passagens anteriores no próprio Grêmio foram marcadas por um início positivo, mas que não se sustentavam a longo prazo.
E logo no início tudo quase deu errado. A estreia foi na partida de volta da Copa do Brasil diante do Atlético-PR na Arena. A vantagem conquistada fora foi desfeita em casa e a decisão foi para os pênaltis com Marcelo Grohe se tornando herói - em um momento que seria recorrente dali em diante.
Desde então, o time se encaixou. Com prioridade total no torneio mata-mata, o Grêmio melhorou o desempenho dentro de campo e atingiu o objetivo principal: foi amplamente superior na decisão diante do Atlético-MG e conquistou seu 5º título da Copa do Brasil, encerrando um jejum de 15 anos sem conquistas nacionais.
A preferências pelas Copas foi visto já desde o início da temporada. Renato não escondeu que a prioridade seria a Libertadores e Copa do Brasil, deixando em segundo plano a disputa do Campeonato Brasileiro.
Ainda que contestada durante a disputa do campeonato nacional, a estratégia se mostrou acertada no fim do ano. O bicampeonato da Copa do Brasil esteve muito perto de acontecer ao esbarrar nos pênaltis contra o Cruzeiro, mas o sucesso veio na Libertadores com a conquista da terceira taça.
Tal feito deu direito ao clube disputar a Recopa em um confronto diante do Independiente, vencedor da Copa Sul-Americana, e culminou na terceira conquista com Renato à frente do Grêmio desde que retornou.
O QUE FALTA?
Caso queira superar um dos times mais marcantes da história do clube, o Grêmio de Renato Gaúcho terá que mudar a prioridade e ter como principal meta o Campeonato Brasileiro.
Até nisso a trajetória atual se assemelham. Os títulos da Copa do Brasil, Copa Libertadores e Recopa vieram todas antes do Brasileirão, em sequência que pode ser agora repetida por Renato.
Para isso, o clube precisa mudar a chave e ter o maior campeonato nacional como plano A para a temporada, mas já mostrou que tem capacidade para disputar até o fim os primeiros lugares.
Mesmo com a estratégia adotada, o Tricolor brigou pelo título até as últimas rodadas e terminou a competição no terceiro lugar.
O time da década de 1990 comandado por Felipão virou uma marca como um dos maiores de toda a história gremista, que sofreu com os vários anos sem nenhum título de expressão entre 2001 e 2016. Em pouco tempo, no entanto, o Grêmio de Renato quebrou esse jejum, já atingiu conquistas importantes e pode se juntar mais rápido do que o imaginado na mesma prateleira de sucesso.
