A CBF foi acionada na Justiça pelo Manaus por um motivo inusitado: uma briga pelo pagamento de um empréstimo de um atleta que foi expulso de um clube por ter promovido uma festa na concentração da equipe com a presença de prostitutas e bebidas alcoólicas.
As informações constam em um processo que correu sob sigilo no âmbito da CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas), órgão da CBF. O Manaus, que mandou o atleta embora por indisciplina, foi condenado a pagar a Ferroviária pelo empréstimo, mesmo com a demissão do jogador. E não gostou: acionou a Justiça comum contra a confederação.
O objetivo do clube é reverter a condenação por meio de uma liminar, em valor de causa de cerca de R$ 342 mil. O Manaus havia sido condenado a pagar a Ferroviária pelo empréstimo do jogador em questão, que foi devolvido com apenas uma semana após a festa na concentração. Mas, pelo contexto, o time do Amazonas entende que não deveria pagar nada.
O Manaus deu detalhes sobre o ocorrido no processo na CNRD. Um jogador recém-contratado pelo clube em 2022 saiu da hospedagem sem autorização e "convidou prostitutas para o quarto do hotel, além do consumo de bebidas alcoólicas em regime de concentração", segundo palavras da equipe amazonense.
O clube trouxe um vídeo e várias fotos do ocorrido na noite de 23 de julho de 2022, madrugada para o dia 24. Segundo o Manaus, foi "uma algazarra, com outros atletas e mulheres desconhecidas da comissão técnica". A festa aconteceu após a derrota do time amazonense para o Atlético do Ceará.
Em seguida, depois de retornar da viagem ao Ceará, o Manaus disse que informou a Ferroviária sobre os "graves atos de indisciplina" cometidos por seu atleta e comunicando a imediata rescisão do contrato de empréstimo do mesmo.
"Inclusive, importante registrar que o atleta em questão, assim como os demais envolvidos, com fundamento na falta grave cometida (sair do hotel sem autorização, convidar prostitutas para o quarto do hotel, além do consumo de bebidas alcoólicas em regime de concentração) foram imediatamente desligados quando retornaram de viagem, pois suas atitudes não foram condizente com os valores do Manaus, muito menos com os valores do esporte", destacou o clube no processo.
O clube anexou documentos para comprovar suas alegações e concluiu que não precisaria pagar pelo restante do valor acordado pelo empréstimo, já que ele ficou à disposição por apenas uma semana, sendo dispensado do restante do tempo.
Com isso, o time de Araraquara entendeu que o clube do Norte não honrou com o contrato assinado entre as partes e decidiu ingressar com uma ação na CRND cobrando o Manaus ao pagamento de R$ 103.679,98 pelo empréstimo, em valores já com juros e correções, mais multa contratual, além de custas processuais e honorários.
"Os supostos fatos de indisciplina ocorridos não podem afastar a obrigatoriedade de pagamento estipulada em contrato", disse a Ferroviária.
A ESPN procurou a CBF, que disse que se iria se manifestar apenas nos autos. A Ferroviária optou por não se manifestar. A reportagem não conseguiu contato do Manaus e nem do atleta envolvido. A reportagem será atualizada caso as partes queiram comentar.
