A Itália, quatro vezes campeã mundial, está fora de uma Copa do Mundo que terá 48 seleções.
Enquanto isso, países como Cabo Verde, Jordânia e República Democrática do Congo vão jogar a competição na América do Norte.
Muitos europeus dizem que é injusta a distribuição das vagas do Mundial mais inchado da história.
Bobagem pura.
É mais do que justo Congo estar na Copa e a Itália não.
Existem argumentos matemáticos.
Os europeus têm 16 das 48 vagas no Mundial, ou um terço do total.
Mas a Europa tem menos de 10% da população mundial. Na Fifa, 26% dos membros são do continente.
Evidente que as seleções do velho continente somam mais de metade dos títulos na história das Copas. Mas não acredito que Áustria ou Bósnia sejam tão empolgantes assim.
Mas não é pela matemática, história das Copas ou ranking da Fifa que a Europa chorar pela Itália e ironizar seleções sem tradição é absurda.
Há muito tempo a globalização faz a Europa levar para seus clubes o melhor do futebol do resto do mundo, especialmente da América do Sul e da África.
Dos 26 jogadores convocados pela República Democrática do Congo para a repescagem contra a Jamaica, 24 atuam na Europa.
A Europa suga talento em países pobres. Esses jogadores já emprestam seus talentos para as grandes ligas nacionais e continentais europeus.
Querer agora colocar suas seleções em massa na Copa, e tirar o que eles acham a "periferia" da bola, é ainda mais egoísmo europeu de quem acha que dinheiro é o que vale no futebol.
Vai ser muito legal ver um iraquiano, um cabo-verdiano e um congolês na Copa.
