O Senegal aproveitou o amistoso contra o Peru, realizado neste sábado (28), no Stade de France, para transformar o gramado em um palco de protesto.
Em um desafio direto à Confederação Africana de Futebol (CAF), a seleção senegalesa exibiu o troféu da Copa Africana de Nações, ignorando a decisão recente da entidade que retirou o título do país e o concedeu ao Marrocos.
A equipe ainda entrou em campo com uma segunda estrela bordada no uniforme, em alusão às conquistas de 2021 e 2026, reafirmando sua posição de atual bicampeã continental.
A crise institucional teve origem na decisão controversa da comissão de apelação da CAF, que alterou o resultado da final de 2026, disputada em Rabat. Na ocasião, os jogadores senegaleses deixaram o campo por 15 minutos em protesto contra um pênalti marcado a favor do Marrocos no último minuto do tempo regulamentar.
Apesar da paralisação, o time retornou, o goleiro defendeu a cobrança e o Senegal venceu por 1 a 0 na prorrogação. No entanto, dois meses após a final, a CAF puniu o gesto com uma derrota por W.O. (3 a 0), alegando desistência da partida.
Recusando-se a devolver a taça, a Federação Senegalesa de Futebol (FSF) acionou o Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) para tentar reverter a medida.
Enquanto o processo corre na Suíça, o elenco deixou claro que a preparação para a Copa do Mundo ficou em segundo plano diante da festa pela conquista.
Em vídeo divulgado nas redes sociais antes do jogo contra o Peru, as principais estrelas da seleção convocaram a torcida com uma mensagem: "Não é só um jogo, é a celebração de um povo, de um continente. A história continua".
O diretor-geral do CAS, Matthieu Reeb, confirmou que o tribunal já iniciou os procedimentos, mas alertou que, devido à complexidade das regras e ao tempo necessário para a apresentação dos argumentos legais, ainda não há uma data para a audiência final.
