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Em 6 anos, Palmeiras reduziu pela metade dependência de direitos de TV

Em seis anos, o Palmeiras conseguiu diminuir em 50% a dependência dos direitos de transmissão de TV em seu orçamento.

A constatação foi feita pelo presidente da equipe alviverde, Maurício Galiotte, durante evento da consultoria BDO, na última terça-feira, em São Paulo.

Ao mesmo tempo em que celebrou a maior receita da história da equipe, obtida em 2017, o dirigente ressaltou a importância da diversificação de arrecadação.

Hoje, o clube alviverde fatura alto com seu programa de sócio torcedor e com seu estádio, o Allianz Parque, além de ter um dos melhores acordos de patrocínio do futebol nacional com a Crefisa, que nesta temporada colocou R$ 78 milhões nos cofres alviverdes.

Atualmente, o Palmeiras recebe R$ 100 milhões/ano da TV Globo, mesma quantia do Vasco.

Acima deles, aparecem Flamengo e Corinthians (R$ 170 milhões/ano cada) e São Paulo (R$ 110 milhões).

"Hoje no Palmeiras, a principal fonte de receita ainda é a TV, que representa algo em torno de 25%. No entanto, (o total da TV na receita geral) já foi de 50% há seis anos", explicou Galiotte.

"E qual a importância disso para o clube? Você não depende apenas de uma receita, pois tem outras receitas ao longo do tempo que qualquer problema que você tenha tem como suprir, pois não mexe totalmente no seu negócio", completou.

A situação que o Palmeiras vive hoje é uma mudança de panorama total em relação ao que a equipe vivia antes da entrada de Paulo Nobre na presidência, em janeiro de 2013.

Além de ter emprestado R$ 120 milhões do próprio bolso (que terminarão de ser quitados neste ano), o ex-presidente investiu de maneira forte para reforçar o Avanti, programa de sócio-torcedor do clube, e viu a receita da agremiação crescer de maneira exponencial.

Além disso, o Allianz Parque tornou-se uma máquina de fazer dinheiro - na partida contra o Red Bull Brasil, pelo Campeonato Paulista, o "Verdão" chegou à incrível marca de R$ 200 milhões arrecadados em menos de 100 partidas disputadas no estádio.

"Nós tivemos um início complicado em 2013, quando o Nobre foi eleito, uma situação muito difícil. Nós tínhamos absolutamente todas as receitas adiantadas, o clube trabalhou dois anos com receita inferior a um. Então, naquele momento o presidente fez um aporte importante, que estamos terminando de pagar agora no meio do ano, mas que foi fundamental, pois houve um alongamento da dívida. Foi fundamental", afirmou.

"Depois disso, tivemos a inauguração do Allianz Parque, que foi extremamente importante, junto com nosso patrocinador, a Crefisa, e o desenvolvimento do sócio-torcedor Avanti. Com isso, o Palmeiras ganhou um referencial competitivo muito grande, tanto esportivo, em relação à arena, como também no aspecto financeiro", acrescentou.

"A diversificação das fontes de receita trouxe para o clube uma consistência administrativa muito grande", finalizou.

BALANÇO 2017 E RECEITA PARA 2018

O Palmeiras aprovou na noite da última segunda-feira, em reunião do Conselho Deliberativo do clube, os números financeiros da temporada 2017. E como vem acontecendo nos últimos anos, a equipe alviverde bateu seu próprio recorde.

De acordo com o balanço, a receita total de 2017 foi de R$ 531 milhões, a maior da história e um novo recorde em cima dos R$ 468,6 milhões de 2016, que já havia sido a maior de todos os tempos no Palestra Itália.

O time também fechou 2017 no azul, com lucro de R$ 57 milhões - o clube, aliás, terminou todos os meses do ano passado com superávit.

Nisso, porém, houve redução em relação a 2016, ano em que a equipe paulista apresentou lucro de R$ 89,6 milhões. Mas vale lembrar que no período em questão aconteceu a venda do atacante Gabriel Jesus para o Manchester City por pouco mais de R$ 121 milhões.

O patrimônio líquido da agremiação, por sua vez, agora é de R$ 29 milhões, uma enorme evolução em relação ao ano anterior. Em 2016, o clube possuía um déficit acumulado de R$ 28 milhões.

Na reunião do Conselho, também foram apresentados os números planejados para 2018.

Neste ano, o clube trabalha com uma receita estimada de R$ 477 milhões, enquanto as despesas devem ficar na casa de R$ 444 milhões. Com isso, o Palmeiras planeja finalizar a temporada com lucro de R$ 33 milhões.

No entanto, vale ressaltar que, diferentemente de outros clubes, o "Verdão" não inclui em sua previsão orçamentária possíveis vendas de jogadores. Caso elas ocorram, aumentarão diretamente a receita e o lucro alviverdes na temporada.