Um dos principais jogadores argentinos da atualidade, Paulo Dybala herdou de seu falecido pai, Adolfo, duas paixões que o acompanham até hoje: futebol e xadrez.
O astro avaliado em 50 milhões de euros (cerca de R$ 331 milhões) tinha como um dos seus maiores parceiros no jogo de tabuleiro o meia Hernanes, que atuou na Juventus entre agosto de 2015 e fevereiro de 2017.
"A gente jogava um contra o outro algumas vezes nas concentrações antes das partidas. Eu levava um iPad que tinha xadrez e jogávamos. Ele joga bem e tinha um duelo bom entre Brasil e Argentina, mas não dava para ele (risos). Eu ganhava a maioria", garantiu Hernanes, hoje no São Paulo, ao ESPN.com.br.
Quando criança, Dybala chegou a ver alguns torneios de xadrez ao lado da família. Aos 15 anos, o argentino perdeu seu grande incentivador e quase desistiu do futebol.
Mesmo assim, foi para o Instituto de Córdoba, clube da 2ª Divisão da Argentina, e em pouco tempo se destacou.
"Não foi fácil sair de casa e superar a perda de meu pai. O futebol me ajudou a avançar. Eu fiz mais para o meu pai que teve o sonho de que eu fosse futebolista do que para mim. Nunca imaginei estar onde estou hoje, ele me deu uma mão muito grande", contou o argentino, em entrevista ao El País.
Da pensão para Europa
Por morar em uma pensão, o argentino aprendeu desde cedo a se virar sem a família com as tarefas domésticas.
Essa maturidade foi comprovada por Hernanes no tempo em que conviveram na Itália.
"Dybala me impressionou e me surpreendeu muito. É um cara bem educado e gente boa. Como pessoa é bacana, muito humilde e inteligente. Ele é mais novo e a gente conversava bastante", contou.
Após marcar 18 gols na 2ª Divisão Argentina de 2011, Dybala foi vendido ao Palermo por 6 milhões de euros ao fim da temporada que não resultou no acesso.
Em 2015, foi contratado pela Juve por 32 milhões de euros.
Desde então, foram dois títulos do Campeonato Italiano e excelentes atuações na última edição da Uefa Champions League.
Nas quartas de final do torneio continental, ele brilhou ao marcar dois gols na vitória por 3 a 0 sobre o Barcelona. A equipe de Turim acabaria derrotada apenas na final pelo Real Madrid.
"Dentro de campo o que mais impressionava era o pé esquerdo dele. Colocava a bola sempre no ponto certo, no lugar certo e com a curva e força corretas. A precisão que ele tem é incrível", elogiou Hernanes.
"Me dizem que tenho cara de garoto, mas dentro penso como um futebolista de 30 anos", disse Dybala.
A última demonstração disso foi durante o duelo contra o Torino, na quarta-feira, pelas quartas de final da Copa da Itália. Ele deu um passe milimétrico para o gol de Mandzukic na vitória da Juventus por 2 a 0.
