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Quem é o 'todo poderoso' técnico do Boca, que tem até linha direta com o presidente da Argentina

Com a fase preliminar da Libertadores perto do fim, os torcedores do Palmeiras já começam a pensar no jogaço contra o Boca Juniors pela competição continental, marcado para o dia 10 de abril, no Allianz Parque.

Todos os alviverdes sabem que o time de Roger Machado tem que se preocupar com jogadores como o atacante Carlitos Tevez, grande estrela do elenco xeneize, e também com o jovem Nahitan Nandez, conhecido dos alviverdes pelos explosivos confrontos contra o Peñarol, no ano passado.

Um dos nomes que os palestrinos mais devem prestar atenção, porém, não calça chuteiras e nem pisa no campo, mas tem enorme influência fora dele.

Trata-se do técnico Guillermo Barros Schelotto, que está no comando do Boca desde 2016, quando chegou após boa passagem pelo Lanús, e foi campeão argentino na temporada 2016/17 com o time de La Bombonera.

Schelotto é velho conhecido dos palmeirenses desde o início dos anos 2000. Ex-atacante, ele fez parte do elenco que venceu a Libertadores de 2000 em cima do "Verdão", no Morumbi, participando também da eliminação alviverde na semifinal do ano seguinte, no velho Palestra Itália.

Polivalente, ele atuava em diversas posições no ataque, fazendo por vezes até a função de ala pela direita, e se desdobrava em campo. Sua raça conquistou a exigente torcida do Boca, que o tem como grande ídolo até hoje.

"Schelotto era muito bom jogador. Tinha boa qualidade técnica e era um cara que conhecia bem o que era o Boca naquele momento, então representava muito bem o clube. Era um jogador de muita participação em campo, tanto na parte defensiva quanto atacando", lembra o ex-meia Alex, que enfrentou o atacante tanto em 2000 quanto 2001 pelo Palmeiras.

Além disso, Schelotto era conhecido por executar como poucos a famosa "catimba", outra grande característica do Boca Junior multicampeão do técnico Carlos Bianchi e de nomes como Juan Román Riquelme e Martín Palermo.

Hoje comentarista dos canais ESPN, Alex diz que a fama era mais do que justa.

"Era um provocador, um cara de muita 'catimba'. Realmente era uma peça muito importante naquele Boca fortíssimo do final da década de 90, começo dos anos 2000. Era um dos pilares daquela equipe", elogiou.

Como atleta do time de Buenos Aires, Guillermo conquistou quatro Libertadores, dois Mundiais de Clubes, duas Copas Sul-Americanas, seis Campeonatos Argentinos e duas Recopas Sul-Americanas.

Após 10 anos de Boca Juniors, entre 1997 e 2007, ele se arriscou no Columbus Crew, da MLS (liga dos EUA e Canadá) e depois voltou à Argentina para defender o Gimnasia La Plata, equipe que o revelou em 1991.

Encerrou a carreira em 2011 e começou sua trajetória como técnico no ano seguinte, no Lanús, tendo como assistente seu irmão gêmeo, Gustavo, ele também ídolo xeneize e multicampeão como meio-campista entre 1998 e 2000 (ganhou três Argentinos, uma Libertadores e um Mundial de Clubes).

Por causa do irmão, aliás, Guillermo Barros Schelotto é conhecido desde o início da carreira como El Mellizo, ou "O Gêmeo".

AMIGO DO PRESIDENTE DA ARGENTINA

Guillermo assumiu o Boca Juniors como treinador em 1º de março de 2016, tomando a vaga de Rodolfo Arruabarrena, seu ex-companheiro de equipe nos anos 2000. Ele vinha referendado pela boa passagem pelo Lanús, pelo qual foi campeão da Copa Sul-Americana de 2013, em cima da Ponte Preta.

Logo em sua primeira temporada, ele aumentou ainda mais sua idolatria ao conquistar o Campeonato Argentino 2016/17 com uma excelente campanha: 18 vitórias, nove empates e apenas três derrotas em 30 jogos. Com isso, os xeneizes terminaram sete pontos à frente do rival River Plate, o 2º colocado.

Já na temporada atual, ele vai come tudo rumo à conquista do bi, já que o Boca lidera com nove pontos de vantagem para Talleres e San Lorenzo.

Como treinador, Schelotto é conhecido por não inventar muito. Varia entre o 4-3-3 e o 4-2-3-1, e gosta bastante de usar centroavantes goleadores, como Darío Benedetto (atualmente lesionados), Ramón Ábila e e Walter Bou sendo municiados por meias criativos e polivalentes, como o colombiano Edwin Cardona e o próprio Tevez, que vem atuando mais recuado.

Entre os volantes, aprecia os que têm bom toque de bola, como Fernando Gago, Pablo Pérez, Walter Barrios e Nahitan Nandez.

Guillermo, porém, é mais conhecido por sua enorme força nos bastidores.

Desde que ele assumiu o Boca, são raros os casos em que o time perdeu uma "dividida" fora de campo, principalmente em reclamações contra a arbitragem.

Recentemente, ele também pediu à Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) que diminuia o gancho de Nandez, que foi suspenso por cinco jogos pela briga ocorrida no jogo entre Peñarol e Palmeiras, na Libertadores 2017, para que ele possa estar em campo normalmente na fase de grupos em 2018.

"Temos que ver a situação de Nahitan Nandez... Eles diminuíram a sanção de Felipe Melo e ele pode jogar. A pergunta que faço é: por que não diminuíram a de Nandez? Tem que diminuir a dos dois ou a de nenhum", argumentou.

E para muitos na Argentina, a prova de que Schelotto é realmente o "todo poderoso" do momento no futebol local foi o encontro que o treinador xeneize realizou na última segunda-feira com ninguém menos que Maurício Macri, presidente do país, depois que o político retornou de suas férias de 50 dias.

Em meio a diversas polêmicas de arbitragem e de favorecimento ao Boca no Campeonato Argentino, Guillermo foi recebido por Macri em plena Casa Rosada, sede do governo albiceleste, para "conversar sobre futebol".

O encontro foi extremamente criticado por políticos tanto da situação quanto da oposição, que reclamaram que há meses tentam se encontrar com o presidente da nação, enquanto o treinador do Boca Juniors conseguiu entrar no palácio com enorme facilidade.

Diversos sindicatos também disseram que tentam marcar reuniões com El Presidente há um bom tempo, mas só recebem negativas.

Vale lembrar, porém, que Schelotto e Macri são amigos e muito próximos, já que o atual comandante da Argentina foi presidente do clube de La Bombonera entre 1995 e 2007, antes de se tornar prefeito de Buenos Aires entre 2007 e 2015 e depois presidente do país, tendo sido eleito em 2015.

Além disso, a irmã mais nova de Guillermo, Carolina Barros Schelotto, é deputada da província de Buenos Aires pelo partido Cambiemos.

Desse jeito, fica difícil perder uma "dividida", seja dentro ou fora de campo...