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Carlos Alberto diz que base 'acabou com camisa 10' no Brasil: 'O baixinho não pode, mas contratam o argentino e uruguaio'

Qual foi o último camisa 10, aquele meio-campista clássico, que o seu time do coração formou e teve destaque? Para os torcedores do Santos, por exemplo, a resposta está na ponta da língua: Paulo Henrique Ganso.

Para torcedores de outros times a resposta pode não aparecer, e o nome de Ganso acaba voltando à pauta. A ausência de meias brasileiros de destaque, que fardam a 10 nas costas, foi debate no 'Rio FutSummit', festival sobre futebol sediado no Rio de Janeiro.

Antigo camisa 10, Carlos Alberto, em papo exclusivo com a ESPN, aponta para um problema na formação de meias clássicos no futebol brasileiro e cita Estêvão, jogador de ponta, como único capaz de atuar pelo meio na seleção brasileira.

“Na verdade, a gente até tem alguns camisas dez. O Estêvão, apesar de não ter sido convocado por causa de lesão, tem condições de jogar por dentro”, disse.

“Mas acho que isso está muito na formação da base. A gente faz um trabalho para o atleta se profissionalizar, aí quando ele se profissionaliza, o cara que é baixinho não tem mais espaço”, completou.

Em cima disso, o ex-jogador do Fluminense, Porto, Corinthians e Vasco cita a procura de clubes brasileiros por meio-campistas sul-americanos.

“Aí contrata o argentino, o uruguaio, o baixinho... A gente tem muito talento. Nossos principais jogadores estão nas principais ligas fora do país”, finalizou.

Arrascaeta, do Flamengo, é o principal exemplo de um camisa 10 estrangeiro no Brasil. O uruguaio é destaque do Rubro-Negro e do futebol brasileiro desde 2019. Thiago Almada, campeão da CONMEBOL Libertadores pelo Botafogo, em 2024, é outro nome constantemente citado como meia clássico.

Carlo Ancelotti chamou cinco meio-campistas para a última convocação antes da lista final para a Copa do Mundo: Casemiro (Manchester United), Andrey Santos (Chelsea), Fabinho (Al-Ittihad), Danilo (Botafogo) e Gabriel Sara (Galatasaray).

Formado na base do São Paulo, Gabriel Sara, destaque do Galatasaray, da Turquia, é exemplo de um meia mais armador que foi se tornando um meio-campista mais versátil.

“No São Paulo mesmo eu jogava mais à frente. Eu baixei um pouco mais no Norwich, o que me ajudou bastante. No Gala, foi a sequência desse trabalho. Acho que evolui muito tecnicamente e minha cabeça, também, com mais maturidade”, disse, em entrevista coletiva em Orlando, nos Estados Unidos.

“Eu procuro, sempre que me colocam em uma posição nova, aprender ao máximo. Hoje, por muitas as vezes, jogador tem que fazer mais de uma. Para mim, o mais importante é sempre jogar, independente de que posição estarei fazendo”, completou Sara.

Sem um camisa 10 clássico entre os relacionados, o Brasil enfrenta a França nesta quinta-feira (26), às 17h (de Brasília), em amistoso disputado em Boston, nos Estados Unidos.