Segundo apurou a ESPN, Cristiano Ronaldo segue em "greve" e não entrará em campo pelo Al Nassr contra o Al Ittihad, nesta sexta-feira (6), às 14h30 (de Brasília), pelo Campeonato Saudita.
De acordo com fontes, o astro ainda não recebeu qualquer garantia concreta de mudanças por parte do PIF (Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita) na gestão de seu clube e, por isso, caminha para perder o segundo jogo consecutivo na Saudi Pro League.
Ausente diante do Al Riyadh, na última segunda-feira (2), o craque português, mesmo tendo treinado normalmente durante a semana, também ficará fora do importante duelo contra o Al Ittihad - curiosamente, um dia depois de completar 41 anos.
O "boicote" de Cristiano, aliás, fez a Liga Saudita reagir através de uma forte nota oficial, publicada na noite da última quinta-feira (5).
No comunicado, a organização exaltou a importância de Ronaldo para o campeonato, mas deixou claro que nenhum jogador, nem mesmo ele, é maior que as entidades locais.
"A Saudi Pro League está estruturada em um princípio simples: todos os clubes operam de maneira independente e sob as mesmas regras", escreveu.
"Os clubes possuem suas próprias diretorias, seus próprios executivos e suas próprias lideranças de futebol. Decisões sobre contratações, gastos e estratégias dizem respeito apenas a cada clube, com a estratégia financeira da liga visando garantir a sustentabilidade e o equilíbrio competitivo. Esses princípios são válidos de forma igual para toda a Liga", seguiu.
"Cristiano se dedicou totalmente ao Al Nassr desde sua chegada e é um jogador com um papel importante no crescimento de seu clube e nas ambições da entidade. Como qualquer competidor de elite, ele quer vencer. Mas nenhum indivíduo, mesmo que muito significante, determina decisões além de seu clube", disparou.
"As recentes transferências demonstram esse independência de forma clara: alguns clubes se reforçaram de uma forma particular, outros preferiram ir por caminhos diferentes. Essas decisões foram de cada clube, sendo tomadas dentro dos parâmetros financeiros estabelecidos", explicou.
"A competitividade da liga fala por si só, com apenas alguns pontos separando os primeiros quatro colocados e a corrida pelo título bastante viva. Esse nível de equilíbrio reflete um sistema que está funcioanando como era desejado", argumentou.
"O foco da Liga segue sendo somente no futebol - e em campo, aonde o esporte pertence -, além de manter a credibilidade e a competição justa para jogadores e torcedores", complementou.
Entenda a greve de CR7
Entre outros pontos, Cristiano Ronaldo deixou claro nos bastidores que a sua volta depende da pronta reativação de poderes dos dirigentes do Al Nassr e, naturalmente, que a ingerência sofrida por eles no recém-fechado mercado de transferências não aconteça novamente no meio do ano.
Nos últimos meses, os portugueses Simão Coutinho (diretor esportivo) e José Semedo (CEO) foram suspensos de funções pelo PIF, o que revoltou CR7 e travou a chegada de reforços de peso para o compatriota Jorge Jesus. Não menos importante, houve um significativo corte nos gastos do clube.
Durante o mesmo período, o arquirrival Al Hilal, por sua vez, recebeu um grande aporte financeiro do príncipe multimilionário saudita Al Waleed bin Talal Al Saud e fortaleceu o elenco do italiano Simone Inzaghi, especialmente com a chegada do astro francês Karim Benzema.
Tudo isso foi feito sem qualquer bloqueio do fundo, diferentemente do que aconteceu com o Al Nassr.
Logo que decretou "greve" na Arábia Saudita, o atacante português rapidamente foi alvo de várias sondagens, muitas delas dos Estados Unidos e também da Europa. Ainda assim, não quis abrir negociações neste momento, pois acredita que uma saída agora vai ser prejudicial na preparação final para a Copa do Mundo.
Entretanto, caso não haja mudanças decisivas nas próximas semanas, Cristiano Ronaldo avalia, sim, uma transferência no meio do ano, quando passa ter uma multa rescisória de aproximadamente 50 milhões de euros (R$ 308 milhões, na cotação atual) - ele tem contrato válido com o Al Nassr até junho de 2027.
