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Ele capinava terrenos; agora é reforço de R$ 6 milhões do Corinthians

Contratado pelo Corinthians após se destacar no Campeonato Brasileiro de 2017, Juninho Capixaba teve uma ascensão meteórica. Até bem pouco tempo atrás, o garoto de 20 anos sequer era titular nas categorias de base.

Nascido em Cachoeiro do Itapemirim-ES, ele foi aos 11 anos para Campos dos Goytacazes-RJ, onde faturava uns trocados capinando terremos e ajudando seu tio a levar entulho em carroça.

Após ser aprovado em testes nas categorias de base do Bahia, em 2011, ele permaneceu por dois anos no Fazendão. Em 2013, foi para o Vitória após ter problemas com um diretor do clube tricolor.

Pouco tempo depois, porém, esse mesmo dirigente foi para o time rubro-negro, o que fez o jogador voltar à antiga equipe.

"Juninho ia ficar livre no Vitória e o levamos para o Bahia em janeiro de 2015. Ele era meia esquerda. Chegou e se adaptou rápido porque conhecia o pessoal. Ele passou jogando na meia sem se destacar muito porque o time estava montado", contou Éder Ferrari, ex-gerente de futebol do Bahia, ao ESPN.com.br.

"Naquela época, o Sub-20 estava integrado e por isso ele ia para os treinos do profissional com o [treinador] Sérgio Soares. O [auxiliar técnico] Denys gostava muito dele e me disse: 'Esse menino vai ser jogador, pode apostar nele. Mas na meia ele não consegue produzir. Tenta ver se de lateral ou volante dá certo, mas ele joga muito'", relembrou.

Éder conta que foi conversar com Charles Fabián, que colocou Juninho como lateral esquerdo na equipe de base.

"Ele fazia alguns amistoso e começou a jogar, mas nem sempre era titular do Sub-20 porque tinha outro garoto com mais tempo de casa. Quando o Charles assumiu como treinador interino do profissional o colocou no jogo contra o Santa Cruz pela Série B do Brasileiro", contou.

Esse jogo foi a estreia de Juninho no profissional, mas as coisas não deram certo. A equipe de Salvador foi derrotada por 2 a 1 e perdeu a chance de conseguir o acesso. Ele ainda jogaria um minuto na última rodada contra o Atlético-GO.

"Depois disso, ele voltou para a base e se firmou. Talvez tenha sido o principal jogador do time que perdeu a Copa do Brasil Sub-20 de 2016 para o São Paulo. Essa equipe só perdeu dois jogos no ano todo", afirmou.

Mesmo assim, fez poucas partidas no profissional. Somente era utilizado quando o Bahia utilizava a equipe reserva. Neste ano, subiu novamente, mas como terceira opção para o setor: atrás de Armero e Matheus Reis.

Juninho virou titular no Bahia com o técnico Preto Casagrande somente na 21ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2017, em agosto, na vitória por 3 a 0 sobre o vasco na Arena Fonte Nova.

Depois disso, não saiu mais. Mesmo com a chegada do treinador Paulo César Carpegiane, o jovem não perdeu o posto. Foram 17 jogos no Brasileiro.

"Ele é um menino muito valente, corajoso e muito dedicado. Não tenho receio nenhum de dizer que vai vingar no Corinthians. Vai conseguir se impor, tem algumas características do Arana. É mais posicional. Só vai na boa. Tem técnica e o 'um contra um' dele é muito bom", elogiou.

Éder acredita que Juninho ainda tem muito a evoluir, mas aposta no sucesso do garoto.

"Ele é muito maduro para a idade. Ainda não é um jogador pronto, não conseguiu mostrar tudo que fazia no Sub-20. Eu conversei com ele: 'Primeiro domina a posição, faz a defesa e se encaixa. Pega confiança para depois se soltar", aconselhou.

"Como o time do Corinthians é bem organizado, vai chegar e precisar um pouco de calma. Se tiver sequência vai voar. Ele tem potencial para times grandes da Europa e até seleção brasileira no futuro", projetou.